O Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas em agosto de 2026, em uma das maiores reduções de sua rede física nos últimos anos. Os encerramentos começaram a ser implementados em 14 de agosto e atingiram aproximadamente 28,7% dos pontos de venda que a companhia mantinha no país.
A reestruturação também chegou ao quadro de funcionários. Cerca de 1,9 mil desligamentos foram programados entre os dias 13 e 14 de agosto, enquanto o número total de demissões pode chegar a 3 mil trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a situação financeira da varejista ganhou uma dimensão ainda maior. No domingo, 16 de agosto, o grupo protocolou pedido de recuperação judicial, envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e cerca de 28 mil credores.
Apesar da sequência de fechamentos, demissões e do pedido apresentado à Justiça, isso não significa que todas as Casas Bahia fecharão. A companhia afirma que continuará operando nas lojas mantidas abertas e nos canais digitais enquanto busca reorganizar suas finanças.
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QUERO ENTRAR AGORA →Por que a Casas Bahia fechou 298 lojas em 2026?
O fechamento das unidades faz parte de um redimensionamento da estrutura da companhia. Na prática, o grupo decidiu reduzir a quantidade de lojas para concentrar a operação em pontos considerados mais sustentáveis financeiramente.
A medida acontece em meio a um cenário de forte pressão sobre o caixa da empresa. Entre os fatores apresentados pelas Casas Bahia estão juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito, aumento dos custos financeiros e desempenho mais fraco das operações físicas.
Um dos pontos que mais pesam sobre a companhia é justamente o custo do crédito. O modelo de negócios da Casas Bahia historicamente mantém uma relação forte com o crediário, incluindo o tradicional carnê utilizado por consumidores que financiam compras diretamente com a varejista.
Segundo dados apresentados pela companhia, o crediário corresponde atualmente a 15,9% das vendas, enquanto a carteira dessa modalidade terminou o segundo trimestre de 2026 em aproximadamente R$ 6,3 bilhões.
Com juros altos, tanto a capacidade de financiamento da empresa quanto a de seus consumidores fica pressionada. Isso ajuda a explicar por que a situação do crédito aparece entre os fatores apontados no pedido de recuperação.
A empresa também relatou redução dos estoques. O volume passou de aproximadamente R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,2 bilhões em junho de 2026. O giro dos estoques, por sua vez, caiu de 95 para 75 dias.
Quantas lojas da Casas Bahia ainda permanecem abertas?
Antes do fechamento anunciado em agosto, o Grupo Casas Bahia já vinha diminuindo gradualmente sua estrutura física. No encerramento de 2025, eram 1.042 lojas, contra 1.064 no ano anterior. Em 2023, a companhia mantinha aproximadamente 1.078 estabelecimentos.
Considerando a base de 1.042 unidades e o fechamento de 298 pontos, a redução equivale a aproximadamente 28,7% da estrutura física existente ao fim de 2025. Após essa redução, o grupo ficaria com cerca de 744 pontos de venda, considerando as bandeiras mantidas pela companhia.
O número ajuda a dimensionar o tamanho do corte, mas também deixa claro que a rede física não desapareceu. Centenas de lojas seguem em funcionamento, além do comércio eletrônico e dos demais canais digitais.
Por isso, o fechamento de uma unidade específica não significa necessariamente que as Casas Bahia deixaram de operar naquela região. Consumidores podem encontrar outra loja próxima ou utilizar os canais on-line.
Demissões podem chegar a 3 mil funcionários
O fechamento de quase 300 estabelecimentos teve impacto direto sobre os trabalhadores. Cerca de 600 demissões foram comunicadas em 13 de agosto, enquanto aproximadamente 1.300 desligamentos estavam previstos para 14 de agosto.
Somadas, essas duas etapas alcançam 1,9 mil funcionários. O total da reestruturação, porém, pode chegar a aproximadamente 3 mil desligamentos. Se confirmado, o número representará perto de 10% dos 30.117 funcionários que o grupo possuía no fim de junho de 2026.
