Economia

Ibovespa SOBE pela 4ª vez seguida e atinge MAIOR patamar desde julho de 2021

O Ibovespa iniciou mais uma semana em alta, refletindo o bom momento que o mercado acionário vem passando no país. A busca por ativos de risco prevaleceu no pregão, impulsionando o indicador para o nível mais elevado dos últimos anos.

Nesta segunda-feira (20) o Ibovespa subiu 0,95%, a 125.957 pontos, quarto avanço consecutivo. Esse é o maior patamar desde o final de julho de 2021, ou seja, em mais de dois anos.

Em novembro, o Ibovespa acumula ganhos impressionantes de 11,32%. Neste mês, houve apenas três sessões no vermelho, mas as quedas foram tão leves que não afetaram os ganhos acumulados.

Por outro lado, o índice avançou em nove sessões, e agora está acumulando ganhos bastante expressivos, algo que não foi visto em nenhum mês deste ano. Já em 2023, o indicador reserva ganhos de 14,78%.

Meta fiscal do Brasil aumenta otimismo dos investidores

Na semana passada, o mercado comemorou a informação de que o governo federal desistiu de alterar a meta fiscal para 2024. Em resumo, o déficit zero das contas públicas no ano que vem continua como meta para o governo.

Vale destacar que a decisão do governo em manter a meta de zerar o déficit fiscal em 2024 proporciona maior tempo para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Assim, ele tentará conseguir a tramitação no Congresso Nacional de algumas medidas que aumentem a arrecadação federal.

Além disso, a meta fiscal de 2024 prevê que o governo federal gaste apenas o que arrecadar e o que possuir em caixa. Em outras palavras, o Executivo não irá aumentar a dívida pública com gastos e investimentos, uma vez que irá gastar apenas o que tiver.

Busca do ministro Haddad por déficit zero das contas públicas em 2024 anima investidores. Imagem: Agência Brasil.

Investidores ficam atentos aos EUA

Na semana passada, os mercados também repercutiram a divulgação da inflação de outubro nos EUA. A taxa ficou nula e isso surpreendeu o mercado, já que a expectativa era de alta de 0,1% no mês.

A saber, uma inflação mais fraca que o esperado nos EUA tende a significar que os juros não vão subir no país, algo que os investidores temiam que acontecesse.

Na verdade, a inflação é um dado muito importante, pois tem o poder de influenciar o rumo da política monetária nos EUA. Quanto mais elevada está a inflação, maiores são os riscos de o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, elevar os juros no país, algo que os investidores não desejam.

Em suma, especialistas entendem que o Fed está bastante dependente dos dados para tomar qualquer decisão. Portanto, os dados mais fracos da inflação animaram os investidores, que agora acreditam que os juros podem começar a cair no primeiro semestre de 2024.

Juros nos EUA está no maior nível em mais de 20 anos

No início de novembro, o Fed manteve a taxa de referência dos juros inalterada no país, no intervalo de 5,25% a 5,50% ao ano. A decisão veio em linha com as estimativas do mercado, e os analistas acreditam que o Fed manterá os juros estáveis até meados de 2024, quando começará a reduzir a taxa no país.

A propósito, a taxa de juros nos EUA está no nível mais elevado em mais de duas décadas. Mesmo que o Fed venha mantendo a taxa estável, isso não é totalmente positivo para a população, já que o patamar continua muito alto, afetando a economia do país.

Os bancos centrais elevam os juros para conter a inflação nos países. Quanto mais alta a taxa de juros estiver, mais elevados ficam os juros no geral, como o imobiliário e o bancário. Isso acontece para que o poder de compra do consumidor fique reduzido e, assim, haja um enfraquecimento na demanda por produtos e serviços.

Em síntese, quanto menor a demanda, menores tendem a ser as variações nos preços. Aliás, os bancos centrais elevam os juros, pois estas entidades devem agir para atingir a meta da inflação estabelecida em cada ano para os países. Esse é o caso do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e do Banco Central, no Brasil.

59 das 86 ações do Ibovespa sobem na sessão

Na sessão de hoje (20), 59 das 86 ações listadas no Ibovespa fecharam o dia em alta, impulsionando o indicador e refletindo o otimismo dos investidores. Em contrapartida, 25 papeis caíram no dia, enquanto dois se mantiveram estáveis.

A saber, as duas principais empresas listadas no Ibovespa são a mineradora Vale e a Petrobras, que respondem por cerca de 14% e 12% da carteira, respectivamente. As variações registradas por estas empresas exercem bem mais impacto no indicador do que as demais. Por isso que elas têm uma importância tão elevada assim.

No caso da Vale, os papeis subiram 2,45% no dia, influenciando o Ibovespa. Por sua vez, os papeis da Petrobras tiveram variações opostas no dia, com os preferenciais (PN) subiu 0,08%, e os ordinários (ON) caindo 0,33%.

A carteira teórica mais famosa do país movimentou R$ 18 bilhões na sessão, levemente abaixo da média dos últimos 12 meses (R$ 18,5 bilhões). Em novembro, o indicador está com uma média diária de R$ 20,2 bilhões, segundo maior montante de 2023, atrás apenas da média diária de junho (21,1 bilhões).

Veja as maiores altas e quedas desta segunda-feira (20)

Na sessão de hoje (20), as ações que tiveram os maiores avanços percentuais foram:

  1. Sid Nacional ON: 9,49%;
  2. Raizen PN: 5,60%;
  3. Raia Drogasil ON: 4,57%;
  4. Grupo Natura ON: 4,00%;
  5. CSN Mineração ON: 3,79%.

Em contrapartida, os papeis que registraram as quedas mais intensas no dia foram:

  1. Gerdau Metalúrgica PN: -4,62%;
  2. Gerdau PN: -4,33%;
  3. Cemig PN: -2,84%;
  4. CVC Brasil ON: -1,93%;
  5. Assaí ON: -1,68%.

Por fim, os papeis ordinários (ON) dão direito a votos em assembleias, algo que não acontece com os preferenciais (PN). Estes têm preferência por dividendos.