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Instagram: recurso de localização em tempo real acende alerta e pode levar Meta à investigação

Segundo a Meta, a funcionalidade ficou "acidentalmente acessível" na última semana

Por Quézia Andrade· 4 min de leitura
Pessoa usando o Instagram em um celular sobre uma mesa com ícones da rede social, em contexto de debate sobre localização em tempo real e proteção de dados.

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Na última quarta-feira (10), usuários brasileiros do Instagram foram surpreendidos com a ativação inesperada de uma ferramenta de compartilhamento de localização em tempo real. A repercussão, porém, ganhou força na sexta-feira (12), quando a ONG Ctrl+Z solicitou ao Ministério da Justiça a abertura de uma investigação contra a Meta, classificando a liberação do recurso como “acidental”.

Antes disso, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) já havia acionado o Ministério Público, pedindo a suspensão imediata da nova funcionalidade. Em nota oficial, a Meta afirmou que o recurso não deveria estar disponível no Brasil.

“O Mapa do Instagram não está atualmente disponível nesta região. A funcionalidade ficou acidentalmente acessível e já foi desligada. Usuários no Brasil não podem mais acessar ou compartilhar sua localização no Mapa do Instagram”, declarou a empresa.

Como funcionou o Mapa do Instagram?

Ao acessar o recurso no Instagram, era possível determinar o nível de privacidade e com quem a localização seria compartilhada. No entanto, um dos pontos destacados por críticos foi que, uma vez ativado, o compartilhamento permanecia em vigor até ser manualmente cancelado. Mesmo ao tentar desativar, o aplicativo questionava o tempo para pausar a função e, expirado o prazo, ela era reativada automaticamente, salvo escolha específica para desativação permanente.

Além disso, relatou-se que desabilitar o GPS do dispositivo não impedia o compartilhamento via Mapa do Instagram. O menu de configurações foi considerado confuso tanto por usuários quanto por autoridades, podendo induzir decisões contrárias ao interesse do titular dos dados.

Riscos apontados por entidades e autoridades

A ONG Ctrl+Z destacou no pedido de investigação que o design da ferramenta se fundamenta em práticas negativas identificadas por autoridades regulatórias como dark patterns — estruturas visuais e de usabilidade que incentivam escolhas desfavoráveis ao usuário.

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Tanto a ONG quanto a deputada Erika Hilton destacaram que a Meta não seria inocentada alegando acidente, mas deveria responder por eventuais falhas de governança ou compliance em proteção de dados pessoais.

“Queremos que a empresa responda uma série de questionamentos importantes: Quem autorizou esse lançamento? Quantas pessoas acionaram a função? Quantas crianças e adolescentes utilizaram a funcionalidade? São perguntas que as autoridades devem fazer e que esperamos que sejam respondidas”, disse o diretor de litigância da Ctrl+Z, Luã Cruz, em comunicado.

Pessoa segura celular com a tela inicial do Instagram aberta, com notebook ao fundo, em contexto de discussão sobre privacidade digital e compliance nas redes sociais.
Recurso inesperado do Instagram amplia discussões sobre privacidade digital e regras de compliance para redes sociais no Brasil.
Imagem: Freepik

A funcionalidade e seus antecedentes nos Estados Unidos

O chamado Mapa do Instagram já havia sido lançado nos Estados Unidos anteriormente, o que provocou rápida manifestação de procuradores-gerais de 37 estados, preocupados com impactos relativos à segurança pública e à privacidade, conforme comunicado enviado à liderança do Instagram em sua versão internacional. Esses episódios serviram de alerta às autoridades brasileiras, que destacaram o risco concreto de uso indevido, como perseguição, stalking, violência doméstica e monitoramento indevido de vítimas.

Segundo as entidades, a Meta tinha ciência dos problemas enfrentados pelo Snapchat com recurso similar, chamado Snap Map, e mesmo assim optou pela liberação temporária do mapa interativo no Brasil. O argumento é que a decisão de tornar disponível um mecanismo de localização instantânea aconteceu com conhecimento prévio de riscos concretos já documentados em casos anteriores.

Implicações legais e possíveis investigações

A Ctrl+Z aponta que a relação entre Instagram e seus usuários deve ser regida por normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Mesmo que o serviço seja gratuito, há uma relação de consumo devido aos benefícios indiretos obtidos pela plataforma.

Além disso, possíveis violações à Constituição Federal, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Marco Civil da Internet, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e legislação digital também são levantadas nos pedidos formais de apuração.

Para a ONG Ctrl+Z, “a justificativa de acidente não isenta a big tech, mas evidencia falhas estruturais de governança e compliance, configurando possível negligência na proteção de dados pessoais”.

Desdobramentos

Com a repercussão do episódio, órgãos como Secretaria Nacional de Direitos do Consumidor (Senacon) e Secretaria Nacional de Direitos Digitais receberam solicitações para examinar a atuação da Meta e a segurança dos dados dos usuários. As entidades cobram transparência e prestação de contas, sobretudo no que se refere à exposição de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes.

A expectativa é que as investigações apontem responsabilidades, bem como atualizem as exigências de conformidade para plataformas digitais que ofereçam serviços sensíveis envolvendo informações de localização ou outros dados pessoais.

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Quézia Andrade

Escrito por

Quézia Andrade

Biomédica CRBM2 nº 17394. Redatora especialista de conteúdos de Estética, Nutrição e Concursos Públicos do grupo Sena Online.

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