Seis dos 47 candidatos não negros eliminados do concurso para diplomata do Itamaraty eram beneficiários do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco (IRBr), que concede uma bolsa-prêmio, no valor de R$ 25 mil, destinada ao custeio de estudos preparatórios ao concurso de admissão à carreira de diplomata para pessoas que se autodeclaram negras.
No edital para seleção da bolsa, publicado em junho do ano passado, constava que o programa tem “como objetivo ampliar as oportunidades de acesso aos quadros do Ministério das Relações Exteriores e incentivar e apoiar o ingresso de negros na carreira de diplomata”. Exigia também que, após aprovação em uma prova objetiva, os candidatos convocados enviassem formulário de inscrição datado e assinado, com uma foto 3×4 atual, e redação sobre a experiência pessoal como negro e motivos para querer ser diplomata. Previa, ainda, entrevista técnica, realizada por comissão interministerial, como etapa de caráter eliminatório e classificatório.
“Minha filha não consegue mais se concentrar nos estudos. Ela passou por uma entrevista para conseguir a bolsa. Não faz sentido que, agora, não a considerem uma pessoa negra”, desabafou o pai de uma das candidatas que recebeu a bolsa de incentivo, mas foi eliminada pela Comissão de Verificação do Itamaraty.
“A Educafro tem plena certeza de que a comissão anterior (que a selecionou para a bolsa) não tinha os elementos suficientes que hoje temos para garantir a qualidade na seleção”, afirmou o diretor-executivo da ONG de inclusão raciais, Frei David Santos.
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QUERO ENTRAR AGORA →No total, 112 pessoas se inscreveram para concorrer às seis vagas reservadas para cotas raciais no concurso para diplomata. Além dos que foram eliminados pela comissão, 12 candidatos não compareceram à entrevista. Cabe recurso contra a decisão provisória da Comissão de Verificação. O Itamaraty não se posicionou sobre a eliminação de candidatos que usufruíram de bolsas de estudo para negros. Após resultado definitivo, o concurso seguirá para a segunda fase.
Em carta aberta ao Instituto Rio Branco, ligado ao Itamaraty, a Educafro parabenizou pelo “bom trabalho” do Comitê Gênero e Raça no “combate às fraudes no acesso às cotas para negros”. O documento menciona que “o fato de alguns candidatos terem recebido bolsas do Itamaraty para estudar para o concurso, não obriga que a atual banca do certame siga os critérios da que liberou a bolsa, uma vez que aquela tinha a missão de garantir representatividade regional e de gênero”. A Educafro avaliará a possibilidade de processo contra os fraudadores após o resultado definitivo.
As informações são do Correio Web







