O prazo começou hoje, 23 de março, e vai até 29 de maio — mas um erro no preenchimento pode travar o pagamento da restituição por meses. Mais de 1,29 milhão de declarações foram retidas em malha fina em 2025. O número preocupa, mas a boa notícia é que a grande maioria dos problemas podem ser evitados com atenção e organização.
A declaração do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025) já está aberta, e a Receita Federal tem recursos cada vez mais avançados para cruzar dados. Bancos, empregadores, planos de saúde e imobiliárias enviam informações ao Fisco automaticamente. Se o que o contribuinte declara não bater com o que essas fontes informam, a declaração vai direto para análise.
Conhecer os erros mais comuns é o primeiro passo para entregar a declaração com segurança e garantir a restituição no prazo.
O que é a malha fina e quais são as consequências
A malha fina significa ter a declaração retida pela Receita Federal por inconsistências nos dados. As consequências vão desde o atraso na restituição até multa que pode chegar a 75% do valor do imposto devido.
No ano passado, 1.292.357 declarações foram retidas, o que corresponde a 2,8% do total de declarações recebidas pelo Fisco. Segundo a Receita, os principais motivos de retenção em 2025 foram: 32,6% por deduções de despesas médicas não comprovadas; 30,8% por omissão de rendimentos; 16,0% por deduções de outras despesas não comprovadas; e 15,1% por diferença entre os valores declarados e os informados pelas fontes pagadoras.
Os erros mais comuns na declaração do Imposto de Renda 2026
1. Omissão de rendimentos
Este é o erro que mais retém declarações. Rendimentos de aluguéis, trabalhos eventuais, aplicações financeiras, freelances e pensões precisam ser declarados, inclusive os valores de um emprego anterior deixado ao longo do ano-base.
A Receita cruza informações de empresas, bancos e imobiliárias, identificando facilmente essas omissões. Nem os valores menores escapam: o Fisco recebe os dados diretamente das fontes pagadoras.
2. Despesas médicas incorretas ou não dedutíveis
Despesas com saúde lideram os motivos de malha fina. O problema está tanto em declarar valores diferentes dos recibos quanto em informar gastos que não são dedutíveis.
O que não pode ser deduzido
Segundo o contador Richard Domingos, da Confirp, despesas com massagista, nutricionista, enfermeiros particulares, compra de óculos, medicamentos e vacinas não são dedutíveis, a menos que estejam incluídas na conta de uma unidade de saúde.
Além disso, só é possível abater despesas médicas de terceiros se eles estiverem declarados como dependentes. Pagamentos feitos para pessoas fora da declaração não são aceitos.
Receita Saúde: atenção redobrada em 2026
Neste ano, pela primeira vez, a Receita conseguirá cruzar 100% das despesas médicas declaradas pelos contribuintes com os dados compartilhados via Receita Saúde, um recibo eletrônico de prestação de serviços de saúde obrigatório. Isso significa que qualquer valor que não conste nesse sistema pode ser questionado.

3. Dependentes declarados de forma incorreta
Incluir um dependente que já consta em outra declaração gera inconsistência imediata. Outro erro frequente é esquecer de informar os rendimentos dos dependentes — como salários de estágio de filhos ou aposentadoria de pais.
Ao incluir um dependente na declaração, é obrigatório informar todos os rendimentos que ele tenha recebido, como salários de estágio, bolsas de estudo ou pensões. Muitos contribuintes declaram o dependente para obter a dedução, mas se esquecem de sua renda.
4. Aluguéis não declarados
Muitos proprietários não sabem que o aluguel é renda tributável. Quando pago por empresa ou administradora, entra como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Se vier de pessoa física, deve constar na ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior.
Locadores que receberam mais de R$ 2.259,20 por mês devem preencher mensalmente o Carnê-Leão, o sistema de recolhimento obrigatório do Imposto de Renda.
5. Confusão entre PGBL e VGBL
As contribuições para um PGBL podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto, até o limite de 12% da renda bruta tributável anual. Já o VGBL não permite essa dedução. Trocar um pelo outro leva a uma declaração incorreta.
6. Ganhos com apostas esportivas (bets)
Contribuintes que obtiveram rendimentos com apostas de quota fixa (bets) superiores a R$ 28.467,20 deverão declarar os valores no IRPF 2026. A tributação desses ganhos segue alíquota de 15% sobre o prêmio líquido. Além disso, saldos em plataformas acima de R$ 5 mil em 31 de dezembro de 2025 também precisam ser informados.
7. Erros de digitação e incompatibilidade patrimonial
Equívocos simples, como inversão de números ou posicionamento incorreto de vírgulas, podem gerar diferenças relevantes e levar à retenção. Quando a renda declarada não acompanha a evolução do patrimônio ou do padrão de vida, o sistema da Receita identifica o descompasso automaticamente.
Como evitar a malha fina: dicas práticas
Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, organização ao longo do ano é a chave para uma declaração tranquila. Veja as principais recomendações:
- Organize os documentos durante o ano, não apenas na época da declaração
- Confira se os informes de rendimentos batem com os valores que serão declarados
- Guarde recibos e comprovantes por no mínimo cinco anos
- Evite preencher com base apenas na memória
- Revise as informações com antecedência para corrigir inconsistências
- Busque orientação de um contador em casos de rendas variadas ou patrimônio relevante
- Utilize a declaração pré-preenchida, que já importa diversas informações diretamente da base de dados do governo — mas a conferência de todos os dados ainda é indispensável
O que fazer se a declaração for retida
Para saber se a declaração está retida, o contribuinte deve acessar o e-CAC, ir em “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)” e verificar a seção “Pendências de malha”.
Caso a declaração seja retida, ainda é possível regularizar a situação por meio de declaração retificadora, desde que o erro seja identificado e as informações corretas sejam apresentadas. Quanto antes o problema for tratado, menores são os riscos de multa.
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