Para cerca de 43% da população brasileira, a mudança do Bolsa Família para o Auxílio Brasil não deveria ter ocorrido. No entanto, 41% aprovam a mudança do Governo Federal.
Foi o que demonstrou uma pesquisa atual do Instituto Datafolha entre os dias 13 e 16 de dezembro. Na ocasião, então, 3.666 pessoas foram ouvidas em 191 municípios do país.
Dessa forma, estes números apontam um possível empate, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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Auxílio Brasil recebeu críticas dos entrevistados
Segundo ao instituto responsável pela pesquisa, as maiores críticas ao encerramento do programa Bolsa Família estão entre os apoiadores do PT e críticos do atual governo de Jair Bolsonaro.
Assim, a substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil foi encarada por muitos como uma estratégia política. Isto é, com o objetivo de tentar melhorar a imagem de Bolsonaro, depois de polêmicas sobre a pandemia de Covid-19.
Além disso, o Datafolha também mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma vantagem em relação a Bolsonaro para as próximas eleições. Nesse sentido, as pessoas de 16 a 24 anos e desempregados, por exemplo, estão entre mais reprovam o atual governo, com 13% e 16%, respectivamente.
Para tentar mudar estes números, então, além de substituir o Bolsa Família, a gestão atual também fornecerá um auxílio temporário de R$ 400 até o fim de 2022. No entanto, mesmo com essa ampliação, até o momento, Bolsonaro mantém a pior avaliação desde que assumiu presidência do Brasil, com uma reprovação de 53%.
Assim, a pesquisa mostra que Lula superaria Jair Bolsonaro (PL) em um possível segundo turno entre os dois candidatos por 72% a 21%.
Quem são estes participantes do Auxílio Brasil?
A pesquisa, ainda, demonstrou, em percentuais, as características deste grupo:
- O percentual de participantes do Auxílio Brasil é maior entre pessoas de 16 a 24 anos, com 28%.
- A maioria destes possuem ao menos o ensino fundamental, 31%.
- A renda familiar máxima da maioria é de até dois salários mínimos, ou seja, R$ 2.200, o que representa 32% de todos os beneficiários do programa.
- Moram na região Nordeste, 35%.
- Estão atualmente desempregados, 43%.
- São donas de casa, 44%.
Especialistas também criticaram o Auxílio Brasil
Diversos especialistas do setor de políticas públicas também já criticaram o formato atual do novo programa. Assim, estes falam sobre as inseguranças sobre a continuação do benefício após o pleito eleitoral do próximo ano.
Ademais, recentemente, um grupo de especialistas comentou sobre a desigualdade e a falta de equiparidade do benefício. Isto é, de forma em que famílias com apenas um membro recebem o mesmo valor que aquelas que possuem dois ou mais integrantes.
Desde a sua criação, o Auxílio Brasil se tornou um benefício cercado de questionamentos, além de articulações do governo para sua implementação.
Nesse sentido, muitos parlamentares e especialistas do setor econômico classificaram seu principal meio de financiamento, a PEC dos Precatórios, como uma forma do governo conseguir burlar o teto de gastos. Isto é, regra que limita o crescimento dos gastos públicos em relação a inflação.


