AUXÍLIO EMERGENCIAL: FMI revela que benefício deveria ter custado menos que R$600

Por meio de uma nota técnica, FMI disse que o Governo poderia ter ajudado a população gastando menos com o Auxílio

O Auxílio Emergencial do Governo Federal poderia ter custado menos. Ao menos esta é a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). Por meio de uma nota técnica, a organização disse que o poder executivo poderia ter protegido a população durante a pandemia do coronavírus em 2020, gastando 50% menos do que o montante que de fato foi gasto.

“Os benefícios eram três vezes maiores do que o benefício social padrão e mais da metade do salário mínimo nacional”, diz o FMI no relatório Monitor Fiscal. Este é o documento que analisa a situação das contas públicas dos países-membros. O documento foi oficialmente publicado nesta quarta-feira (12), e já está causando certa repercussão.


O Auxílio Emergencial do Governo Federal foi pago entre os anos de 2020 e de 2021. Os valores variaram de acordo com o período. Nos primeiros cinco meses, por exemplo, o poder executivo pagava R$ 600 por usuário, e as mães solteiras recebiam R$ 1,2 mil por mês. Dados do Ministério da Cidadania estimam que quase 70 milhões conseguiram receber o saldo.

Durante reunião em Washington, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, elogiou a atuação do Governo Federal durante a pandemia. “O antigo Bolsa Família foi elevado de R$ 180,00, R$ 190,00, para R$ 600,00. É mais do que três vezes”, disse o chefe da pasta econômica. Ele disse ainda que o Governo tem “muito orgulho dos gastos” que realizou na pandemia.

“Eu acho interessantíssimo isso. Quer dizer, há seis meses estava todo mundo falando que os brasileiros estão passando fome, e aí o FMI diz que o gasto poderia ser menor”, seguiu o Ministro. “O FMI tem de falar menos besteira e trabalhar um pouco mais para alertar os americanos, os europeus, né?”, completou.

Fraudes no Auxílio Emergencial

Se há um ponto que o Governo Federal concorda com o FMI, é o que aponta que as fraudes no Auxílio Emergencial poderiam ter ajudado a diminuir os gastos com o programa. Hoje, membros do poder executivo admitem que o dinheiro poderia ter sido melhor fiscalizado neste sentido.

Mesmo um ano depois do fim dos pagamentos do Auxílio Emergencial, o fato é que a Polícia Federal (PF) ainda segue realizando operações para tentar punir quadrilhas que atuaram nas mais diversas frentes em inúmeras fraudes nas liberações.

Em meados de setembro, por exemplo, a Polícia Federal (PF) realizou uma operação contra fraudes em programas sociais como Auxílio Brasil, Auxílio Emergencial e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Segundo as informações oficiais, apenas um grupo teria causado um prejuízo milionário depois de falsificar uma série de documentos.

A PF informou que os criminosos são especializados em fraudar registros como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a Carteira de Identidade Nacional (CIN). A Caixa Econômica Federal teria sido a maior prejudicada com a ação do grupo.

Assim como este caso, outros se somam e o prejuízo estimado já chegou na casa dos bilhões. Ao menos é o que indicam as análises de instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).

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