Quase mil produtos com tarifa zerada — e o seu próximo celular pode estar na lista. O governo federal anunciou, em 26 de março de 2026, a isenção do imposto de importação para 970 itens de Bens de Capital e de Informática e Telecomunicações (BIT), decisão que inclui smartphones, notebooks e componentes tecnológicos.
A medida foi tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) e abrange produtos sem fabricação nacional equivalente ou com oferta interna insuficiente.
Para quem estava esperando uma boa hora para trocar de aparelho ou adquirir um equipamento novo, o cenário acaba de mudar — mas o preço final ainda depende de outros fatores que vale entender.
O que o governo decidiu sobre o imposto de importação?
O Gecex/Camex deliberou pela redução a zero do imposto de importação para quase mil produtos, com foco em itens que não possuem produção nacional equivalente ou cuja oferta interna é insuficiente para atender ao mercado.
A medida foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e integra um conjunto de ações adotadas desde 2023 para estimular a economia, reduzir custos e ampliar o acesso da população a bens e serviços.
O que mudou em relação às tarifas anteriores
Dos 970 itens beneficiados, 191 representam uma reversão direta de aumentos tarifários aplicados em fevereiro de 2026, quando o governo havia elevado as taxas sobre eletrônicos como smartphones e notebooks. Segundo analistas do setor, a mudança de posição ocorreu após forte reação negativa do mercado e dos consumidores, levando à retomada das alíquotas zeradas para produtos considerados sensíveis ao bolso da população.
Imposto de importação zerado: quais eletrônicos foram incluídos?
Na lista de redução a zero estão 970 itens de Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT), que englobam máquinas industriais, componentes tecnológicos e equipamentos de comunicação.
Entre os produtos do segmento de tecnologia que passam a ter tarifa zerada estão:
- Smartphones e componentes para fabricação de celulares
- Notebooks e computadores portáteis
- Componentes eletrônicos e semicondutores
- Equipamentos de telecomunicação sem produção nacional equivalente
O que mais entrou na lista de isenção
Além dos eletrônicos, a lista abrange outros setores:
- Medicamentos para tratamento de diabete, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia
- Fungicidas e inseticidas para controle de pragas na agricultura, além de insumos para a indústria têxtil, lúpulo para fabricação de cerveja e produtos usados em nutrição hospitalar
Por que o governo zerou o imposto de importação agora?
A justificativa oficial indica que a medida busca atacar um “gargalo histórico” da indústria brasileira. Com a redução das tarifas sobre bens sem produção nacional equivalente, a expectativa é que investimentos sejam desbloqueados e a produtividade aumente.
Outros fatores também pesaram na decisão:
- A guerra no Oriente Médio elevou o custo global do frete, impactando os preços de importação
- A inflação de produtos eletrônicos gerou pressão sobre os consumidores
- O Brasil alinhou-se a outros países emergentes que adotam reduções tarifárias pontuais para conter o repasse da inflação
Proteção à indústria local: o outro lado da medida
Ao mesmo tempo em que zerou tarifas em setores sem produção interna, o governo reforçou a proteção nos setores onde há fabricação nacional. Foram aplicadas medidas antidumping por cinco anos sobre a importação de etanolamina da China e de resinas plásticas vindas dos Estados Unidos e do Canadá, com o objetivo de proteger a indústria local contra preços artificialmente baixos praticados no exterior.
Celular vai ficar mais barato de fato? Entenda os limites da medida
Aqui mora a dúvida mais comum — e a resposta exige cuidado. A isenção do imposto de importação é apenas uma das taxas que compõem o preço final de um produto no Brasil. Outros tributos continuam incidindo sobre eletrônicos, como:
- ICMS (imposto estadual, que varia por estado)
- IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
- PIS e Cofins
- Margem de lucro dos importadores e varejistas
Portanto, a redução do imposto de importação tende a baratear o custo de aquisição pelo importador, mas o reflexo nos preços ao consumidor final depende da cadeia comercial. Em produtos que já tinham tarifa baixa anteriormente, o impacto pode ser pequeno. Já para equipamentos com tarifas mais altas, a diferença pode ser mais perceptível.
Como essa decisão se encaixa na política econômica de 2026
A zeragem do imposto de importação de quase mil itens não é uma ação isolada. Ela integra um conjunto mais amplo de medidas adotadas pelo governo desde 2023, que incluem a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, com descontos progressivos para rendas de até R$ 7.350 mensais.
No campo social, iniciativas como o programa Luz do Povo, que garante energia elétrica gratuita para famílias de baixa renda, e a isenção de tributos federais para doação de medicamentos a órgãos públicos também compõem esse conjunto de ações.
Na prática, o governo aposta em uma combinação de redução de custos em diferentes pontos da cadeia produtiva — da importação de insumos até a renda disponível das famílias — para estimular consumo e investimento ao mesmo tempo.
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