Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, que atinge 19% das exportações do Brasil para os Estados Unidos.
Segundo dados oficiais da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o valor estimado das exportações afetadas vai de US$ 7,2 bilhões a US$ 11 bilhões, alcançando 2,3 mil produtos, principalmente dos setores de eletroeletrônicos, máquinas, equipamentos, autopeças e calçados. No entanto, cerca de 700 itens ficaram isentos da cobrança.
O anúncio oficial reforça que a medida impacta principalmente os estados de São Paulo e Santa Catarina, responsáveis por mais da metade do valor total das exportações afetadas pelo tarifaço. Veja mais detalhes!
Entenda o tarifaço
A decisão de impor o tarifaço decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e tem como base alegações de práticas consideradas “desleais” pelo governo norte-americano.
📲 Receba as principais notícias e oportunidades no seu WhatsApp!
QUERO ENTRAR AGORA →Segundo o relatório, questões relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos (Pix), à regulação das redes sociais, ao combate à corrupção, ao acesso ao mercado brasileiro de etanol, à proteção da propriedade intelectual e aos acordos comerciais preferenciais firmados pelo Brasil com o México e a Índia influenciaram a aplicação da sobretaxa.
O governo brasileiro contesta os argumentos apresentados para justificar a taxação e afirma que a medida possui caráter político, além de não refletir a realidade das relações comerciais entre os dois países. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, os negociadores dos EUA pediam a abertura total de mercados sem contrapartida.
Quais setores e produtos brasileiros são mais impactados pelo tarifaço?
A sobretaxa de 25% atinge principalmente bens manufaturados, como eletroeletrônicos, artigos de ferro e aço, vestuário, máquinas e equipamentos, autopeças, calçados, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas não destinadas à aviação, além de itens como açúcar e etanol.
Dos cerca de 2,3 mil produtos afetados, uma parcela alta está ligada à indústria exportadora brasileira.
Com a nova cobrança, as empresas que comercializam esses produtos no mercado norte-americano terão de reavaliar custos, margens de lucro e estratégias de venda, além de buscar alternativas para preservar a competitividade diante do novo cenário comercial.
Produtos isentos: quem escapa da nova taxa?

Cerca de 700 itens ficaram isentos do tarifaço, número superior aos 615 previstos inicialmente. Entre os principais setores beneficiados estão os de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que, juntos, representaram cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano.
Segundo os critérios adotados pelo governo norte-americano, a isenção foi concedida principalmente a produtos cuja oferta doméstica é insuficiente ou não está disponível a preços considerados razoáveis. O objetivo seria evitar aumentos de preços e possíveis situações de escassez no mercado dos EUA.
Como o tarifaço afeta os principais estados exportadores?
São Paulo responde sozinho por 41,6% do valor total das exportações brasileiras afetadas pela cobrança extra dos EUA. Já Santa Catarina sofreu impacto proporcionalmente mais elevado: 68% de tudo que exporta para o mercado estadunidense passou a ser taxado, de acordo com levantamento da Apex-Brasil.
Esses números reforçam a concentração regional dos prejuízos, prejudicando setores industriais com maior dependência do mercado norte-americano.
O que o Brasil está fazendo para responder ao tarifaço?
Como resposta à medida, o governo brasileiro anunciou que retomará um programa de apoio aos setores afetados, com linhas de crédito destinadas ao capital de giro e a investimentos, além de ações para facilitar o escoamento da produção para novos clientes e mercados internacionais. Há também a possibilidade de flexibilizar regras tributárias para insumos importados usados na exportação.
Por meio da Apex-Brasil, foi elaborado um plano de R$ 130 milhões para estimular as exportações brasileiras para a União Europeia, para os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, e para as nações da Ásia Central, entre elas Cazaquistão e Uzbequistão.
Lei da Reciprocidade: alternativa para eventuais retaliações
Aprovada pelo Congresso em 2025, a Lei da Reciprocidade Comercial, nº 15.122/2025, permite que o Brasil adote contramedidas, como restrição às importações, suspensão de direitos de propriedade intelectual e aumento de tarifas, sempre após negociações diplomáticas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin salientou que o objetivo não é retaliação automática, mas um instrumento para corrigir medidas consideradas injustas pelo governo brasileiro. A legislação permite uma resposta institucional, com consultas e audiências públicas, caso seja necessário.
Diante da sobretaxa norte-americana, o governo adotou três frentes de atuação: apoio financeiro às empresas afetadas, diversificação dos mercados de exportação e diálogo com os setores produtivos. A tarifa de 25%, que pode receber um acréscimo de 12,5%, deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, avaliadas em aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
Exemplo prático: como funciona a Lei da Reciprocidade?
Caso um país imponha tarifas unilaterais que prejudiquem o Brasil, o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado ao Poder Executivo, poderá adotar contramedidas, como restringir a importação de bens e serviços provenientes do país responsável pela barreira comercial.
Para acompanhar esta e outras notícias importantes sobre exportações e economia internacional, acesse o site Notícias Concursos e mantenha-se informado.










