Ligações indesejadas continuam atingindo milhões de consumidores no Brasil em 2026, mesmo com sistemas como o “Não Me Perturbe” e o novo “Origem Verificada”, segundo dados da Anatel e da ABR Telecom.
O bloqueio de chamadas indevidas é tema de disputas entre empresas de telefonia, operadoras e órgãos reguladores, refletindo limitações técnicas e mudanças regulatórias que afetam o cotidiano dos usuários. Enquanto o “Origem Verificada” já autenticou 6,6 bilhões de ligações só em junho, a obrigatoriedade total fica para 2028, deixando os consumidores expostos a práticas abusivas e chamadas anônimas até lá.
Consumidores têm acesso a plataformas para bloqueio e identificação, mas empresas podem driblar sistemas usando técnicas como spoofing numérico, dificultando a eliminação completa desse tipo de contato. O cenário revela tanto avanços quanto desafios de erradicar ligações indesejadas no país.
Como funcionam os sistemas de bloqueio de chamadas?
O sistema “Não Me Perturbe” permite cadastrar números para bloquear ligações de telemarketing de operadoras e 74 instituições financeiras, com início do bloqueio em até 30 dias após o cadastro.
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QUERO ENTRAR AGORA →Apesar do alcance, nem todas as ligações são filtradas, porque empresas burlam as regras e golpistas ignoram o cadastro. O consumidor pode registrar seu número no site oficial do Não Me Perturbe e acionar a medida via internet gratuitamente.
O serviço cobre obrigatoriamente o setor de telefonia e bancos aderentes, mas falha ao barrar chamadas ilegais ou de empresas que atuam à margem dos sistemas oficiais. Como resultado, bloqueios dependem tanto do comprometimento das empresas quanto do monitoramento pelo usuário.
Por que tantas ligações indesejadas ainda acontecem?
A adulteração de números telefônicos, conhecida como “spoofing numérico”, permite que call centers mascarem suas ligações e fujam dos bloqueios e do rastreamento por operadoras.
Esse artifício acontece quando sistemas VoIP são utilizados para alterar o número de origem, passando a impressão de que a ligação é de uma linha comum. Isso confunde dispositivos e sistemas antispam, dificultando a identificação automática de robocalls e fraudes.
Além disso, as chamadas em massa, principalmente automáticas e sem agentes reais, são usadas para testar quais números estão ativos. Nessas ligações, o consumidor atende e não ouve ninguém, pois assim que uma pessoa responde, outras ligações paralelas são encerradas no sistema do call center, deixando as demais linhas mudas.
Como as empresas de telefonia atuam para bloquear ligações indesejadas?
Empresas como Vivo, Claro, TIM e Algar já fazem parte do projeto “Origem Verificada”, que autenticou 6,6 bilhões de ligações em junho de 2026, mas o bloqueio integral depende de adesão plena a partir de outubro de 2028.
O sistema utiliza o protocolo internacional STIR/SHAKEN, que confere em tempo real a origem da chamada. Quando implementado, garante que o número exibido no celular corresponde a uma empresa legítima participante da rede validada pela ABR Telecom.
A Anatel exige que empresas que façam mais de 500 mil ligações mensais já participem da iniciativa. Contudo, o bloqueio geral de todas as empresas só será realidade em 2028, deixando espaço para reclamações e disputas acerca de derrubadas de chamadas potencialmente válidas.
Quais recursos o consumidor pode usar para se proteger?
Consumidores podem adotar medidas adicionais, como uso de apps de bloqueio, ativação de funções antispam nativas nos celulares e registro de reclamações direto na Anatel, caso as ligações persistam.
Em aparelhos Android, o recurso “Proteção ID” ou “Spam” pode ser ativado nas configurações do telefone. Já em iPhones com iOS 18.2 ou superior, existe a função “Perguntar motivo da ligação”, que redireciona chamadas para um robô filtrador. Aplicativos como Whoscall e Truecaller melhoram a identificação, bloqueiam ligações e podem ser baixados pelas lojas oficiais do sistema.
Outra alternativa é bloquear chamadas de números não salvos, embora isso eleve o risco de perder contatos importantes ou ligações legítimas. Reclamações à Anatel podem ser feitas na plataforma oficial da agência para reforçar ações de combate.
O que muda com a Origem Verificada?
A partir de outubro de 2028, todas as empresas que ligam para consumidores deverão autenticar suas chamadas no sistema “Origem Verificada”, sendo que a exibição do nome e logo da empresa será opcional.
O protocolo de verificação será obrigatório para ligações originadas por empresas, robustecendo o combate ao spoofing e chamadas fraudulentas. Atualmente, 63 operadoras já participam e é esperado que metade das ligações de empresas esteja autenticada na virada do prazo final.
Algumas funções, como exibir nome e logotipo, exigem aparelhos com Android 11 ou superior, iPhone com iOS 18.2, rede 4G ou 5G, e são gratuitas para clientes. O consumidor pode consultar o nome e CNPJ de quem realizou ligações suspeitas utilizando a plataforma Qual Empresa Me Ligou.
Panorama e perspectivas sobre ligações indesejadas no Brasil
Mesmo com avanços como o “Não Me Perturbe” e as medidas da Anatel, estimativas apontam que bilhões de chamadas não solicitadas ainda são feitas todos os meses, exigindo atualização constante dos sistemas e fiscalização.
O período de transição até 2028 será marcado por conflitos entre operadoras, pressão por parte das empresas que se sentem prejudicadas por bloqueios de chamadas legítimas e ajustes regulatórios do órgão público. Bancos de dados de autenticação crescerão a cada ano, buscando inibir fraudes e proteger os consumidores.
A expectativa é que o consumidor brasileiro, cada vez mais consciente e munido de tecnologia, reduza progressivamente o impacto das ligações indesejadas, mas a adesão massiva e a atualização da legislação são elementos críticos para o sucesso definitivo no combate ao problema.
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