O hífen continua sendo um dos elementos mais desafiadores da língua portuguesa, especialmente após as mudanças do acordo ortográfico que entrou em vigor obrigatoriamente em 2016. Muitos estudantes, profissionais e candidatos a concursos ainda têm dúvidas sobre quando aplicar esse sinal gráfico corretamente.
O hífen desempenha alguns papéis na estrutura da língua. Sua principal função é unir elementos para formar palavras compostas com significado próprio, como guarda-chuva e segunda-feira. Também conecta prefixos a palavras, especialmente quando há repetição de letras ou quando o segundo elemento começa com h, como em micro-ondas e anti-higiênico.
Além disso, o hífen indica a ligação de pronomes oblíquos átonos à verbos (pegue-a, tire-os) e marca a separação silábica na translineação, quando uma palavra precisa ser dividida entre duas linhas.
As palavras compostas que não possuem preposição ou outro elemento de ligação mantêm o hífen: arco-íris, beija-flor, guarda-roupa. Essa regra permanece inalterada mesmo após o Acordo Ortográfico.
Quando o prefixo termina com a mesma vogal ou consoante que inicia o segundo elemento, o hífen é obrigatório: micro-ondas, anti-inflamatório, inter-regional. Da mesma forma, quando o segundo elemento começa com h, sempre se usa hífen: super-homem, anti-higiênico, sobre-humano.
Determinados prefixos exigem hífen sempre, independentemente da letra seguinte:
O prefixo bem geralmente leva hífen (bem-estar, bem-vindo), mas existem exceções consagradas pelo uso, como benfeitor e benquisto. Já o prefixo mal exige hífen antes de vogal, h e l: mal-educado, mal-humorado, mal-lavado.
Quando o prefixo termina com vogal diferente daquela que inicia o segundo elemento, não se usa hífen: autoescola, infraestrutura, aeroespacial.
Se o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com r ou s, essas consoantes são duplicadas e o hífen é eliminado: antissocial, autossuficiente, contrarregra, ultrassonografia.
Expressões que contêm preposições ou outros elementos de ligação não levam hífen: pé de moleque, fim de semana, dia a dia. A exceção fica por conta de algumas espécies de plantas e animais que mantêm o hífen mesmo com preposição: joão-de-barro, copo-de-leite.
Quer entender como usar as preposições corretamente? Assista ao vídeo e tire suas dúvidas:
O acordo ortográfico trouxe simplificações no uso do hífen. As principais alterações incluem a eliminação do hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente (antes: auto-escola, agora: autoescola). A duplicação de consoantes também passou a ser a regra quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com r ou s.
Essas mudanças visam uniformizar a escrita entre os países lusófonos e tornar as regras mais lógicas e sistemáticas. No Notícias Concursos, é possível encontrar mais conteúdos sobre mudanças ortográficas e preparação para provas.
Para quem busca escrever com mais agilidade, especialmente em contextos como provas e redações, algumas estratégias podem facilitar o uso correto do hífen. Observar a última letra do prefixo e a primeira do segundo elemento é uma orientação prática: quando as letras são iguais, geralmente se usa hífen; quando diferentes, o uso tende a ser dispensado.
Palavras compostas consolidadas pelo uso costumam manter o hífen, e casos com prefixos como ex?, vice? e recém? seguem a regra de uso obrigatório. Em situações de dúvida, considerar que o hífen tem a função de evitar ambiguidades e tornar a leitura mais clara pode auxiliar na escolha adequada.
Como saber se uma palavra composta leva hífen?
Palavras compostas sem elemento de ligação (preposição) geralmente levam hífen. Se há preposição, normalmente não se usa, exceto em nomes de plantas e animais.
Por que “dia a dia” não tem mais hífen?
O Acordo Ortográfico eliminou o hífen de locuções com elemento de ligação. Assim, expressões como dia a dia e fim de semana passaram a ser escritas sem hífen.
Hífen em verbos: quando aparece?
O hífen aparece em verbos com pronomes enclíticos ou mesoclíticos: fazê-lo, dar-te-ei, comprá-la-íamos. Na próclise, não há hífen: não o farei, te darei.
Existe algum dicionário confiável para consultar o uso do hífen?
Sim. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras é a referência oficial.