Com o avanço da inteligência artificial, o surgimento de novas profissões e a valorização cada vez maior de competências humanas, o mercado de trabalho mudou de forma profunda. Especialistas em educação e empregabilidade são diretos: mais do que escolher um curso, o estudante precisa escolher um projeto de futuro.
A pergunta que vale hoje não é mais apenas “o que eu gosto?”, mas sim “como quero trabalhar, me adaptar e crescer nos próximos anos?”. Este texto traz os principais critérios, dados atualizados e um roteiro prático para quem está diante dessa decisão.
O mercado mudou e vai continuar mudando
Estudos recentes sobre tendências profissionais mostram que carreiras ligadas a tecnologia, dados, saúde, educação, gestão, marketing digital, engenharia e setor público seguem em alta. Porém, o diferencial não está apenas na área escolhida. O que separa um profissional valorizado dos demais é a capacidade de aprender de forma contínua e de integrar diferentes competências.
Segundo o Ipea, o PIB projetado para 2026 é de 1,6%, com juros ainda elevados e a Selic estimada em 12,25% no fim do ano. Esse cenário afeta diretamente como as empresas contratam. Profissões rígidas e pouco adaptáveis tendem a perder espaço, enquanto carreiras que permitem atuação multidisciplinar ganham força.
Cargos ligados a IA, cibersegurança, análise de dados e sustentabilidade (ESG), operam com desemprego técnico abaixo de 4% entre quem tem ensino superior.
O que considerar ao escolher sua carreira em 2026
Abaixo, estão os cinco pontos que especialistas recomendam avaliar antes de tomar essa decisão.
Entenda seus interesses — mas também suas competências
Gostar de uma área é um bom ponto de partida, mas não basta. É preciso avaliar com honestidade as habilidades pessoais, o perfil comportamental e a disposição para estudar ao longo da vida. A escolha mais acertada acontece quando interesse e competência caminham juntos.
Algumas perguntas ajudam nessa etapa:
- Quais atividades geram energia e quais as desmotivam?
- O perfil é mais técnico, criativo, analítico ou voltado para pessoas?
- Existe disposição para aprendizado contínuo?
Observe as tendências, não o “curso da moda”
Nem toda profissão em alta hoje continuará assim nos próximos anos. Por isso, vale analisar áreas com demanda sustentável, setores em crescimento regional e possibilidades de atuação diversificada. Carreiras ligadas à solução de problemas, análise de dados e cuidado com pessoas tendem a ser mais resistentes às mudanças do mercado.
O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades atuais serão transformadas ou se tornarão obsoletas até 2030. Esse dado reforça a importância de olhar para o futuro e não apenas para o que está na moda agora.
Avalie a empregabilidade do curso e da instituição
A instituição de ensino escolhida influencia diretamente a trajetória profissional. Especialistas recomendam observar:
- Inserção de egressos no mercado de trabalho
- Existência de estágios e prática profissional
- Parcerias com empresas e setor público
- Metodologias de ensino aplicadas à realidade do trabalho
Consultar a nota do curso no ENADE/MEC é um passo que não pode ser ignorado. Avaliar a grade curricular e a presença de atividades práticas também faz diferença.
Considere o impacto da tecnologia na área escolhida
A inteligência artificial não elimina profissões, mas transforma a forma de trabalhar. Em 2026, praticamente todas as áreas exigem algum nível de letramento digital, uso de ferramentas tecnológicas e pensamento crítico.
Escolher uma carreira hoje significa fazer uma pergunta direta: como a tecnologia vai atuar junto comigo nessa profissão?
Pense no longo prazo, não apenas no primeiro emprego
O primeiro emprego é relevante, mas não define toda a carreira. Profissões com boa projeção são aquelas que permitem crescimento, especialização e mobilidade entre diferentes áreas de atuação.

Formação superior: ponto de partida, não de chegada
Outro aspecto destacado por especialistas é que a graduação deixou de ser o fim da formação. Em 2026, ela funciona como uma base inicial. A partir dela, o profissional complementa seu preparo com cursos livres, pós-graduação, especializações e desenvolvimento contínuo de habilidades.
Escolher bem a graduação significa escolher um ambiente de aprendizagem — e não apenas um diploma. Segundo dados da Robert Half, o aprendizado contínuo é um dos fatores que mais diferenciam os profissionais disputados pelo mercado.
Checklist prático para escolher sua carreira em 2026
Para facilitar a decisão, segue um roteiro com os principais pontos de atenção:
Autoconhecimento
- Identificar habilidades, pontos fortes e o que gera motivação
- Reconhecer como lida com desafios, pressão e trabalho em equipe
Perfil vocacional
- Definir se o perfil é mais técnico, humano, criativo, analítico ou estratégico
- Visualizar o estilo de trabalho ideal (rotina, dinamismo, autonomia)
Pesquisa de mercado
- Verificar se a carreira tem demanda atual e futura
- Analisar como a IA impacta a área de interesse
Formação e instituição
- Checar a nota do MEC, grade curricular e atividades práticas
- Confirmar se há estágios, projetos aplicados e extensão
Qualidade de vida e propósito
- Avaliar se a profissão permite equilíbrio entre vida pessoal e trabalho
- Verificar se a carreira está alinhada com valores pessoais
Validação
- Conversar com profissionais da área
- Fazer um teste de orientação vocacional
- Comparar pelo menos duas opções antes de decidir
Escolher sua carreira é escolher quem você quer se tornar
Mais do que seguir tendências ou expectativas de terceiros, escolher uma carreira em 2026 exige autoconhecimento, informação e visão de futuro. O mercado valoriza profissionais que sabem aprender, se adaptar e atuar com propósito.
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