A conta de luz vai pesar mais no orçamento de milhões de brasileiros a partir deste mês. O reajuste já está valendo e atinge oito distribuidoras.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta quarta-feira (22), novos índices que afetam mais de 22 milhões de unidades consumidoras em diferentes regiões do país. Os aumentos médios variam entre 5% e 15%, mas em alguns casos o impacto para o consumidor residencial chega a quase 18%.
Cada distribuidora tem seu próprio cálculo, e o efeito na conta final depende da região e do perfil de consumo. Confira abaixo quais empresas foram autorizadas a reajustar, quanto vai subir em cada área e por que o aumento vem acima da inflação prevista para 2026.
Aneel aprovou reajuste para oito distribuidoras em abril de 2026
A decisão integra o processo periódico de revisão tarifária previsto nos contratos de concessão do setor elétrico. O reajuste é anual e busca recompor custos que a distribuidora não controla, como encargos setoriais, compra e transmissão de energia.
Segundo a Aneel, os principais fatores que pressionaram as tarifas neste ciclo foram justamente esses custos não gerenciáveis. A agência também citou componentes financeiros ligados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) como peso adicional sobre o valor final.
Para atenuar o impacto imediato no bolso do consumidor, em algumas concessões a agência aplicou o diferimento tarifário. Esse mecanismo adia o repasse de parte dos custos para os próximos ciclos, reduzindo a alta no curto prazo, mas mantendo a despesa para frente.
Quais empresas foram autorizadas a reajustar
As oito distribuidoras contempladas pela decisão da Aneel operam em nove estados diferentes, concentradas principalmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste:
- Enel Ceará (CE)
- Neoenergia Coelba (BA)
- Neoenergia Cosern (RN)
- Energisa Sergipe (SE)
- Energisa Mato Grosso (MT)
- Energisa Mato Grosso do Sul (MS)
- CPFL Paulista (SP)
- CPFL Santa Cruz (SP, PR e MG)
Reajustes por distribuidora: quem paga mais caro
O efeito médio da tarifa não é o mesmo índice aplicado ao consumidor residencial. O valor divulgado pela agência considera o conjunto de clientes atendidos, incluindo baixa e alta tensão, o que faz a conta da casa ter percentual próprio.
CPFL Santa Cruz lidera com 15,12% de efeito médio
A distribuidora com sede em Jaguariúna (SP) registrou o maior reajuste desta rodada. O efeito médio aprovado foi de 15,12%, enquanto o consumidor residencial terá aumento de 17,74% na fatura, segundo dados da Aneel.
A CPFL Santa Cruz atende cerca de 527 mil unidades consumidoras em 45 municípios dos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. É a maior alta residencial da atual rodada de reajustes.
CPFL Paulista: impacto para 5 milhões de clientes
Entre as maiores concessionárias do país, a CPFL Paulista teve efeito médio de 12,13%. O percentual aplicado ao consumidor residencial foi de 9,15%, e a baixa tensão teve média de 9,25%.
A empresa atende mais de 5 milhões de unidades consumidoras em 234 municípios do interior paulista, sendo uma das distribuidoras com maior base de clientes do Brasil.
Energisa Mato Grosso do Sul e Mato Grosso
A Energisa Mato Grosso do Sul registrou efeito médio de 12,11%, com reajuste de 11,75% para o consumidor residencial. A concessionária é responsável por aproximadamente 1,17 milhão de unidades consumidoras no estado.
Já a Energisa Mato Grosso, que atende mais de 1,7 milhão de unidades consumidoras em 141 municípios, teve reajuste médio de 6,86% para o consumidor, com alta de 5,12% para residenciais.
Neoenergia Coelba e Cosern no Nordeste
Na Bahia, a Coelba aplicou efeito médio de 5,85%, com alta de 3,93% para consumidores residenciais. A distribuidora impacta aproximadamente 6,92 milhões de unidades consumidoras, sendo a maior base atendida nesta rodada.
A Neoenergia Cosern, sediada em Natal (RN), teve o menor reajuste residencial: 3,52%. O efeito médio para o consumidor ficou em 5,40%, com uso do diferimento tarifário. A empresa atende mais de 1,6 milhão de unidades em 167 municípios potiguares.
Enel Ceará e Energisa Sergipe
A Enel Ceará registrou reajuste médio de 5,78%, atingindo mais de 4,11 milhões de unidades consumidoras no estado. A Energisa Sergipe, por sua vez, aplicou alta média de 6,86% em sua base de mais de 919 mil unidades.
Por que a conta de luz está subindo acima da inflação?
A Aneel havia sinalizado, antes mesmo deste pacote, que 2026 seria um ano de pressão nas tarifas. O boletim InfoTarifa, publicado pela agência, estimou um efeito médio de 8% no país neste ano, percentual acima das projeções de inflação.
O principal motivo apontado no documento é o crescimento dos subsídios embutidos na tarifa, sobretudo aqueles pagos via Conta de Desenvolvimento Energético. Além disso, custos de transmissão e encargos setoriais continuam em alta.
Diferimento tarifário amortece o choque, mas adia o problema
O diferimento foi usado em distribuidoras como Neoenergia Cosern e Energisa Sergipe para reduzir o aumento imediato. O mecanismo está previsto nos Procedimentos de Regulação Tarifária (Proret) e permite repassar parte dos custos em ciclos futuros.
Na prática, o consumidor paga menos agora, mas esses valores voltam nos próximos reajustes. O efeito é semelhante ao de uma dívida parcelada: dilui o impacto, mas não elimina o custo.
O que o governo pode fazer para conter reajustes?
A conta de luz entrou no radar da equipe econômica como um dos principais itens de pressão sobre o custo de vida. O governo federal chegou a estudar uma proposta de empréstimo para segurar os aumentos, mas a ideia encontrou resistência interna.
A avaliação técnica é que o custo do crédito acabaria repassado ao consumidor com juros nos próximos ciclos, postergando o problema e encarecendo a conta no médio prazo. A proposta, por enquanto, ficou de lado.
Para quem está planejando o orçamento doméstico, o recado é claro: a energia elétrica vai pesar mais em 2026 e o reforço do consumo consciente, aliado a pequenos ajustes no uso de aparelhos de maior consumo, pode ajudar a suavizar a fatura.
Como se preparar para a conta de luz mais alta
Diante do cenário, planejamento e informação são os melhores aliados. Alguns hábitos simples ajudam a controlar o consumo e a reduzir o impacto do reajuste na fatura mensal:
- Desligar aparelhos eletrônicos da tomada quando não estiverem em uso
- Aproveitar a luz natural durante o dia e priorizar lâmpadas LED
- Evitar abrir a geladeira repetidas vezes e manter a borracha da porta vedada
- Usar o chuveiro elétrico em banhos mais curtos e na posição verão, quando possível
- Verificar a classificação energética na hora de trocar eletrodomésticos
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