Direitos do Trabalhador

Mães poderão ter aposentadoria maior: projeto aprovado prevê acréscimo de 5% no benefício

O projeto ainda passará por novas análises na Câmara e, em seguida, precisará ser aprovado pelo Senado para se tornar lei

Publicado por
Quézia Andrade

Uma nova proposta aprovada pela Câmara dos Deputados prevê um adicional de 5% no valor da aposentadoria para cada filho criado, limitado a três filhos. O benefício poderá representar um aumento de até 15% no valor recebido por mães seguradas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), incluindo mães biológicas e adotivas, conforme estabelece o Projeto de Lei 6.841/25.

A iniciativa busca reconhecer os impactos do trabalho de cuidado com os filhos na trajetória profissional das mulheres, especialmente aquelas que tiveram a carreira afetada pela dedicação à maternidade. O texto já foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e seguirá para análise das demais comissões da Câmara antes de avançar no processo legislativo. Saiba mais abaixo!

Como funciona o acréscimo para mães na aposentadoria?

O valor adicional aprovado consiste em 5% por filho, limitado a três, sendo concedido apenas para seguradas que comprovem a maternagem direta e não tenham perdido o poder familiar. Por exemplo, uma mulher que criou dois filhos poderá contar com um acréscimo total de 10% sobre o valor mensal recebido.

É necessário apresentar documentação que ateste o vínculo e o cuidado efetivo, condições que serão detalhadas em regulamentação. A regra vale tanto para benefícios de aposentadoria quanto para pensão por morte, desde que pagos pelo Regime Geral de Previdência Social.

Requisitos para acessar o benefício

  • Ser mulher segurada pelo RGPS.
  • Ter filhos biológicos ou adotivos.
  • Comprovar maternagem direta por documentação a ser definida.
  • Não ter perdido o poder familiar sobre o(s) filho(s).
Projeto prevê aumento no benefício do INSS para mães, com acréscimo limitado a três filhos.
Imagem: Notícias Concursos

Por que o adicional foi criado?

A proposta surge para reconhecer o impacto do trabalho de cuidado, muitas vezes não remunerado, que recai desproporcionalmente sobre as mulheres. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) citados pela relatora, deputada Fernanda Melchionna, mães brasileiras dedicam, em média, o dobro do tempo semanal às tarefas domésticas e de cuidado em relação aos homens.

Essa dedicação, frequentemente, implica em interrupções na carreira, menor acúmulo de tempo de contribuição e rendimentos mais baixos, especialmente para quem atua no mercado informal ou abre mão de oportunidades profissionais para cuidar dos filhos. O adicional busca compensar parcialmente essas desigualdades ao refletir o impacto social e econômico desse trabalho silencioso e fundamental.

Qual o impacto para seguradas do mercado informal?

Mulheres que tiveram períodos de trabalho informal ou salários menores ao longo da vida profissional estão entre as principais beneficiadas pela proposta. Como o cálculo da aposentadoria leva em conta o histórico de contribuições ao INSS, muitas mães acabam recebendo valores reduzidos, e o adicional poderá representar um aumento na renda mensal dessas seguradas.

A medida também alcança viúvas e pensionistas, ampliando o reconhecimento da dedicação ao cuidado dos filhos e considerando esse trabalho mesmo nos casos em que o benefício é decorrente da morte do segurado.

Tramitação e próximos passos do projeto

O texto aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher segue para avaliação nas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania, em tramitação conclusiva na Câmara. Para virar lei, deve ainda ser aprovado pelo Senado Federal.

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