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SUS começa a oferecer nova vacina pneumocócica 20-valente para crianças

Pneumo 20 chega ao SUS e oferece imunidade contra vinte sorotipos da bactéria pneumococo

Publicado por
Fátima Azevedo

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou em junho de 2026 a oferta da nova vacina pneumocócica 20-valente para crianças de até 5 anos.

Essa novidade amplia a imunização contra diferentes sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal responsável por doenças sérias como pneumonia, meningite e otite média.

O avanço promove maior proteção à saúde infantil, além de ser gratuito na rede pública, diferencial diante do alto custo na rede privada.

O que é a vacina pneumocócica 20-valente?

A vacina pneumocócica 20-valente, também chamada de pneumo 20, é um imunizante avançado desenvolvido para proteger contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo.

Ela oferece uma cobertura mais ampla que as vacinas anteriores,  pneumo 10 e pneumo 13, proporcionando maior eficácia principalmente nos tipos 3, 6A e 19A, que são os de maior incidência em infecções graves como pneumonia invasiva e meningite.

Essa nova formulação também atua eficazmente na prevenção da otite média, que pode gerar prejuízos auditivos permanentes e complicações graves. O objetivo é reduzir hospitalizações, sequelas graves e óbitos relacionados à doença pneumocócica.

Como será a distribuição e início da vacinação no SUS?

A implementação da pneumo 20 foi anunciada pelo Ministério da Saúde, que já iniciou a distribuição das primeiras 514 mil doses para os estados, prevendo disponibilizar mais de 6,1 milhões ainda em 2026. A imunização será ampliada de acordo com o recebimento dos lotes e repasse para os municípios.

A meta é facilitar o acesso em todas as regiões brasileiras, especialmente nas unidades básicas de saúde, focando na proteção das crianças pequenas.

A vacina pneumocócica 20-valente passa a integrar o calendário infantil do SUS. Imagem: Agência Saúde/DF

Benefícios da vacina pneumocócica 20-valente para crianças

Ampliar o acesso gratuito à pneumo 20 no SUS traz benefícios diretos e indiretos. Além da redução da mortalidade infantil por doenças preveníveis, destacam-se:

  • Aumento da proteção contra mais sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae;
  • Diminuição de internações hospitalares e tratamentos em UTI;
  • Redução do risco de sequelas e custos de reabilitação;
  • Combate efetivo às doenças mais frequentes em crianças, como pneumonia, meningite e otite média aguda;
  • Diminuição da desigualdade no acesso à tecnologia de imunização.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2023 e 2025, ocorreram 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes por essa causa. Só em 2025, 365 crianças menores de 5 anos foram internadas por infecções graves pelo pneumococo. A adoção da vacina promete alterar esse cenário de forma expressiva.

Esquema vacinal: transição e grupos prioritários

Durante a fase de transição, o SUS manterá parte das formulações antigas, substituindo gradualmente pela pneumo 20. O esquema vacinal básico para crianças será adaptado, ficando assim:

  • Primeira dose da pneumo 20 aos 2 meses de idade;
  • Uma dose da pneumo 10 aos 4 meses;
  • Reforço da pneumo 20 aos 12 meses (respeitando intervalo de 60 dias entre segunda dose e reforço).

Assim que os estoques da pneumo 10 se esgotarem, o esquema passará a ser exclusivamente com a pneumo 20. O novo imunizante será ofertado a:

  • Crianças menores de 5 anos;
  • Povos indígenas acima de 5 anos sem histórico vacinal de pneumo conjugada;
  • Idosos com 60 anos ou mais acamados ou institucionalizados;
  • Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Pais e responsáveis poderão acompanhar a vacinação pelo aplicativo Meu SUS Digital, que registra o histórico da criança em tempo real.

Impacto da introdução da nova vacina no Brasil

Desde a inclusão da primeira vacina pneumocócica em 2010, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) observou grande queda na incidência das formas graves da doença:

  • Redução entre 55% e 60% da doença em crianças menores de 2 anos;
  • Diminuição superior a 65% nos casos de meningite pneumocócica nas crianças pequenas;
  • Entre adultos com 60 anos ou mais, os índices caíram de 20% a 30%.

O Ministério da Saúde também recuperou as coberturas vacinais infantis, revertendo a tendência de queda até 2022. Em 2023, a cobertura básica foi de 90,01%, subindo para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, o índice parcial já alcançava 86,33%, mantendo o ritmo de vacinação e proteção da população infantil.

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