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Justiça adota novo bloqueio automático de contas e preocupa quem tem dívidas

Sisbajud acelera bloqueios e exige atenção redobrada dos devedores brasileiros

Publicado por
Fátima Azevedo

O bloqueio de contas por ordem judicial passou a acontecer no mesmo dia da decisão em todo o Brasil.

A reformulação do Sisbajud pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reduziu o prazo que antes chegava a dois dias úteis e obriga bancos a cumprir as ordens em até duas horas.

A mudança afeta diretamente quem tem processos com cobrança judicial em andamento.

Como funciona o novo bloqueio automático de contas judiciais

O Sisbajud, sistema responsável por localizar e bloquear valores de devedores em processos judiciais, passou por mudanças. Agora, bloqueios podem ser realizados no mesmo dia em que o juiz determina a ordem.

Antes, esse processo demorava até dois dias úteis. As instituições financeiras receberam essa atualização para cumprir determinações judiciais em até duas horas, com envio das ordens às 13h e 20h.

No projeto-piloto, cinco instituições participam: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Nubank e XP Investimentos. A expectativa é de ampliação para todo o sistema financeiro após os 18 meses de testes, tornando o novo método padrão para bloqueio de ativos judiciais.

O que mudou no bloqueio de contas

Antes do Sisbajud reformulado Depois do Sisbajud reformulado
Bloqueio em até 2 dias úteis Bloqueio no mesmo dia
Uma única tentativa por ordem Monitoramento contínuo por até 12 meses
Sem retenção automática de novos depósitos Novos créditos retidos automaticamente
Comunicação manual entre Justiça e bancos Comunicação digital e automática

O chamado “bloqueio permanente” deixa a ordem ativa por até um ano inteiro. Isso permite que qualquer valor que caia na conta seja imediatamente retido, acelerando o cumprimento de sentenças e evitando transferências para terceiros.

Conselho responsável pela supervisão administrativa do Judiciário aprovou ajustes operacionais no sistema de constrição patrimonial. Imagem: Gil Ferreira/Agência CNJ

Direitos do devedor e valores protegidos

Mesmo com o  controle mais rígido, a legislação brasileira determina proteção a salários, aposentadorias, pensões, benefícios do INSS e até 40 salários mínimos em poupança.

Contudo, há exceções: dívidas de pensão alimentícia, empréstimos consignados e valores acima de 50 salários mínimos podem sofrer bloqueio, mesmo com proteção legal padrão.

Desde abril de 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) admite a penhora parcial de salários, mesmo que abaixo de 50 salários mínimos, desde que não prejudique a sobrevivência da família do devedor.

O que fazer diante de um bloqueio judicial de conta bancária

Se sua conta foi bloqueada por ordem judicial, a recomendação imediata é procurar um advogado. Após o bloqueio, o devedor é notificado e tem até cinco dias para contestar, apresentando provas de que o valor retido compromete sua subsistência ou é verba protegida.

Entre os principais documentos para pedir desbloqueio estão:

  • Extratos bancários detalhados;
  • Holerites e comprovantes de renda;
  • Extratos do INSS;
  • Comprovantes de aposentadoria e pensão;
  • Recibos de aluguel e despesas essenciais.

Organizar documentos e acompanhar ações judiciais são práticas essenciais para agilizar a defesa e evitar maiores transtornos.

Dicas para prevenir bloqueios automáticos de contas

  • Fique atento a processos no seu CPF;
  • Negocie dívidas antes que virem execução judicial;
  • Prefira separar a conta-salário da movimentação diária;
  • Guarde comprovantes de origem do dinheiro depositado;
  • Evite transferências para terceiros após notificação de ação judicial.

Transferências feitas para fugir de bloqueio podem ser consideradas fraude à execução, agravando a situação do devedor.

O impacto do bloqueio automático para quem tem dívidas

A nova tecnologia judicial amplia o alcance do sistema na busca por ativos e desafia devedores a manterem maior controle de suas contas e processos. O modelo contínuo de bloqueio exige reação rápida em caso de retenção indevida.

Por um lado, aumenta a efetividade da Justiça para credores; por outro, demanda atenção redobrada de quem precisa garantir o bloqueio apenas de valores legais.

Manter acompanhamento frequente, organização dos comprovantes e contato com um profissional do direito são atitudes que minimizam riscos e facilitam a solução quando valores essenciais são atingidos. Agora, mais do que nunca, estar bem informado e tomar precauções é indispensável.

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