Relatos publicados por trabalhadores nas redes sociais também chamaram atenção. Alguns funcionários afirmaram ter encontrado unidades fechadas ao chegarem para trabalhar, enquanto profissionais com muitos anos de empresa relataram o encerramento de seus vínculos.
A redução do quadro de pessoal acompanha diretamente a diminuição da estrutura física da varejista.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões aumentou a pressão sobre a companhia
Pouco antes do pedido de recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia divulgou um resultado financeiro que evidenciou a gravidade do momento.
A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, frente a uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.
Boa parte desse resultado foi provocada por ajustes contábeis extraordinários de aproximadamente R$ 9,1 bilhões, relacionados principalmente à reavaliação de ativos.
Mesmo desconsiderando esses efeitos extraordinários, porém, a empresa continuou no vermelho. O prejuízo ajustado ficou em aproximadamente R$ 978 milhões, crescimento de 76% na comparação anual.
A deterioração não começou em agosto. No primeiro trimestre de 2026, a companhia já havia registrado perda próxima de R$ 1,1 bilhão. Em todo o ano de 2025, o prejuízo líquido acumulado chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões.
Não é a primeira reestruturação das Casas Bahia
A redução das operações físicas ocorre após outras tentativas de reorganizar o negócio. Em 2023, a companhia fechou 55 lojas, reduziu estoques em cerca de R$ 1 bilhão e promoveu aproximadamente 8,6 mil desligamentos.
No ano seguinte, em abril de 2024, o grupo apresentou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com alguns dos principais credores.
A renegociação, entretanto, não foi suficiente para impedir a deterioração financeira registrada posteriormente. Agora, o pedido de recuperação judicial representa uma etapa mais ampla da tentativa de reorganização da empresa.
Quanto a Casas Bahia deve?
A relação apresentada no processo reúne aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas à recuperação judicial, distribuídas entre cerca de 28 mil credores.
Desse montante, aproximadamente R$ 16,4 bilhões são créditos quirografários, categoria de dívidas que não possui garantia real. Outros R$ 754,5 milhões correspondem a obrigações trabalhistas.
Entre os maiores credores aparecem instituições financeiras, fundos de investimento, seguradoras e alguns dos principais fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos do país.
| Credor | Valor aproximado |
|---|---|
| Zurich Minas Brasil Seguros | R$ 1,97 bilhão |
| IBCB-AF01 | R$ 1 bilhão |
| Samsung Eletrônica da Amazônia | R$ 937,6 milhões |
| Electrolux | R$ 700 milhões |
| Bradesco, incluindo Digio | R$ 655,6 milhões |
| Whirlpool | R$ 635,9 milhões |
| LG Electronics | R$ 623,7 milhões |
| Motorola Mobility | R$ 619 milhões |
| Banco do Brasil | R$ 598,1 milhões |
| Itaú | R$ 208,3 milhões |
O endividamento bancário da companhia soma aproximadamente R$ 7,03 bilhões. Também existem cerca de R$ 2,02 bilhões relacionados a cotas seniores de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
A Casas Bahia vai falir ou continuar funcionando?
Esse é um dos principais questionamentos de consumidores após a divulgação do pedido de recuperação judicial.
Recuperação judicial não é sinônimo de falência.
O mecanismo existe justamente para permitir que uma empresa em dificuldade financeira continue funcionando enquanto renegocia suas obrigações com credores.
O próprio Grupo Casas Bahia declarou que o pedido não interrompe suas operações e que pretende continuar atendendo consumidores nos canais físicos e digitais.
Há ainda outra diferença importante: o pedido foi protocolado, mas o processo depende de análise judicial. O juiz precisa examinar a documentação e decidir sobre o deferimento do processamento da recuperação.
Somente depois dessa decisão começam a valer determinados efeitos previstos na legislação.
Quem comprou nas Casas Bahia perde seus direitos?

Imagem: Notícias Concursos
Não. A recuperação judicial não elimina os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. Para quem já comprou um produto, possui garantia, aguarda entrega ou mantém um financiamento com a varejista, as relações contratuais continuam existindo.
Por isso, consumidores não precisam cancelar automaticamente compras ou contratos apenas porque a empresa pediu recuperação judicial.
