A Reforma Administrativa, prevista para ser enviada ao Congresso Nacional a qualquer momento, pretende modificar os direitos dos futuros servidores públicos federais. As medidas ainda não foram detalhadas pelo governo, mas os pontos adiados por membros do Ministério da Economia nos últimos meses incluem a revisão dos salários iniciais, o prazo para o servidor atingir a estabilidade e a redução no número de carreiras.
De acordo com o presidente Jair Bolsonaro, as mudanças não vão afetar os servidores públicos atuais. As medidas anunciadas vão afetar apenas quem tomar posse depois da promulgação da reforma. Uma das alterações mais importantes diz respeito à estabilidade dos futuros funcionários.
Inicialmente, o governo pretendia estender, de 3 para 10 anos, o prazo para o servidor adquirir estabilidade no cargo. Porém, o ministro da Economia, Paulo Guedes, informou que a versão mais recente do texto deve definir um tempo variável, de cinco a oito anos, conforme cada carreira.
A estabilidade seria conquistada através de avaliação de desempenho. Quem não cumprir os requisitos mínimos não ficaria no cargo antes do prazo mínimo.
Até o momento o governo não revelou se o funcionário vai ter direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) enquanto não atingir a estabilidade. Hoje, os servidores públicos não têm direito ao Fundo.
A reforma pode afetar funcionários públicos já contratados?
Bolsonaro revelou que as medidas não irão atingir os atuais servidores públicos, e que a proposta só precisa de mais alguns ajustes. “Estamos na iminência de mandar a reforma administrativa. Não vai atingir os já servidores. Não vai ser mexido nada no tocante a eles. A reforma está ultimando, né? Sempre tem um pequeno acerto a mais para fazer. Amanhã (nesta terça-feira — 18/2), a previsão é, à tarde, eu ser apresentado à nova proposta. Espero que esta semana nasça essa criança aí, que tá demorando muito para nascer. Tá parecendo filhote de elefante, né? Dois anos de gestação de elefante.”
O presidente também revelou que conversaria com o Paulo Guedes, ministro da economia, na segunda-feira, 17. “Outros assuntos serão tratados. Eu acho que a reforma administrativa está madura para ser apresentada. O que eu tenho falado para ele: a guerra da informação”, frisou. “Espero que a gente mande a proposta disso aí, faltam algumas alterações ainda. Daí vira manchete: ‘Servidor perde estabilidade’. Jogar todos os servidores contra mim. Essa questão da estabilidade é daqui para frente, mas sabe como funciona a manchete dos jornais.”
Já o chefe do Executivo se expressou sobre a garantia de estabilidade a determinadas carreiras. “Nós vamos ter algumas que serão propostas por nós e, depois, o Legislativo pode alterar e propor outras. Grande parte, a palavra final é do Legislativo. Ainda mais PEC (proposta de emenda à Constituição).”
Vai ter uma pausa em concursos públicos?
Bolsonaro comentou ainda sobre um provável “congelamento” de concursos públicos até que a reforma seja aprovada. “Não é travar (concurso público). É um peso muito grande o serviço público no Brasil. Vocês devem se lembrar da promulgação da Constituinte, a quantidade de trens da alegria, isso inchou os quadros. Se não fizer algo, atuais servidores vão ficar sem receber lá na frente. Então, não é travar. Concursos públicos, só os essenciais, essa que é a ideia”, ele ressaltou, e continuou:



