O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória (MP) com o objetivo de taxar os fundos exclusivos e enviou um projeto de lei ao Congresso para tributar as offshores. A proposta visa aumentar a arrecadação do governo por meio da cobrança de impostos sobre essas modalidades de investimento.
Fundos exclusivos: fim da tributação única no resgate
De acordo com a assessoria de imprensa do governo, a MP assinada por Lula acaba com a tributação única no resgate dos fundos exclusivos. Atualmente, esses fundos têm pagamento de imposto apenas no momento em que o cotista resgata a aplicação. Com a nova medida, a cobrança será realizada duas vezes ao ano, conhecida como “come-cotas”.
A MP prevê que os cotistas que decidirem iniciar a contribuição ainda neste ano serão tributados com uma alíquota de 10%. Estima-se que cerca de 2,5 mil brasileiros tenham recursos aplicados nesses fundos exclusivos, sendo necessário um investimento mínimo de R$ 10 milhões e um custo de manutenção de até R$ 150 mil por ano.
Segundo o governo, os valores aplicados nos fundos exclusivos somam aproximadamente R$ 756,8 bilhões, o equivalente a 12,3% dos fundos no Brasil. Com a nova cobrança, o governo espera arrecadar R$ 24 bilhões entre 2023 e 2026.
Tributação de offshores: projeto de lei enviado ao Congresso
Além da taxação dos fundos exclusivos, Lula também enviou ao Congresso um projeto de lei que prevê a tributação dos rendimentos de capital aplicados no exterior, nas chamadas offshores. A cobrança será progressiva, variando de 0% a 22,5%, de acordo com a renda auferida.
A proposta estabelece que a nova tributação será referente aos resultados apurados a partir de 1º de janeiro de 2024. Atualmente, o capital investido no exterior é tributado apenas quando resgatado e remetido ao Brasil. Segundo o Ministério da Fazenda, estima-se que mais de R$ 1 trilhão em recursos brasileiros estejam aplicados no exterior. Com a nova cobrança, o governo espera arrecadar cerca de R$ 7 bilhões por ano até 2026.