Comprei um produto e a loja fechou. O que fazer?
Essa situação pode ocorrer principalmente nas cidades atingidas pelos 298 fechamentos. Se uma compra foi realizada para retirada em uma unidade que encerrou as atividades, o consumidor deve procurar os canais oficiais da Casas Bahia para verificar alternativas.
Entre as possibilidades estão:
- Entrega do produto no endereço do consumidor;
- Transferência para retirada em outra unidade;
- Cancelamento e restituição do valor, quando cabível.
É recomendável guardar comprovantes de pagamento, pedidos, notas fiscais, protocolos de atendimento e eventuais conversas realizadas com a empresa.
Quem tem carnê precisa continuar pagando?
Sim. O pedido de recuperação judicial não cancela as dívidas que clientes possuem com as Casas Bahia. Quem adquiriu uma mercadoria por meio do crediário e já recebeu o produto deve continuar pagando as parcelas normalmente.
A recuperação judicial trata das dívidas da companhia com seus credores. Ela não extingue os valores que terceiros devem à varejista. Interromper o pagamento do carnê sem justificativa contratual pode gerar consequências relacionadas à inadimplência.
Garantias, trocas e produtos com defeito continuam válidos
Os consumidores também mantêm seus direitos em relação às garantias dos produtos. A recuperação judicial não elimina a garantia contratual concedida pelo fabricante ou pela loja, nem a garantia legal prevista no Código de Defesa do Consumidor.
Para produtos duráveis, como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, a garantia legal é de 90 dias, sem prejuízo de eventual garantia contratual adicional. Da mesma forma, a empresa continua obrigada a observar as regras relacionadas a defeitos, vícios ocultos, cancelamentos e entregas.
Garantias estendidas, cartões-presente e vales relacionados à varejista também não deixam automaticamente de existir apenas por causa do pedido judicial.
O que aconteceu com as ações BHIA3?
O mercado financeiro reagiu de forma intensa ao agravamento da crise. Na segunda-feira, 17 de agosto, as ações BHIA3 fecharam em R$ 0,44, queda de 33,33% no dia.
Os papéis haviam iniciado 2026 na região de R$ 3,15. Dessa forma, a desvalorização acumulada ao longo do ano se aproximava de 80%. Quando comparado ao pico histórico registrado em outubro de 2020, o recuo supera 99%.
O movimento mostra como as dificuldades financeiras da empresa também atingiram a confiança dos investidores.
O que acontece agora com a recuperação judicial?
O processo não termina com a apresentação do pedido. A Justiça analisará os documentos entregues pelo grupo e decidirá se aceita o processamento da recuperação. Caso isso aconteça, começa uma fase de negociação com os credores.
A empresa deverá apresentar um plano indicando como pretende reorganizar suas dívidas e manter as operações. O pedido também alcança nove subsidiárias do grupo, incluindo empresas das áreas de logística, tecnologia, comércio eletrônico e serviços.
Entre elas estão ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e a fabricante de móveis Bartira.
O grupo ainda informou que avalia outras medidas operacionais, financeiras e societárias, dependendo da evolução do caixa e das negociações com credores e parceiros.
O fechamento das 298 lojas encerra a reestruturação?
Por enquanto, não há garantia de que essa será a última mudança na rede física.
A companhia deixou claro que continua analisando alternativas para reduzir custos, preservar caixa e reorganizar suas obrigações financeiras. Portanto, o desempenho das lojas restantes, a evolução das vendas, o acesso ao crédito e o avanço da recuperação judicial poderão influenciar novas decisões.
Para o consumidor, o ponto mais importante é acompanhar a situação da unidade onde costuma comprar e utilizar os canais oficiais da Casas Bahia para tratar de entregas, trocas, garantias e retiradas de produtos.
Caso uma obrigação não seja cumprida, o cliente pode registrar uma reclamação no SAC da empresa e, se necessário, procurar o Procon ou a plataforma Consumidor.gov.br.
Continue acompanhando o Notícias Concursos para conferir novas informações sobre o andamento da recuperação judicial, possíveis mudanças na rede e orientações que possam afetar consumidores e trabalhadores.










