CRIME: APROVADO projeto que prevê pena para quem discriminar políticos

Votação do projeto ocorreu de surpresa no final da noite desta quarta-feira (14). Texto ainda precisa ir ao Senado

Quando boa parte dos trabalhadores brasileiros já estava dormindo, a Câmara dos Deputados aprovou no final da noite desta quarta-feira (14) um projeto polêmico. O texto estabelece a criminalização da discriminação de pessoas “politicamente expostas”. Se aprovado, o documento pode criminalizar cidadãos que discriminam políticos, ministros do poder judiciário e até mesmo detentores de cargos comissionados.

Segundo analistas, o texto do projeto prevê punição até mesmo para as pessoas que discriminarem políticos que não mais ocupam cargos públicos relevantes, mas que chegaram a ocupar algum dia. Mesmo depois da aprovação na Câmara, o projeto ainda não está valendo de fato, de modo que o próximo passo é a votação no Senado Federal.

O texto foi aprovado por ampla maioria pela Câmara dos Deputados. O documento recebeu os votos favoráveis de 252 deputados federais, e apenas 163 votaram contra a medida. Como os parlamentares aprovaram a urgência poucos minutos antes, não existiu a necessidade de o documento passar pelas comissões.

Durante a votação, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) rebateu as críticas de que o texto não tenha sido discutido. Segundo ele, o tema foi debatido com afinco em um intervalo de apenas 24 horas. “Essa matéria foi pauta em discussão na reunião de colégio de lideres extensiva na terça-feira”, disse o presidente da Câmara.

Lira argumentou ainda que se o Congresso Nacional não tivesse aprovado o documento poderia “continuar permitindo que parlamentares sejam agredidos em aviões, nos hotéis e nas festas”, disse ele.

CRIME: APROVADO projeto que prevê pena para quem discriminar políticos
Arthur Lira defendeu aprovação do projeto. Imagem: Fabio Rodrigues/ Agência Brasil

O que diz o texto

A proposta em questão é de autoria da Deputada Federal, Dani Cunha (União Brasil-RJ). Ela é filha do ex-deputado federal Eduardo Cunha. O relator do projeto na Câmara dos Deputados foi Cláudio Cajado (PP-BA). Ele argumentou que a aprovação do documento na Câmara dos Deputados seria necessária.

“O preconceito, que se origina da prévia criação de conclusões negativas e intolerâncias injustificáveis quanto a certo conjunto de indivíduos, possui significativo potencial lesivo, na medida em que tem o condão de acarretar, em última análise, a violação de direitos humanos”, justificou o relator.

Entre outros pontos, o texto prevê pena de 2 e 4 anos, além de multa para quem

  • Colocar obstáculo para a promoção funcional a pessoas politicamente expostas, investigadas ou rés em processos que cabem recursos;
  • Negar a celebração ou a manutenção de contrato de abertura de conta corrente, concessão de crédito ou de outro serviço a alguém desses grupos.

Podem ser consideradas pessoas politicamente expostas:

  • ministros de Estado;
  • presidentes, vices e diretores de autarquias da administração pública indireta;
  • indicados para cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS), que são cargos comissionados, de nível 6 ou equivalente;
  • ministros do Supremo Tribunal Federal e de outros tribunais superiores;
  • o procurador-geral da República;
  • integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU);
  • presidentes e tesoureiros de partidos políticos;
  • governadores e vice-governadores;
  • prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.

Como cada partido votou no projeto

Curiosamente, os partidos que mais entregaram votos para a aprovação do texto em questão foram o PT, partido do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Veja abaixo como votou cada partido.

PL
NÃO: 44
SIM: 37

PT
SIM: 43
NÃO: 11

UNIÃO
SIM: 35
NÃO: 16

PSD
SIM: 23
NÃO: 11

MDB
SIM: 24
NÃO: 10

PP
SIM: 23
NÃO: 13

PSDB
SIM: 6
NÃO 6

PSB
SIM: 5
NÃO: 5

PDT
SIM: 10
NÃO: 4

PSOL
NÃO: 10

PCdoB
NÃO: 7

NOVO
NÃO: 3

Eficiência do Congresso Nacional

Na noite desta quarta-feira (14), o Congresso Nacional demonstrou uma eficiência não muito comum para aprovar esta matéria polêmica. Vale lembrar que há menos de uma semana, o mesmo poder legislativo conseguiu aprovar a Medida Provisória (MP) do Bolsa Família, mas não sem antes passar por um longo período de análise.

A MP do programa social esteve a poucas horas de caducar, e por muito pouco não perdeu  a validade. O Bolsa Família e o Auxílio-Gás nacional atendem pouco mais de 21 milhões de pessoas em todo o Brasil segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome.

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