O Supremo Tribunal Federal, última instância do sistema jurídico, tem como responsabilidade garantir a conformidade das ações com a Constituição Federal de 1988. Por conseguinte, uma vez que haja uma determinação no STF, torna-se inviável que um tribunal solicite revisão. Em virtude disso, todos os vereditos são transmitidos pela TV Justiça e pela Rádio Justiça.
A data agendada para o julgamento da modificação da taxa monetária do FGTS era o dia 20 de abril. No entanto, o processo foi adiado novamente após o ministro Kassio Nunes Marques requerer mais tempo para compreender e analisar o caso. Assim, de forma semelhante aos anos de 2019, 2020 e 2021, a decisão foi postergada. A população espera por esse julgamento há nove anos, considerando que já foi incluído na pauta da sessão em quatro ocasiões.
Julgamento da revisão do FGTS
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), exigido conforme previsto na Constituição, tem como objetivo salvaguardar o empregado. Nesse sentido, os contratantes possuem a responsabilidade de destinar 8% do salário para o FGTS. Atualmente, o trabalhador pode efetuar o saque do montante depositado em situações como demissão, aquisição de imóvel, em casos de calamidade pública na cidade do empregado e no mês de seu aniversário.
O propósito do julgamento é analisar se a Taxa Referencial (TR) – que determina o rendimento do saldo – está em conformidade com a inflação, especificamente no período entre 1999 e 2013. A TR tem como finalidade controlar os preços e salários, além de conter a inflação no país. Em outras palavras, busca-se manter o poder de compra mensal, mesmo com a inflação. Contudo, a TR perdeu relevância e, consequentemente, ficou abaixo da inflação.
Portanto, a audiência tem o propósito de decidir se os trabalhadores receberão uma indenização referente aos anos mencionados. Isso devido à taxa ter ficado abaixo da inflação.
Existe uma probabilidade de que, em um próximo encontro, o resultado seja favorável aos trabalhadores. Isso porque, em 2022, o STF já considerou institucional o uso da TR como índice. Dessa forma, em um cenário positivo, quase 70 milhões de brasileiros serão beneficiados.
No entanto, as finanças públicas serão afetadas pela decisão. Assim, o impacto poderá variar de R$ 400 a R$ 700 bilhões. Contudo, é possível que haja mudanças nas regras durante a audiência, visando diminuir o impacto para o Estado. Além disso, os empregadores também poderão ser impactados pelo cenário favorável, uma vez que os trabalhadores demitidos poderão solicitar o pagamento da diferença da multa do fundo.
Quais serão os beneficiados da revisão do FGTS
No caso de uma determinação favorável aos trabalhadores, o STF irá estabelecer quais direitos serão conferidos. Isso se deve à possibilidade de inclusão de todos os empregados que estavam sob regime CLT no período de 1999 a 2013, se serão considerados aqueles a partir de 1999 ou somente os depósitos posteriores à decisão.



