Um candidato de 28 anos foi detido em flagrante ao tentar fraudar o concurso de auditor fiscal da Receita Estadual de Goiás, realizado em 17 de março, em Goiânia, onde mais de 23,5 mil pessoas concorriam a 75 vagas.
Segundo a Polícia Civil e a Fundação Carlos Chagas, responsável pela aplicação, o esquema envolvia uso de celular escondido no banheiro para fotografar questões e repassar à esposa, que utilizava o ChatGPT para buscar respostas e reenviá-las via WhatsApp.
Ambos responderam por crime de fraude em concurso público, sendo liberados após pagamento de fiança definida segundo suas condições financeiras, conforme registro policial e critérios da lei penal vigente.
Os envolvidos foram eliminados do certame e a organização do concurso reiterou que o episódio não comprometeu o processo, já que todos os protocolos de segurança previstos em edital foram seguidos.
Como funcionava o esquema de fraude identificado pela fiscalização
Segundo reportagem do Portal 6, a investigação apontou que o candidato foi visto indo repetidas vezes ao banheiro durante o segundo turno da prova. No local, ele teria utilizado o espaço para ocultar um aparelho celular preso atrás do vaso sanitário com fita dupla face. O equipamento foi posteriormente localizado por fiscais, com auxílio de um detector eletrônico.
Enquanto simulava uso comum do banheiro, ele escondia o caderno de questões na roupa e deixava o cartão-resposta sobre a mesa para não levantar suspeitas. As questões eram então fotografadas e enviadas à esposa em Jaraguá, município do interior goiano.

Imagem: Reprodução/Portal 6
Do outro lado, a esposa consultava respostas com auxílio do ChatGPT e devolvia rapidamente os supostos gabaritos para o WhatsApp do marido, permitindo o preenchimento do cartão-resposta antes do término do exame.
Atuação da Polícia Civil, detalhes da identificação e prisão dos suspeitos
Após a localização do celular, os fiscais isolaram o banheiro e perceberam movimentação atípica do candidato, que permanecia períodos excessivos fora da sala. Durante a abordagem, na mochila do suspeito, foi encontrada uma capa compatível com o aparelho recuperado. Ele admitiu participação no esquema no próprio local.

Imagem: Reprodução/Portal 6
Paralelamente, a esposa do candidato foi identificada e abordada pela Polícia Civil na rodoviária de Anápolis, logo após desembarque de um ônibus. Ela confessou envolvimento, forneceu a senha do celular utilizado na operação e detalhou o planejamento junto do marido, motivado por dificuldades econômicas.
O casal foi autuado e teve fianças estabelecidas: inicialmente três salários mínimos (R$ 4.863), posteriormente reduzida para um salário mínimo (R$ 1.621) conforme condição comprovada. Ambos foram liberados após pagamento desse valor.
Implicações legais e resposta da Fundação Carlos Chagas
A Fundação Carlos Chagas confirmou a eliminação definitiva do candidato com base no item 7.20 do edital. O documento prevê a exclusão de participantes flagrados usando recursos ilícitos, aparelhos eletrônicos ou comunicando-se com terceiros durante a realização da prova.

Imagem: Reprodução/Portal 6
Em nota ao Portal 6, a FCC ressaltou seu compromisso com a segurança e integridade dos concursos sob sua responsabilidade. Destacou que monitoramento e protocolos como uso de detectores de metal e envelopes lacrados para eletrônicos foram seguidos à risca durante todo o processo.
A Secretaria da Economia de Goiás classificou o fato como episódio isolado e assegurou que a lisura da seleção permanece inquestionada, amparada pelos rigorosos procedimentos adotados para evitar qualquer fraude ou favorecimento indevido.
O que diz a legislação sobre fraudes em concursos públicos
A legislação penal brasileira prevê punições severas para quem frauda certames, com autuação tipificada como crime de fraude em concurso público. A detecção de esquemas sofisticados, que envolvem tecnologia ou inteligência artificial, representa um desafio crescente para as bancas organizadoras e reforça a necessidade de constante revisão de medidas de segurança.

Imagem: Reprodução/Portal 6
A exclusão do certame é automática ao constatar uso de meios ilícitos durante a avaliação, protegendo a equidade entre todos os candidatos. O objetivo é garantir a confiabilidade dos concursos, base para a seleção transparente de servidores públicos.
Protocolos de segurança em concursos públicos e novos desafios
Com os avanços tecnológicos, bancas como a FCC reforçam o uso de detectores eletrônicos, inspeção contínua de ambientes sanitários, coleta e lacre obrigatório de dispositivos eletrônicos. O episódio em Goiás evidencia a adaptação de fraudes a novas tecnologias e exige atualização permanente dos métodos de fiscalização.
A atuação coordenada entre fiscais, polícia e tecnologia permite identificar tentativas de violação das regras e agir com rapidez, protegendo candidatos regulares e a lisura dos concursos.
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