O governo federal prepara uma linha de crédito com condições facilitadas para entregadores de aplicativo comprarem ou trocarem de moto.
A medida deve alcançar um público estimado entre 700 mil e 1,2 milhão de trabalhadores em todo o país e segue o modelo do programa já criado para motoristas de aplicativo e taxistas. O anúncio oficial está previsto ainda para este mês de junho.
Confira, a seguir, como o financiamento deve funcionar e quem poderá participar!
Como deve funcionar a nova linha de crédito
A ideia é simples: o governo paga parte do custo do empréstimo para que o entregador pegue o financiamento com juros bem menores que os do mercado. O dinheiro pode ser usado para comprar a primeira moto ou trocar a que já está desgastada pelo trabalho.
Como a moto custa em média R$ 17,8 mil no país, bem menos que um carro, as parcelas tendem a caber na renda da categoria.
As motos elétricas, que saem entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, também entram no financiamento, sem exigência de fabricante nacional.
Veja quem poderá pedir o financiamento
Segundo técnicos a par das discussões, o acesso ao crédito deve exigir:
- Vínculo ativo com uma plataforma de entregas, como o iFood;
- Tempo mínimo de seis meses prestando serviço para o aplicativo;
- Comprovação da atividade, que será verificada na contratação.
A regra busca direcionar o benefício a quem de fato vive das entregas, e não a quem faz corridas de forma eventual.
A exigência também tem uma função prática: permitir que a parcela do empréstimo seja descontada diretamente da remuneração creditada na conta do entregador, o que reduz o risco de atraso e ajuda a baixar os juros da operação.
Como garantir o crédito quando o programa for lançado
Por enquanto, não há canal de solicitação aberto: o financiamento só poderá ser contratado depois do anúncio oficial, previsto para este mês de junho, quando o governo divulgar os bancos participantes e as regras finais.
Enquanto isso, o entregador pode se preparar para sair na frente:
- Mantenha o cadastro ativo na plataforma de entregas, pois o vínculo de pelo menos seis meses deve ser o principal requisito;
- Guarde os comprovantes da atividade, como extratos de repasses e histórico de corridas no aplicativo;
- Organize seus documentos pessoais (CPF, identidade e comprovante de residência), exigidos em qualquer financiamento;
- Acompanhe os canais oficiais do governo para saber a data de liberação e os bancos credenciados.
Cumprindo o requisito do tempo mínimo, a contratação deve ser feita diretamente no banco participante, com a parcela descontada da remuneração creditada pela plataforma.
E atenção: até o lançamento oficial, qualquer oferta antecipada em nome do programa é golpe.
Entenda o que o governo estuda para baratear as parcelas
Como muitos entregadores trabalham sem carteira assinada e ganham pouco, os bancos veem risco de calote e cobram juros altos. Para contornar isso, o governo estuda duas proteções:
- Fundo garantidor: uma reserva pública que cobre a dívida se o trabalhador não conseguir pagar. A principal opção é o Fundo de Garantia de Operações (FGO), já usado em outros programas de crédito do governo;
- Seguro: uma proteção extra, já que os bancos têm mais dificuldade de recuperar uma moto do que um carro em caso de inadimplência.
Na prática, o entregador não precisa fazer nada em relação a essas garantias: elas funcionam nos bastidores, entre o governo e os bancos, e servem apenas para destravar o empréstimo e reduzir os juros cobrados de quem financia.
Conheça o programa que inspirou a medida
A nova linha segue os passos do Move Aplicativos, programa lançado pelo governo para financiar veículos de motoristas de aplicativo e taxistas, com crédito de até R$ 150 mil por trabalhador.
Com a versão para entregadores, o Executivo amplia o alcance da política de crédito voltada aos profissionais que dependem de veículo próprio para gerar renda nas plataformas digitais. A diferença é que, no caso das motos, os valores envolvidos são menores e o público potencial é ainda maior.
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