O aplicativo Xiaohongshu, conhecido como “Instagram chinês”, ultrapassou 350 milhões de usuários ativos mensais em 2025 e passou a influenciar diretamente a maneira como turistas planejam viagens pela China, segundo análise da Qiangua.
A plataforma transformou a busca por destinos ao permitir que usuários compartilhem experiências em tempo real por meio de fotos, vídeos e transmissões ao vivo, criando roteiros personalizados a partir de recomendações.
O crescimento do Xiaohongshu também abriu oportunidades para empreendedores locais. Em pontos turísticos famosos, como o lago de Shichahai, em Pequim, fotógrafos profissionais passaram a oferecer serviços para visitantes interessados em registrar momentos compartilháveis na rede social.
Também chamado de RedNote fora da China e com uma estética semelhante à do Pinterest, o aplicativo ganhou ainda mais destaque após a migração de usuários americanos do TikTok diante da possibilidade de restrições ao aplicativo nos Estados Unidos.
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Como o Xiaohongshu impulsiona o turismo na China?
O fator principal é o potencial do Xiaohongshu de viralizar destinos até então pouco conhecidos. Localidades como Zibo, uma cidade industrial da província de Shandong, passaram a receber multidões interessadas em experimentar comidas típicas que apareceram em postagens viralizadas.
Uma das características que diferencia o Xiaohongshu de outras redes sociais é sua forte ênfase no conteúdo gerado por usuários: roteiros, experiências, dicas de alimentação e pontos “daka”, ou seja, paradas obrigatórias documentadas em imagens e relatos detalhados.
Viagens inteiramente planejadas com base em recomendações de outros usuários são comuns. Turistas relatam que até poses para fotos tradicionais, figurinos e sequências de passeios vêm do que está em alta nas postagens do Xiaohongshu — como exemplificado por Meng Jiaxuan à AFP, que preparou sua sessão de fotos e poses após buscar referências no aplicativo.
“Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu”, disse ela.
Disputa entre fotógrafos e o fenômeno dos “locais daka”
Os pontos turísticos presentes nas tendências do Xiaohongshu se tornaram palco para disputas comerciais criativas. No lago Shichahai, por exemplo, fotógrafos disputam turistas oferecendo ensaios rápidos e direcionados a posts em redes sociais. Concorrentes diferenciam seus serviços pela base de seguidores, preço e exposição na própria plataforma, chegando a ter dezenas de milhares de seguidores e variações nas tarifas.
Esse tipo de economia de influência levou fotógrafos como Li Geng, de 18 anos, a atuar atraindo clientes interessados em transformar seus passeios em registros profissionais com apelo viral.
Além da fotografia, comerciantes locais, restaurantes e atrações dependem cada vez mais do fluxo gerado por recomendações e saídas promovidas dentro do Xiaohongshu.

Imagem: Reprodução/ RedNote
Impactos da viralização
O Xiaohongshu impactou diretamente o turismo doméstico chinês: só em 2025, o país registrou recorde de 6,5 bilhões de viagens, crescimento de 16% comparado a 2024, reforçando a influência das redes na escolha de destinos e definição de roteiros fotográficos.
O consultor sênior de estratégia da Daxue Consulting, Ming Yii Lai, disse à AFP que a plataforma se consolidou como a principal fonte de inspiração para muitos viajantes mais jovens na hora de planejar destinos e experiências.
Ainda assim, o aplicativo solidificou seu papel como referência para viajantes e pequenas empresas explorarem novos mercados, tornando a experiência turística mais dinâmica.
Por que o Xiaohongshu também chama atenção fora da China?
O interesse global cresceu em 2025 após o anúncio de possível banimento do TikTok nos Estados Unidos. Isso ocasionou uma migração de usuários americanos, chamados de “refugiados”, para o RedNote, versão ocidental do Xiaohongshu disponível no exterior.
O público internacional da plataforma é composto principalmente por falantes de chinês de países como Malásia e Singapura, que buscam informações autênticas sobre cultura, lazer e gastronomia chinesa. Entre eles está o turista Ernest Phua, de Singapura, que usou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, encontrando roteiros e recomendações detalhadas em mandarim.
Na China, o perfil majoritário segue composto por mulheres jovens das cidades mais ricas, mas há crescente diversificação na composição demográfica dos usuários, ampliando o alcance da ferramenta.
Nas últimas semanas, o “Instagram chinês” voltou ao centro das atenções após informações de que a plataforma estaria se preparando, de forma confidencial, para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal.
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