A madrugada desta quarta-feira (22) reserva um espetáculo celeste que dispensa telescópio, ingresso ou aplicativo. As Líridas, uma das chuvas de meteoros mais antigas já registradas pela humanidade, atingem o pico de visibilidade no céu brasileiro entre 1h e o amanhecer de quinta-feira, 23. Bastam olhos atentos e um lugar escuro.
A expectativa é de até 18 meteoros por hora cruzando o céu em condições ideais, segundo o Observatório Nacional. O fenômeno acontece todo mês de abril, quando a Terra atravessa a trilha de detritos deixada pelo cometa Thatcher, descoberto em 1861. Os fragmentos queimam ao entrar na atmosfera e produzem os rastros luminosos conhecidos popularmente como estrelas cadentes.
Mato Grosso do Sul e demais estados brasileiros conseguem acompanhar o evento, ainda que a intensidade varie conforme a poluição luminosa e as condições do tempo. Confira abaixo o horário ideal, como se preparar e o que torna as Líridas tão especiais entre os observadores do céu.
Qual é o melhor horário para ver a chuva de meteoros?
O período mais favorável para observação da chuva de meteoros no Brasil começa a partir de 1h da madrugada de quarta-feira e se estende até pouco antes do nascer do sol de quinta-feira, 23. O pico de maior intensidade acontece entre 2h e 3h da manhã, segundo informações do Observatório Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Esse recorte de madrugada não é coincidência. A constelação de Lira, de onde os meteoros parecem surgir, sobe mais alto no horizonte nas primeiras horas do dia. Quanto mais elevado for o radiante (ponto de origem aparente dos meteoros), maior a chance de enxergar os rastros cruzando o céu.
Por que a madrugada favorece a observação?
Durante a madrugada, o lado da Terra voltado para a trilha de detritos do cometa recebe o impacto frontal das partículas. É como dirigir na chuva: o para-brisa sempre recebe mais gotas que o vidro traseiro. O mesmo princípio vale para os meteoros.
Como observar sem equipamento
A chuva de meteoros Líridas pode ser acompanhada a olho nu. Telescópios e binóculos até atrapalham, porque reduzem o campo de visão. Veja as recomendações dos astrônomos:
- Locais escuros: procure áreas afastadas de centros urbanos, com pouca iluminação artificial.
- Direção do olhar: mantenha o rosto voltado para o horizonte entre Norte e Nordeste.
- Adaptação visual: aguarde cerca de 20 minutos até que os olhos se ajustem à escuridão.
- Conforto: leve cadeira reclinável, manta ou esteira, já que o pescoço cansa rápido.
- Evite telas: a luz do celular reinicia o processo de adaptação dos olhos.
O que pode atrapalhar a visibilidade
Nuvens, chuva e a Lua em fase brilhante reduzem significativamente a visibilidade dos meteoros. Quem mora em regiões metropolitanas deve considerar um deslocamento de pelo menos 30 quilômetros para fora da cidade em busca de céu limpo.
O que são as Líridas?
As Líridas estão entre as chuvas de meteoros mais documentadas da história. Registros chineses descrevem o fenômeno há mais de 2.700 anos, o que a torna uma das mais antigas conhecidas. O nome vem da constelação de Lira, próxima à estrela Vega, uma das mais brilhantes do céu de abril.
O evento tem duração aproximada de dez dias, entre 16 e 25 de abril, mas o pico se concentra em 22 e 23 deste mês. A taxa média é de 15 a 20 meteoros por hora em condições ideais, com possibilidade de surtos raros que ultrapassam 100 por hora, como registrado em 1982 nos Estados Unidos.
A origem no cometa Thatcher
A poeira cósmica que gera o espetáculo foi deixada pelo cometa C/1861 G1 Thatcher, que leva cerca de 415 anos para completar uma órbita ao redor do Sol. A próxima passagem dele próximo à Terra está prevista apenas para o ano de 2276. Até lá, a trilha de detritos continuará produzindo o fenômeno anual.
Onde o céu brasileiro favorece mais?
Regiões de interior, com menor poluição luminosa, tendem a oferecer melhores condições. Serras, praias desertas e áreas rurais são opções naturais. No entanto, mesmo em quintais de cidades menores, é possível capturar alguns meteoros mais brilhantes, conhecidos como bolas de fogo (fireballs).
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