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Médicos peritos do INSS paralisam as atividades por dois dias

Publicado por
Cristina Ribeiro

Médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) convocaram uma paralisação nacional para esta terça, 8, e quarta-feira, 9. Segundo estimativas da Associação Nacional de Médicos Peritos (ANMP), estes dois dias podem representar um atraso de 50 mil perícias.

Esta é a segunda paralização da categoria neste ano. A primeira ocorreu durante o dia 31 de janeiro, em uma segunda-feira. Na ocasião, a entidade já anunciava a segunda paralização, caso a negociação não progredisse.

Reivindicações dos médicos peritos do INSS

Em ofício enviado para Onyx Lorenzoni, ministro de Trabalho e Previdência, os médicos peritos exigem uma recomposição salarial de 19,99%, relativa às perdas com a inflação de 2019 a 2022, atendimento de no máximo 12 pacientes presenciais por dia e a realização imediata de concurso público. Segundo a ANMP, a falta de servidores chega a 3.000 profissionais.

A entidade demanda também o fim da teleperícia (Perícia Médica com Uso de Telemedicina ou Teleavaliação), que considera desnecessária para diminuição da fila e ineficaz para fins da avaliação médica.

Segundo o presidente da ANMP, Luiz Carlos Argolo, a previsão era que 2.000 dos 3.000 peritos em atividade paralisassem, e a adesão foi maior do que a esperada. “O movimento está forte em todo o país, mas não tivemos nenhuma movimentação do governo até agora”, afirma. Há 3.600 médicos peritos no Brasil atualmente, dos quais 3.200 são filiados à ANMP.

Como coloca a entidade, é possível que aconteça a deflagração de uma greve geral dos médicos peritos do INSS no país, caso a administração publica continue sem se manifestar.

“Apesar das promessas feitas pelo Ministro de Estado, nenhuma ação foi tomada pela autoridade máxima do órgão e a situação caótica que assolava a categoria não apenas se manteve, como foi profundamente agravada”, diz um trecho da nota da entidade, que faz referência a uma reunião com Lorenzoni em 24 de agosto de 2021. Neste ano, segundo a ANMP, foram enviados três pedidos de audiências com o ministro, que não foram atendidos. A categoria solicita a realização de encontro presencial com Lorenzoni.

A categoria de médicos peritos já havia participado de uma assembleia virtual no dia 12 de agosto, no qual se colocou o indicativo greve nacional.

Orçamento reduzido

Outro motivo que causa a mobilização da categoria é um veto feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Orçamento de 2022. Quase um terço (R$ 1,005 bilhão) dos gastos discricionários para este ano foi vetado, restaram R$ 2,035 bilhões. No Ministério do Trabalho e Previdência, o INSS foi a unidade mais afetada, com a perda de R$ 988 milhões que seriam usados na administração, gestão e processamento de dados.

Em 24 de janeiro, a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) alertou que o corte no orçamento do órgão poderia inviabilizar o funcionamento de agências, e aumentar a fila de espera para a obtenção de benefícios por parte dos segurados.

Quem tinha perícia agendada durante a paralização?

Na primeira paralização, ocorrida dia 31 de janeiro, trabalhadores que aguardavam a perícia para receber benefício ou para retornarem ao trabalho foram informados nas agências do INSS de que a consulta seria remarcada para meados de fevereiro.

A perícia medica é exigida para a obtenção do auxílio-doença, auxílio-acidente, aposentadorias por incapacidade permanente ou deficiência e BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social.

De acordo com a portaria 922 do INSS publicada em setembro de 2021, quem não for atendido devido a paralisações de servidores, devem ter a perícia remarcada pelo próprio INSS até as 12h do dia seguinte ao cancelamento da perícia, e ser informados sobre o novo horário.

Segundo o órgão, o trabalhador não precisa solicitar a remarcação, pois seus funcionários fariam as remarcações na própria agência. Mas o segurado pode confirmar a nova data e horário da sua perícia pelo telefone 135 ou pelo site ou aplicativo Meu INSS.

Segurados ficarão sem receber os benefícios?

O INSS informou que “não haverá prejuízos financeiros para o segurado” em razão dos cancelamentos. Então, se a perícia confirmar que há direito ao benefício, serão pagos os valores retroativos devidos e em atraso.

Porém, a depender da data em que o novo atendimento for remarcado, isso representa mais tempo de espera até o pagamento ser liberado.

O advogado Roberto de Carvalho Santos, presidente do Ieprev (Instituto de Estudos Previdenciários), expressa as dificuldades causadas aos beneficiários com a paralização.

“Se a pessoa tem um pedido de perícia médica, é porque ela não tem condição de trabalhar, fica sem o meio de sobrevivência dela, então ela vai receber os atrasados, mas o que ela vai comer, como ficará sem o dinheiro necessário até que a situação se normalize? A Justiça também está com essa situação complicada, porque a lei que determinava que os peritos oficiais eram pagos pela União não foi renovada, então se essa pessoa quiser buscar a Justiça para que haja uma perícia, ela vai ter que pagar a perícia, que varia entre R$ 200 e R$ 700. É uma situação muito complicada”, diz ele.

O que fazer enquanto aguardo a perícia?

Se você tinha sua perícia marcada para os dias de paralização, é importante que busque as agências o INSS para que façam sua remarcação.

Mas pode ser que sua perícia seja marcada após a validade do seu atestado, ou vencimento do seu benefício. No caso de um trabalhador, a pessoa ainda está incapacitada para o trabalho e, portanto, necessita da renda fornecida por benefícios como o auxílio-doença para se manter.

O mais recomendado é não retornar ao trabalho, especialmente porque é possível que haja piora do seu quadro de saúde. No entanto, a ausência do atestado vai causar a suspensão temporária do seu benefício, mesmo que haja a renovação automática por 30 dias, quando o tempo de espera para a perícia agendada ultrapassar 30 dias.

Após realizada a perícia e constatada incapacidade, você terá direito a receber o período retroativo. Isso deve ser feito por meio de uma ação judicial, e o mais recomendado é tirar suas dúvidas com um advogado especialista em direito previdenciário.

Caso o segurado se considere apto e queira voltar a trabalhar, ele tem direito a retornar normalmente às suas funções.