Três estudantes negros do Rio de Janeiro e da Bahia receberam uma bolsa de R$ 42 mil do programa Black STEM, do Fundo Baobá, para cursar graduação em universidades dos Estados Unidos, Espanha e Emirados Árabes Unidos a partir de setembro de 2026.
A iniciativa contempla a permanência desses estudantes no exterior, incluindo despesas como moradia, alimentação e transporte, além de oferecer apoio psicológico, mentorias e conexão com lideranças negras em suas respectivas áreas de estudo.
O programa Black STEM foi criado para ampliar a presença de jovens negros em instituições globais de referência em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Continue lendo e saiba mais!
Quem são os bolsistas e quais cursos vão estudar?
- Caio Ramos, de Irajá (RJ), vai fazer graduação em Design no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), nos Emirados Árabes Unidos.
- Quezia Fernanda, nascida em Rio das Ostras (RJ), vai cursar Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha.
- João Vitor, de Cruz das Almas (BA), vai estudar Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.
Como funciona a bolsa de R$ 42 mil para estudar no exterior?
O programa Black STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) oferece uma bolsa de R$ 42 mil por estudante durante a graduação internacional, destinada a custear:
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QUERO ENTRAR AGORA →- Moradia;
- Transporte;
- Alimentação;
- Materiais acadêmicos.
O programa é realizado pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial, com apoio da B3 Social e em parceria com o BRASA.
Quais benefícios, além do valor da bolsa, os estudantes ganham?

Os contemplados pelo programa não recebem apenas o auxílio financeiro. A iniciativa também oferece mentorias de carreira, workshops, acompanhamento psicológico e conexão com lideranças, estudantes e profissionais negros, formando uma rede de apoio voltada à permanência e ao desenvolvimento dos participantes no exterior.
O suporte considera desafios enfrentados por jovens que estudam longe da família, como adaptação a uma nova realidade, solidão e questões relacionadas à saúde mental. A proposta é acompanhar os estudantes durante a experiência internacional, contribuindo para o desempenho acadêmico e reduzindo o risco de evasão.
Segundo o diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, a iniciativa busca criar condições para que pessoas negras reconheçam que é possível alcançar e ocupar espaços de destaque.
História dos estudantes
Design
Caio decidiu estudar Design após se encantar por Dubai durante uma viagem em família. Sua trajetória foi marcada por dificuldades: em 2020, ficou um ano sem aulas porque a escola não tinha estrutura para oferecer ensino online durante a pandemia.
No mesmo período, seu pai começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson e precisou deixar o trabalho. Com os custos dos medicamentos e sem condições de contratar um cuidador, Caio começou a trabalhar em 2022 para ajudar no sustento da família, o que dificultou sua entrada no ensino superior.
Mesmo diante desses obstáculos, continuou buscando oportunidades e encontrou no Black STEM uma possibilidade de estudar no exterior. Para ele, a conquista também representa outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.
Engenharia
Quezia Fernanda cursou o ensino médio técnico em Automação Industrial no Instituto Federal Fluminense e conheceu a possibilidade de estudar no exterior por meio de uma parceria entre o instituto e a Universidade de Jaén, na Espanha.
A estudante escolheu Engenharia Elétrica, influenciada também pela realidade de Macaé, importante polo do setor de petróleo e energia. Quezia pretende aprofundar seus conhecimentos na área e, futuramente, direcionar seus estudos para soluções relacionadas à energia sustentável.
Computação
João Vitor, desde a infância, demonstra interesse por computadores e pela manutenção de equipamentos, afinidade que se fortaleceu quando ingressou no Instituto Federal para cursar Informática.
Criado no Recôncavo Baiano, João teve contato próximo com lideranças negras e comunidades quilombolas. A escolha pela Northwestern University ganhou força ao descobrir que a instituição já recebia Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola. Segundo João, a convivência com essas comunidades teve forte influência em sua formação e trajetória.
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