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Alunos mais pobres da rede pública dizem que a bagunça atrapalha a aprendizagem

Pesquisa realizada pela Fundação Roberto Marinho ouviu mais de 1.500 alunos de escolas públicas

A bagunça em sala de aula é o maior problema para a aprendizagem para 78% dos alunos das classes mais pobres da rede pública de ensino. O dado é da pesquisa Juventudes, Educação e Projeto de Vida, publicada na terça-feira (21).

“Quase 80% dos alunos dizem que a bagunça é sua principal barreira de aprendizado. Questões de infraestrutura, de formatos de aula e postura do professor aparecem em níveis muito menores, e sempre como segunda resposta [em relação ao problema de aprendizagem]”, informa o texto do relatório.

Realizada pela Fundação Roberto Marinho (FRM) em parceira com a instituição Plano CDE, a pesquisa ouviu antes da pandemia do coronavírus no Brasil 1.510 alunos de 14 a 19 anos, de escolas públicas e pertencentes às classe C, D e E, a fim de entender como o aluno se relaciona com a internet, o aprendizado na escola e os motivos da evasão escolar.

“Nossa intenção era ouvir os alunos mais vulneráveis de escola pública”, explica Rosalina Soares, coordenadora do estudo. “Além disso, 80% dos jovens da escola pública são das classes C, D e E”.

Soares destaca que a bagunça também aparece como um fator de risco para o aluno a abandonar a escola. “Vimos que a bagunça dobra a chance do aluno que vive nesse clima ruim escolar de abandonar os estudos”, diz a coordenadora do estudo.

Tanto bagunça, como conflitos entre professores e alunos têm como efeito, de acordo com o texto da pesquisa, de “uma sensação de mal-estar por ir à escola”.

Segundo Soares, uma das conclusões do estudo é que, ao contrário do que muitos pensam, alunos das escolas públicas querem aulas mais organizadas, com mais participação e escolas mais acolhedoras, com mais espaço para conversar e tirar dúvidas.

Entre os dados encontrados pela pesquisa referentes aos alunos C, D e E da rede pública, aparecem:

  • Alunos com baixo rendimento escolar têm o dobro de chances de abandonarem os estudos
  • Quanto menor a escolarização dos pais, mais desesperançosos os alunos se sentem em relação ao próprio futuro
  • Mais da metade acha que a escola não é espaço para escuta de seus problemas pessoais
  • Falta de acolhimento na escola aumenta em 50% as chances de abandono escolar

‘Ninguém para conversar’

Um dos pontos chave da pesquisa foi entender como se dá a evasão escolar entre os jovens. A interferência dos problemas pessoais na vida escolar e falta de apoio – dentro e fora da escola – foram os principais motivos para abandonarem ou pensarem em abandonar os estudos. “Os jovens nos mostraram que a evasão escolar não acontece de repente, ela vai sendo construída ao longo de um período”, diz Soares.

 Em resumo, os resultados mostraram que:

  • 23% já pensaram ou já abandonaram a escola em algum momento da aprendizagem
  • 5 em cada 10 jovens que abandonaram a escola por algum período, mas regressaram, não foram procurados por ninguém para retornar à escola
  • 46% dos que abandonaram de vez a escola não foram procurados por ninguém quando começaram a faltar nas aulas
  • Para 45% dos alunos que já interromperam os estudos, a escola não os acolheu quando tiveram problemas pessoais

Breno Barlach, que também coordenou a pesquisa, ressaltou dados que evidenciaram o isolamento e solidão dos jovens C, D e E. “12% desses jovens responderam que não têm ‘ninguém’ conversar sobre planos para o futuro e 17% não têm ‘ninguém’ para falar sobre problemas pessoais”, afirma Barlach.

 

Sonho: estudar

Um dos dados que mais chamou a atenção de Barlach foi em relação ao sonho desses jovens. “Quando perguntamos: ‘qual o seu sonho?’, 60% responderam que o sonho deles é concluir os estudos”, conta o pesquisador.

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“É uma injustiça pensar que para esses jovens terminar os estudos é um sonho. Não quer dizer que eles necessariamente vão alcançar esse sonho. Terminar os estudos deveria ser um direito, não um sonho para esses jovens”, afirmou Barlach durante o lançamento do relatório. *As informações são do G1

 

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