Um estudo identificou que 87% dos jornalistas formados se arrependem da escolha profissional, e essa não é a única carreira com alto índice de frustração. A pesquisa, realizada pelo projeto The College Payoff e divulgada pela Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, analisou a percepção de profissionais já inseridos no mercado e mapeou os cursos com maior nível de insatisfação após a formatura.
Os critérios avaliados incluem remuneração, estabilidade, condições de trabalho e a diferença entre o que se espera da profissão e o que o mercado oferece de fato.
Embora o levantamento reflita o cenário norte-americano, os resultados apontam tendências que podem ser observadas em outros países, já que muitos desafios profissionais são semelhantes. A seguir, veja quais são as carreiras que mais frustram os profissionais e o que contribui para esse cenário.
Como foi feita a pesquisa sobre as carreiras que mais frustram
O levantamento do The College Payoff considerou critérios como remuneração, estabilidade e nível de satisfação profissional relatado por pessoas já atuantes no mercado de trabalho. Os dados foram organizados em um ranking que vai da décima à primeira posição, conforme o percentual de profissionais que afirmaram se arrepender da escolha feita durante a graduação.
Por ter como base o cenário dos Estados Unidos, os resultados refletem principalmente essa realidade. Ainda assim, especialistas destacam que os desafios apontados — como baixos salários e mercado saturado — se repetem em diversos países, incluindo o Brasil.
Ranking: as 10 carreiras com maior índice de frustração profissional
10º lugar — Letras (52%)
O curso de letras aparece no ranking com 52% de profissionais arrependidos. A formação habilita principalmente para o ensino de língua portuguesa, além de permitir atuação em áreas relacionadas, conforme a ênfase escolhida. Mesmo assim, muitos formados relatam dificuldades para se manter na área.
Além da docência, profissionais de letras podem atuar com revisão de textos jornalísticos e acadêmicos, tradução e outras atividades ligadas à produção textual. Ainda assim, o estudo aponta que uma parcela expressiva dos graduados não encontra as oportunidades esperadas após a formatura.
9º lugar — Biologia (52%)
O curso de biologia também registra 52% de insatisfação entre os profissionais, empatado com letras na última posição do ranking. A formação permite atuação no ensino e em áreas específicas, como genética, meio ambiente e zoologia, conforme a especialização.
Apesar das possibilidades, muitos biólogos relatam frustração com as condições de trabalho e com as oportunidades disponíveis no mercado. A inserção profissional fora da sala de aula continua sendo um desafio para boa parte dos formados.
8º lugar — Ciências Políticas (56%)
Com 56% de insatisfação, a carreira de ciências políticas ocupa a oitava posição. Apesar das possibilidades de atuação em partidos políticos, institutos de pesquisa e docência universitária, muitos profissionais encontram dificuldades para se estabilizar no mercado.
7º lugar — Assistência Médica (58%)
Esse curso não possui equivalente direto no Brasil. Nos Estados Unidos, a área registra 58% de arrependimento entre os profissionais. A pesquisa indica que as expectativas iniciais dos estudantes muitas vezes não se concretizam na prática.
6º lugar — Marketing (60%)
Mesmo sendo um campo com atuação ampla — envolvendo preços, distribuição, desenvolvimento de produtos e propaganda —, o marketing tem 60% de profissionais insatisfeitos. A alta competitividade e os salários iniciais baixos estão entre os fatores que mais pesam.

5º lugar — Pedagogia (61%)
A área de educação, equivalente à pedagogia no Brasil, aparece com 61% de insatisfação. Professores enfrentam baixa remuneração, falta de infraestrutura e pouca valorização.
4º lugar — Comunicações (64%)
Com 64% de profissionais arrependidos, a área de comunicações oferece opções como trabalho em veículos de mídia, cinema, publicidade e instituições de ensino. Apesar da variedade, a instabilidade e a concorrência acirrada contribuem para o alto índice de frustração.
3º e 2º lugar — Artes e Sociologia (72%)
Empatados, os cursos de artes e sociologia registram 72% de insatisfação. Sociólogos atuam com docência, pesquisa e em institutos, mas enfrentam um mercado restrito. Artistas que optam por não seguir a produção artística encontram opções limitadas, como atuação em museus e conservação.
1º lugar — Jornalismo (87%)
O jornalismo lidera o ranking das carreiras que mais frustram, com 87% dos profissionais insatisfeitos. A pesquisa aponta fatores como jornadas intensas (incluindo finais de semana e feriados), baixos salários e a precarização das condições de trabalho. A transformação do setor com o avanço das mídias digitais também contribui para o cenário.
Um jornalista pode atuar em televisão, rádio, jornal, sites e assessorias de imprensa. Mesmo com essa variedade, a realidade do mercado dificulta a permanência e o crescimento na profissão.
Como reduzir as chances de frustração após a graduação
Algumas atitudes podem ajudar a evitar o arrependimento profissional:
- Pesquisar o mercado de trabalho antes de escolher o curso, incluindo média salarial e demanda por vagas
- Conversar com profissionais que já atuam na área pretendida
- Buscar experiências práticas durante a graduação, como estágios e projetos voluntários
- Avaliar se as condições reais da carreira estão alinhadas às expectativas pessoais
- Considerar especializações que ampliem as possibilidades de atuação
O diploma garante satisfação profissional?
Os dados do estudo da Universidade de Georgetown mostram que a formação superior, por si só, não é garantia de realização na carreira. A diferença entre expectativa e realidade do mercado atinge profissionais de diversas áreas — e quanto maior essa lacuna, maior tende a ser a frustração.
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