Apenas 10% das vítimas de golpes via Pix conseguem recuperar o dinheiro perdido. Essa realidade começou a mudar nesta segunda-feira (2), quando entraram em vigor as novas regras do Pix, definidas pelo Banco Central. A partir de agora, será possível rastrear e devolver o dinheiro desviado para quem caiu em fraudes.
O promotor de vendas Luiz Carlos Rosa conhece bem essa dor. Acreditando que fazia acordo com uma seguradora, ele realizou dois pagamentos que somaram R$ 3 mil. Meses depois, recebeu uma carta do banco informando que não foi possível rastrear os valores — a conta do golpista estava zerada.
Casos como esse motivaram o Banco Central a reforçar os mecanismos de combate a golpes, fraudes e coerção. Especialistas estimam que as mudanças podem diminuir em até 40% os golpes considerados bem-sucedidos.
O que é o MED 2.0 e como funciona o rastreamento do Pix
O Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) permite que o dinheiro transferido de forma irregular seja rastreado mesmo depois de passar por múltiplas contas. Antes da atualização, o bloqueio ocorria apenas na primeira conta que recebia os valores fraudados.
Como funcionava antes
Os criminosos exploravam uma falha simples: após receberem o Pix da vítima, transferiam rapidamente o dinheiro para outras contas (chamadas “contas de passagem”). Esse rastreamento reduz a atuação de quadrilhas especializadas em esvaziar rapidamente a primeira conta que recebe o Pix fraudulento.
Como funciona agora
A principal novidade é a possibilidade de seguir o caminho do dinheiro por diversas contas até chegar ao destino final, permitindo bloquear recursos mesmo depois de sucessivas transferências. Os bancos agora compartilham informações entre si para identificar todas as contas envolvidas no golpe.
Principais mudanças nas regras do Pix em 2026
As novas regras trazem alterações significativas para quem usa o sistema de pagamentos instantâneos:
- MED obrigatório: todos os bancos e fintechs devem adotar a versão 2.0 do mecanismo
- Rastreamento em cascata: o dinheiro é acompanhado por todas as contas intermediárias
- Bloqueio automático: contas suspeitas podem ser bloqueadas antes mesmo da conclusão da análise
- Prazo reduzido: o Banco Central estima que os valores possam ser recuperados em até 11 dias após a contestação
- Botão de contestação: a vítima solicita a devolução diretamente pelo aplicativo do banco

Passo a passo: o que fazer em caso de golpe via Pix
Se alguém cair em um golpe, a rapidez é determinante para recuperar os valores. Confira o procedimento:
- Abrir o aplicativo do banco imediatamente
- Localizar a transação suspeita no extrato
- Clicar no botão de contestação ou “reportar fraude”
- A instituição comunica o banco recebedor em até 30 minutos
- Os recursos são bloqueados na conta do suspeito
- As instituições analisam o caso em até 7 dias
- Se confirmada a fraude, o valor retorna à vítima em até 11 dias
Quando o MED pode ser acionado
O BC esclarece que o MED só deve ser acionado em caso de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional das instituições financeiras. A ferramenta não pode ser usada no caso de Pix a destinatários errados digitados pelo usuário.
Isso significa que, se uma pessoa digitar a chave Pix errada por conta própria, não poderá usar esse mecanismo para recuperar o dinheiro. Para esses casos, ainda é necessário entrar em contato diretamente com o recebedor.
Integração entre bancos aumenta segurança do Pix
As instituições agora são obrigadas a cooperar de forma mais rápida e integrada com órgãos de segurança e entre si, o que deve reduzir o tempo total necessário para localizar e retomar os valores desviados.
O chefe-adjunto do Departamento de Competição do Banco Central, Breno Lobo, destacou que a limitação anterior impedia identificar outras contas participantes do golpe. Com o novo sistema, essas informações são armazenadas e compartilhadas entre todas as instituições financeiras.
A Febraban declarou apoio às mudanças e acredita que o MED 2.0 representará um grande avanço na prevenção e no combate a golpes.
Pix continua gratuito para pessoas físicas
O Banco Central reforça que o Pix continua sendo gratuito para pessoas físicas. As novas medidas de segurança não implicam cobranças adicionais, nem geram custos para o usuário comum.
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Assista ao vídeo abaixo e entenda se a Receita Federal irá taxar o Pix:

















