Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em todo o Brasil, após decisão comunicada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).
A paralisação foi aprovada durante assembleias realizadas na noite da última quinta-feira (10/09) e teve início imediato após o impasse nas negociações salariais conduzidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Plano de saúde dos funcionários é centro do impasse
A principal divergência entre representantes sindicais e a administração dos Correios diz respeito ao plano de saúde. Segundo a Findect, a estatal propõe alterar sua posição de mantenedora, o que geraria incertezas sobre a sustentabilidade e o financiamento do serviço de saúde para funcionários ativos e aposentados, além dos familiares vinculados.
Ao longo das negociações, trabalhadores enfatizaram a defesa do benefício como ponto inegociável para a categoria, enquanto a empresa manteve sua posição, mesmo após tentativas de mediação junto ao TST.
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QUERO ENTRAR AGORA →“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, disse a federação.

Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Quais sindicatos aderiram à greve dos Correios?
A paralisação conta com a adesão de sindicatos de trabalhadores dos Correios em diversas regiões do país. Entre as entidades que confirmaram participação no movimento estão:
- SINTECT-AC – Acre
- SINTECT-AL – Alagoas
- SINTECT-AM – Amazonas
- SINTECT-AP – Amapá
- SINTECT-BA – Bahia
- SINTECT-CAS – Campinas
- SINTECT-CE – Ceará
- SINTECT-DF – Distrito Federal
- SINTECT-ES – Espírito Santo
- SINTECT-GO – Goiás
- SINTECT-JFA – Juiz de Fora
- SINTECT-MG – Minas Gerais
- SINTECT-MT – Mato Grosso
- SINTECT-RO – Rondônia
- SINCORT-PA – Pará
- SINTECT-PB – Paraíba
- SINTECT-PE – Pernambuco
- SINTECT-PI – Piauí
- SINTCOM-PR – Paraná
- SINTECT-RN – Rio Grande do Norte
- SINTECT-RR – Roraima
- SINTECT-RPO – Ribeirão Preto
- SINTECT-RS – Rio Grande do Sul
- SINTECT-SC – Santa Catarina
- SINTECT-SE – Sergipe
- SINTECT-SJO – São José do Rio Preto
- SINTECT-SMA – Santa Maria
- SINTECT-TO – Tocantins
- SINTECT-URA – Uberaba
- SINTECT-VP – Vale do Paraíba
- SINDECTEB – Bauru e região
- SINTECT-MA – Maranhão
- SINTECT-MS – Mato Grosso do Sul
- SINTECT-RJ – Rio de Janeiro
- SINTECT-Santos – Santos e região
- SINTECT-SP – São Paulo
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, durante a greve, apenas os serviços administrativos internos permanecem em funcionamento na região. Até o momento, não há informações oficiais sobre o funcionamento desses serviços em outras localidades afetadas pela paralisação.
Prejuízo financeiro e novo empréstimo em negociação
Os Correios computaram déficit de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, alcançando 15 trimestres consecutivos no vermelho. Apesar do resultado negativo, a empresa registrou redução do prejuízo no segundo trimestre de 2026 em comparação ao período anterior, sinalizando ligeira recomposição financeira após recorde negativo no início do ano.
A estatal aguarda a liberação de novo empréstimo, previsto para até 15 de setembro. Foram divulgadas negociações com um consórcio formado por Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul para viabilizar R$ 7 bilhões em capitalização, conforme compromisso já informado nos últimos demonstrativos financeiros da empresa.
Correios adotam medidas para manter serviços durante a greve
Em comunicado oficial, os Correios informaram que estão adotando medidas para garantir a continuidade dos serviços, chamados de “Plano de Continuidade de Negócios”. Entre as ações previstas estão a redistribuição de empregados para áreas consideradas prioritárias, reforço da equipe operacional e ajustes pontuais nas operações logísticas.
Segundo a estatal, as iniciativas têm como objetivo reduzir possíveis impactos da paralisação, preservar o fluxo de entregas e diminuir atrasos que possam afetar clientes, empresas e demais usuários dos serviços postais em todo o país.
Os Correios também destacaram que permanecem acompanhando a situação e mantendo os canais oficiais de atendimento disponíveis para orientar consumidores sobre o funcionamento dos serviços durante o movimento.
“Com a greve deflagrada, o momento agora é de ampliar a mobilização, fortalecer a organização nas unidades e cobrar uma resposta da direção dos Correios e do governo federal. A categoria exige uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil”,disse a Findect.
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