O Banco Central (BC) analisa a possibilidade de integrar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países, permitindo operações internacionais por meio de estruturas de transferência instantânea. A iniciativa está incluída na agenda de novos produtos e funcionalidades do Pix divulgada nesta segunda-feira (10/08), no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025.
Segundo o relatório, as novas funcionalidades do Pix estão alinhadas aos objetivos de desenvolvimento de um mercado de pagamentos de varejo mais competitivo, eficiente, seguro e acessível. As atualizações do sistema ampliam as opções de pagamento, incentivam a inovação, permitem a criação de novos serviços e contribuem para o aumento da concorrência no setor financeiro brasileiro.
O estudo avalia a conexão do sistema brasileiro com plataformas estrangeiras de pagamentos instantâneos e com redes multilaterais voltadas a transações financeiras entre diferentes países.
“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, disse o BC.
Como funcionaria o Pix em transações fora do Brasil?
Com uma possível integração, usuários poderiam realizar pagamentos internacionais utilizando a infraestrutura do Pix, sem processos tradicionais mais demorados. A operação dependeria da conexão entre os sistemas de cada país participante e das regras estabelecidas pelas autoridades responsáveis.
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QUERO ENTRAR AGORA →A proposta prevê que uma pessoa no Brasil possa enviar valores ou realizar compras em outro país com conversão para a moeda local. O mesmo princípio poderia ser aplicado a estrangeiros que utilizem serviços conectados ao sistema brasileiro.
Novas funcionalidades previstas para o Pix
Além da possibilidade de uso internacional, o Banco Central acompanha outras mudanças para ampliar as funcionalidades do Pix. Entre elas está a realização de transações por aproximação sem conexão com a internet, recurso conhecido como Pix offline.
Outra iniciativa analisada é o Pix automático, que poderá substituir pagamentos recorrentes feitos atualmente por débito em conta. A ferramenta busca permitir cobranças programadas com autorização prévia do usuário.
O sistema também está sendo estudado para integração ao mercado de crédito. A proposta considera o uso dos chamados fluxos futuros de Pix como garantia para financiamentos, principalmente em operações envolvendo empresas com grande movimentação pelo meio de pagamento.

Novas medidas de segurança
A expansão das funções do Pix também acompanha mudanças voltadas à proteção das transações. A agenda de segurança elaborada pelo Banco Central prevê ações para aprimorar mecanismos contra fraudes.
Entre as medidas está a criação de critérios mínimos para identificar operações suspeitas. Atualmente, cada instituição financeira define suas próprias políticas, o que pode gerar diferenças na análise de pagamentos semelhantes.
O Banco Central também trabalha no desenvolvimento de um indicador de probabilidade de fraude calculado em tempo real. A ferramenta utilizará modelos de inteligência artificial e poderá ser compartilhada com instituições participantes para reforçar sistemas antifraude.
Outra mudança prevista envolve a padronização dos alertas de fraude e o aperfeiçoamento da comunicação entre bancos para bloqueios cautelares de transações suspeitas.
Também está em avaliação a expansão das medidas preventivas aplicáveis às instituições participantes, incluindo a possibilidade de limitar o registro de novas chaves Pix em casos de entidades que apresentem riscos ao funcionamento adequado do sistema de pagamentos.
Mensagens do Pix passam por avaliação
O campo de mensagens disponível nas transferências Pix também está sendo analisado pelo Banco Central. A ferramenta foi criada para permitir o registro de informações relacionadas aos pagamentos.
No entanto, a instituição identificou casos de uso inadequado do recurso, incluindo mensagens ofensivas, ameaças e intimidações associadas a transferências de valores baixos. Um grupo de trabalho foi criado para avaliar alternativas.
Após a análise, o Banco Central poderá estabelecer medidas regulatórias para limitar práticas consideradas inadequadas no uso desse espaço.
Pix entra em debate nas relações financeiras entre Brasil e EUA
O Pix passou a fazer parte das discussões entre Brasil e Estados Unidos após o governo norte-americano incluir o sistema brasileiro entre os argumentos usados para justificar a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A Casa Branca afirma que o mecanismo representa uma prática desleal no mercado financeiro, mas o governo brasileiro contesta essa interpretação.
Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a reação do governo dos Estados Unidos ao Pix está relacionada ao modelo independente criado pelo Brasil para sua infraestrutura de pagamentos digitais. Segundo os especialistas, o sistema reduz a dependência de estruturas financeiras externas ao permitir que o país tenha maior controle sobre suas próprias operações eletrônicas.
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