O exame que mudou a vida de milhões de estudantes acaba de ganhar um papel ainda maior: a partir de agora, o Enem também será o termômetro oficial da educação básica brasileira
O Enem sempre foi o passaporte dos jovens para o ensino superior. Mas, a partir de 30 de março de 2026, esse exame passou a ter uma responsabilidade muito maior: avaliar as competências e habilidades esperadas para o final da educação básica, produzindo indicadores educacionais para apoiar o acesso a políticas públicas educacionais.
A mudança foi formalizada por meio de um Decreto Presidencial assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do ministro da Educação, Camilo Santana. Com isso, o exame passa a integrar o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), sem deixar de ser a principal porta de entrada para as universidades do país.
Mas o que muda na prática para quem vai prestar o Enem? E por que isso importa para a educação brasileira?
O que é o Enem e qual era sua função até agora
Uma história de mais de duas décadas
O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Ao longo de mais de duas décadas de existência, o Enem se tornou a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni).
Além disso, os resultados são usados como critério único ou complementar dos processos seletivos, além de servirem de parâmetro para acesso a auxílios governamentais, como o proporcionado pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
O Enem também vale para estudar fora do Brasil
Poucos sabem, mas os resultados individuais do Enem podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitarem as notas do exame. Uma oportunidade real para estudantes brasileiros que pensam em cursar o ensino superior em Portugal.
Enem e a nova função de avaliação da educação básica
O que muda com o decreto presidencial de 2026
Com a mudança, o certame passa a integrar o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), tendo a função de avaliar as competências e habilidades esperadas para o final da educação básica, o que resultará na produção de indicadores educacionais para apoiar o acesso a políticas públicas educacionais.
Em termos simples: o governo passa a usar o desempenho dos estudantes no Enem para entender onde a educação vai bem, onde vai mal e onde precisa de mais investimento.
Por que isso é importante
O objetivo do Decreto é produzir um diagnóstico da educação básica, com resultados para as redes de ensino públicas e privadas, que auxilie na garantia de um padrão de qualidade na educação.
Além disso, a medida contribui para garantir a comparabilidade e a confiabilidade dos resultados ao longo do tempo, requisito essencial ao monitoramento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e à identificação de desigualdades educacionais.
Na prática, isso significa que o Enem deixa de ser apenas um exame individual e passa a ser também uma ferramenta de diagnóstico nacional.
Enem no lugar do Saeb: o argumento do ministro Camilo Santana
O ministro da Educação justificou a fusão de funções com um argumento direto. Na cerimônia de assinatura do decreto, ele destacou que os alunos do terceiro ano do ensino médio, em geral, não têm o mesmo engajamento com o Saeb que têm com o Enem. Ao unificar as avaliações, a expectativa é que isso aumente a participação e fortaleça a avaliação do terceiro ano do ensino médio.
A lógica é simples: se o estudante já se prepara intensamente para o Enem, por que não usar esse mesmo esforço para avaliar o sistema educacional na totalidade?

Como será a transição para 2027 e 2028
Regras ainda serão definidas pelo MEC
A mudança não é imediata em todos os aspectos. Uma portaria do MEC deverá definir, em momento posterior, a regra de transição para os exercícios de 2027 e 2028, com a utilização dos resultados do Saeb de 2025 para fins de cálculo de indicadores educacionais, com o objetivo de preservar a comparabilidade das séries históricas e assegurar continuidade ao monitoramento das metas educacionais.
Ou seja, o processo será gradual, com cuidado para não quebrar a continuidade dos dados históricos da educação brasileira.
O contexto do anúncio: 107 obras e 99 mil escolas conectadas
A assinatura do decreto ocorreu em um evento de grande impacto para a educação. Ao todo, 107 obras, em diferentes regiões do Brasil, foram inauguradas no evento em que foi assinado o decreto que altera as atribuições do Enem. As entregas abrangem desde creches, escolas da educação básica e campi de institutos federais, até reformas em universidades e hospitais universitários.
As obras receberam o investimento federal de R$ 413,49 milhões, provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e de recursos próprios do MEC.
O evento também marcou o anúncio de que 99 mil escolas foram conectadas à internet em todo o país — um número expressivo para um sistema educacional que ainda luta contra desigualdades regionais profundas.
O que o estudante precisa saber sobre o Enem em 2026
Para quem vai prestar o exame este ano, as funções práticas continuam as mesmas:
- Ingresso no ensino superior via Sisu, Prouni e Fies
- Certificação do ensino médio
- Acesso a instituições portuguesas via convênios com o Inep
- Nova função: os resultados coletivos agora contribuem para avaliar a qualidade da educação no país
O estudante não precisa fazer nada diferente. A mudança está no uso institucional dos dados, não no formato ou conteúdo da prova.
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