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Professores da educação infantil são contratados para dar aula em casa na pandemia

Famílias procuram professores particulares para que filhos tenham acompanhamento domiciliar

Com as aulas presenciais suspensas há mais de três meses nas escolas, famílias estão contratando professores de educação infantil para que os filhos tenham acompanhamento em casa durante a pandemia do coronavírus. Ainda que as crianças estudem em colégios particulares que continuam com atividades remotas, os pais recorreram a professores que dão aulas individualmente para ajudar os filhos a fazerem lições e aproximá-los do ambiente escolar.

“Percebi que não adianta eu querer ser tudo: mãe, médica e professora. Meu filho estava com muita dificuldade de acompanhar as aulas e ficava irritado. Não posso desgastar minha relação com ele, mas também não posso deixar que ele fique sem estudar”, conta a médica Cristina Marino, 40.

Ela diz que o menino chorava na hora de fazer as lições do colégio em que estuda, no Morumbi, zona sul de São Paulo. “Vi que a situação estava muito ruim quando o encontrei atrás do sofá rezando e pedindo para que não tivesse que estudar.”

A família decidiu contratar uma professora para acompanhá-lo em casa 2 vezes por semana. Com experiência em educação infantil, Gislene Santos, 35, ajuda o menino a fazer as tarefas da escola e também propõe novas brincadeiras.

“Eu nunca tinha dado aula particular, mas, com a pandemia, vi que havia uma demanda dos pais por essa ajuda já que muitos não estão conseguindo conciliar o home office e fazer as atividades escolares com os filhos”, conta a professora, que estava desempregada desde o início do ano.

Gisele dá aula em casa para cinco alunos, todo com 5 ou 6 anos. Para ela, nessa faixa etária, os pais têm dificuldade em fazer com que as crianças se interessem pelas atividades remotas. “Eles estavam começando a se alfabetizar, ainda não estavam tão acostumados com o ambiente escolar e, por isso, não conseguem estudar sem o auxílio de uma professora.”

Ela diz que usa máscara durante todo o tempo das aulas e só utiliza material descartável. Das cinco casas que frequenta, em três as crianças ou um dos pais já tiveram coronavírus. “Eu tive receio de começar as aulas, mas estou tomando todos os cuidados. Além disso, todas essas famílias estão com babás ou outros funcionários trabalhando em casa”, conta. Cada aula, com uma hora de duração, custa entre R$ 80 e R$ 100

Mariana Andrade, 33, começou a dar aulas de reforço de inglês online para alguns alunos, até que os pais insistiram para que ela fosse pessoalmente às casas para ensinar crianças de 3 a 5 anos. Ela está trabalhando como professora particular para 23 famílias.

“Os pais argumentam que as crianças estão cansadas das aulas online e eles estão preocupados com a defasagem no aprendizado, mas também querem ocupar o tempo dos filhos com algo que não seja só videogame ou televisão”, diz.

A professora conta que tem medo da exposição ao vírus por ir em muitas casas, mas aceitou dar às aulas depois de a empresa do marido ter fechado. “Dou aula de máscara, mas o contato com crianças dessa idade é inevitável. E nenhuma dessas famílias está isolada, todas continuam com funcionários e babás”, conta.

Na última semana, ela teve de cancelar todas as aulas após ser informada que a mãe de uma das crianças testou positivo para coronavírus. “Fiz o teste e vou esperar o resultado para saber se posso continuar dando as aulas.”

Para especialistas, a educação infantil é uma das etapas que mais sofrem com a pandemia, com a dificuldade de manter as atividades pedagógicas de forma remota, muitos pais desmatricularam os filhos das escolas e professores foram demitidos ou tiveram os salários reduzidos.

“São professores que já recebiam salários muito baixos e foram demitidos ou tiveram redução de até 70% dos salários. Há um abandono desses profissionais, que não receberam nenhuma ajuda do Estado ou dos empresários da educação. Por isso, é natural que recorram a essas alternativas”, diz Maria Márcia Malavasi, professora da Faculdade de Educação da Unicamp.

Segundo estimativa da Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares), até 300 mil professores foram demitidos com a pandemia, a maioria na educação infantil.

Para a pedagoga Mônica Gardelli, que trabalhou na Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, o risco à saúde das crianças e dos profissionais deveria ser considerado pelas famílias que optam por esse serviço.

“A educação infantil vai muito além da relação do professor com o aluno. Essa etapa se caracteriza pelo aprendizado social, pela convivência com outras crianças. Além disso, o possível ganho pedagógico não deveria se sobrepor à saúde.” Fonte: Folha de S.Paulo

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