Quando o assunto é o gênero das palavras, a língua portuguesa pode surpreender e gerar dúvidas até entre os mais atentos aos detalhes do idioma. Um exemplo que costuma provocar curiosidade é: tartaruga tem gênero masculino?
Afinal, muitos acreditam que “tartarugo” seria o termo correto, seguindo a lógica de outras palavras. Mas, será mesmo essa a forma que a gramática reconhece? Descubra, a seguir, como funciona a designação de gênero para esse animal, o que dizem os dicionários e algumas curiosidades linguísticas sobre o termo.
À primeira vista, pode parecer natural pensar que o masculino de tartaruga é “tartarugo”. O formato parece adequado, a sonoridade encaixa e segue a regra de formar pares, como em “gato/gata” ou “amigo/amiga”.
Porém, a gramática portuguesa e os principais dicionários apresentam outra solução. Segundo eles, “tartaruga” é um substantivo epiceno, ou seja, uma palavra que possui apenas uma forma para designar tanto o macho quanto a fêmea da espécie.
Nesse contexto, para indicar o sexo do animal, adiciona-se o termo “macho” ou “fêmea” ao lado do substantivo: “tartaruga macho” ou “tartaruga fêmea”. Assim, mesmo que “tartarugo” soe natural, a expressão correta e reconhecida pela norma-padrão é apenas “tartaruga macho” quando tratando do gênero masculino.
Substantivos epicenos trazem uma particularidade interessante: independentemente do sexo do animal, a palavra permanece a mesma. Isso explica por que não é correto, no padrão culto do idioma, usar “tartarugo”. Essa regra vale para diversos outros exemplos, como “águia” ou “jacaré”. Sempre que for necessário precisar o sexo, basta acrescentar “macho” ou “fêmea”.
Inclusive, embora “tartarugo” conste em alguns registros, como no Dicionário Aulete, o termo possui significado diferente, não sendo usado para designar o macho da tartaruga. Seu uso pode inclusive ser considerado injurioso, reafirmando que não pertence à norma culta quando se trata de animais.
Apesar de “tartaruga macho” ser o padrão nacional, existe um termo menos conhecido, de origem regional: “capitari”. Conforme o Dicionário Online de Português, essa denominação é utilizada no estado do Amazonas para se referir ao macho da tartaruga.
No entanto, seu uso é limitado à região amazônica e não se consagrou nos demais estados. Por isso, nos contextos formais, educacionais e científicos, “tartaruga macho” é a forma recomendada.
Há quem imagine que jabuti ou cágado sejam o masculino de tartaruga. Mas isso não está correto. Na verdade, embora pertencentes ao mesmo grupo dos quelônios (répteis com casco), as três espécies têm características e habitats distintos.
Portanto, os nomes designam animais diferentes e não servem para distinguir machos e fêmeas entre si.
A palavra tartaruga veio do espanhol “tortuga”, e acredita-se que tenha raízes em termos antigos relacionados à ideia de torção ou formato arredondado do casco. Esse nome foi consolidado ao longo dos séculos na língua portuguesa para se referir aos animais aquáticos desse grupo, tornando-se uma das expressões mais conhecidas para descrever os répteis com casco que habitam principalmente ambientes aquáticos.
Para ilustrar como a regra gramatical funciona na prática, veja alguns exemplos de frases:
Em resumo, se o objetivo é utilizar o português de acordo com a norma-padrão, sempre opte por “tartaruga macho” para se referir ao gênero masculino desse animal. Evite inventar termo próprio como “tartarugo” e lembre-se de que jabuti e cágado são espécies distintas, não variações de gênero.
A busca por precisão na linguagem mostra como o português, mesmo com aparentes “pegadinhas”, mantém regras que garantem clareza e uniformidade. Sabendo disso, fica mais simples utilizar os termos corretos e, ao mesmo tempo, desenvolver um olhar atento para as particularidades do idioma.
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