O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (08/09) que R$ 5,65 bilhões estão disponíveis para resgate por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR). Desse total, R$ 4,25 bilhões pertencem a mais de 23 milhões de pessoas físicas que podem solicitar a devolução dos recursos.
Além dos cidadãos, cerca de 2,19 milhões de empresas também possuem valores a receber de instituições financeiras, somando aproximadamente R$ 1,40 bilhão destinado a pessoas jurídicas.
Apesar do montante bilionário disponível, os dados do BC mostram que a maior parte dos beneficiários possui valores considerados baixos para resgate, concentrados principalmente em pequenas quantias esquecidas em bancos e outras instituições financeiras.
Valores esquecidos é de pequenas quantias
Entre os beneficiários autorizados a realizar o resgate, 69,45% possuem valores entre R$ 0,01 e R$ 10, indicando que a maior parte dos recursos disponíveis corresponde a pequenas quantias. Outros 18,97% dos titulares têm valores entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,35% podem recuperar montantes entre R$ 100,01 e R$ 1 mil.
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QUERO ENTRAR AGORA →Apenas 2,22% das pessoas possuem mais de R$ 1 mil disponíveis para retirada. Os valores esquecidos podem ter diferentes origens, como contas bancárias encerradas com saldo remanescente, cobranças feitas em duplicidade, recursos de consórcios finalizados ou participações em cooperativas de crédito.
Como acessar o Sistema de Valores a Receber?
Para conferir se existem valores a receber, basta acessar o SVR do Banco Central e informar CPF com data de nascimento, ou CNPJ no caso de empresas. Se houver saldo encontrado, a liberação exige conta Gov.br com nível prata ou ouro.
O processo ocorre em etapas: após confirmar a existência do valor, o sistema solicita a leitura dos termos, a confirmação da instituição de origem, e autoriza o pedido de pagamento. Quando disponível, o Pix é usado para agilizar a devolução. Alternativamente, o cidadão pode ser orientado a contatar diretamente a instituição responsável, caso não tenha cadastro Pix correspondente.
Quais instituições concentram mais valores esquecidos?
Os bancos concentram a maior parte dos valores esquecidos disponíveis para resgate, com um total de R$ 2,38 bilhões. Na sequência aparecem as administradoras de consórcios, que reúnem R$ 1,96 bilhão em recursos aguardando solicitação dos beneficiários.
As cooperativas de crédito acumulam R$ 762,7 milhões, enquanto as instituições de pagamento registram R$ 353,4 milhões. Outros segmentos do sistema financeiro, como financeiras, corretoras e distribuidoras, possuem valores menores, todos abaixo de R$ 115 milhões.
Além dessas categorias, o Banco Central informa que R$ 4,5 milhões estão registrados em entidades classificadas como “outras instituições”.
Resgate automático de valores esquecidos
Desde maio de 2025, titulares podem configurar o pedido automático de devolução no próprio sistema. Com o recurso ativado, os valores identificados são transferidos automaticamente para a conta vinculada ao CPF, dispensando nova solicitação.
A habilitação requer conta Gov.br nível prata ou ouro, autenticação em duas etapas e chave Pix ativa. Essa funcionalidade agiliza a recuperação de pequenas quantias, especialmente em situações recorrentes de saldo residual ou cobranças corrigidas.
Recursos não resgatados foram direcionados ao Desenrola
Uma parte dos valores que permaneciam disponíveis no Sistema de Valores a Receber (SVR) deixou de integrar o saldo destinado aos beneficiários após a transferência dos direitos à União. Esses recursos foram encaminhados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), utilizado para oferecer garantias em iniciativas de renegociação de débitos, como o programa Desenrola.
A movimentação contribuiu para a redução temporária do volume de dinheiro disponível no sistema nos meses anteriores. No entanto, em julho, o estoque voltou a apresentar crescimento.

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Quanto já foi devolvido desde o início do sistema?
O BC já devolveu mais de R$ 16 bilhões desde a implementação do SVR. Pessoas físicas recuperaram R$ 11,9 bilhões, enquanto as empresas receberam cerca de R$ 4,2 bilhões. O levantamento totaliza aproximadamente R$ 21,8 bilhões identificados ao longo dos anos, entre valores pagos e ainda disponíveis para consulta e resgate. Somente no mês de julho, o valor resgatado atingiu R$ 323 milhões.
Recomendações de segurança do BC
O Banco Central reforça que a consulta aos valores disponíveis no SVR é gratuita e deve ser feita somente pelos canais oficiais da instituição. O órgão destaca que não envia links para solicitar resgates, não cobra taxas para liberar recursos e nunca pede informações como senhas ou códigos de segurança.
Para evitar golpes, os usuários devem verificar se estão acessando o site correto e não compartilhar dados pessoais ou realizar pagamentos solicitados por terceiros.
Nos casos de titulares falecidos, o acesso aos valores é permitido apenas para herdeiros, inventariantes ou representantes legais, conforme as regras e procedimentos definidos pelo sistema.
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