Como forma de driblar o tédio, a tristeza e a ansiedade, Yalle Tárique, de apenas oito anos, resolveu retratar seus dias na quarentena em um diário.
Morador de Salvador, na Bahia, passou a colecionar relatos e publicá-los no Instagram. Atualmente, sua página na rede social possui mais de 1.400 seguidores. A partir dessa fama, foi notado pela Fliquinha, o espaço infantil na Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira – Bahia).
A organização do evento o convidou para reunir suas confissões no livro “Diário de uma Quarentena – o dia a dia de uma criança na pandemia”. O lançamento da obra estaria marcada para acontecer em 2021.
Começou com carta para tio com Covid-19
A primeira oportunidade que Yalle encontrou para escrever foi quando seu tio se infectou peo novo coronavírus e ficou internado em estado grave. Lhe escreveu uma carta desejando sua recuperação.
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QUERO ENTRAR AGORA →“Na carta, disse que ele iria vencer essa doença, e, realmente, foi isso que aconteceu”. Logo após, Yalle notou que as palavras tinham poder. Assim, passou a contar o que se passava em sua rotina e quais suas sensações diante do isolamento durante a pandemia.
“Nós, crianças, estamos muito entediadas nessa quarentena, então ficamos agoniadas, nervosas, isso é normal. (…) Tenham paciência e evitem se exceder com os pequenos, mesmo que eles tirem vocês do sério”, escreveu o garoto em sua primeira postagem no Instagram.
A mãe de Yalle, Rebeca, disse que se sentiu tocada pelo relato do filho. “Naquele momento, pude perceber o quanto tudo estava sendo pesado para ele. Nós, adultos, pensamos que só a gente está percebendo o que está acontecendo, e acabamos negligenciando os sentimentos das crianças”, revelou.
Em fase de revisão, o livro deixou Yalle bastante animado. Contudo, o menino garante que não se tornar escritor não é seu objetivo. “Meu sonho é ser médico. Sempre gostei de ajudar as pessoas. O coronavírus, claro, reforçou essa vontade. Se os médicos conseguirem controlar o vírus, nós vamos poder voltar ao normal.”
De acordo com o garoto, a primeira coisa que fará após a pandemia: “ir à praia e abraçar todo mundo.”





