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Uso de robôs para corrigir provas cresce nas faculdades e divide opiniões

A utilização de robôs e outros sistemas de inteligência artificial tem sido algo recorrente no meio profissional e acadêmico no exterior. Aqui no Brasil, essas tecnologias estão ganhando notoriedade agora, principalmente em meio à necessidade de otimizar processos.

Se antes de 2020 as máquinas já estavam sendo testadas para agregar valor em serviços operacionais em universidades e escolas, com os efeitos da pandemia na educação podem passar a ser muito mais requisitadas.

Entre os principais usos dos robôs está a correção de avaliações, até mesmo as que contêm questões dissertativas. Também são treinados para tirar dúvidas dos estudantes e trilhar o cronograma de aprendizagem deles.

Ou seja, são processos que saem do escopo de trabalho dos educadores, que podem ter assim mais tempo para se envolver com projetos mais intensos em sala de aula, bem como melhorar o ritmo de ensino.

Opiniões de educadores em relação aos robôs

A experiência com robôs em escolas e faculdades ainda ocorre em grau leve, digamos. É aplicada, por ora, em instituições de ensino privadas e tratada por muitas como uma testagem para analisar os resultados.

Apesar da baixa intensidade, o objetivo de muitas universidades é que essa tendência cresça com o passar do tempo, pegando como gatilho o momento de aulas a distância impulsionado pela pandemia do novo coronavírus.

Enquanto alguns professores e gestores aprovam a eficácia dos robôs como ‘auxiliares’ de tarefas, outros condenam o uso desses ‘colegas de trabalho’. Entretanto, essa onda negativa tem se tornado menor do que a positiva.

Eficiência dos robôs em instituição brasileira

Paul é o nome dado ao chatbot dos cursos online oferecidos na LIT, plataforma EAD da Escola de Negócios Saint Paul, sediada em São Paulo. Ele foi adaptado para tirar dúvidas dos alunos. Apesar de não estar disponível ainda para todos os cursos da instituição, tem ajudado os alunos, principalmente aqueles que não podem estar nas aulas presenciais.

Quando um aluno faz perguntas ao robô da Saint Paul, o sistema mapeia o que a pessoa sabe e sugere trilhas de estudo. Ou seja, oferece um cronograma de aprendizagem focado nas necessidades do estudante. Ocorre uma personalização.

Adriano Mussa, idealizador do LIT e diretor acadêmico da Saint Paul, acredita que atualmente a ferramenta de inteligência artificial não é algo mal visto pelos professores da instituição.

“No início, chamei os 400 docentes para trabalhar nisso, mas só cinco quiseram. Hoje temos fila de professores para ensinar o Paul”, conta Mussa.

Polêmica envolvendo robôs

A Universidade Anhembi Morumbi se envolveu em uma polêmica no último mês de maio por divulgar a utilização de robôs para corrigir questões dissertativas, mas isso sem que os estudantes soubessem dessa ação.

“A ferramenta está em teste. Começamos em novembro, com uma questão, em provas de cinco disciplinas online. Os professores corrigiram também, para calibrarmos o sistema”, justificou Sara Martins, vice-presidente acadêmica da rede Laureate, grupo ao qual pertence a faculdade.

A polêmica, segundo Martins, foi gerada por conta de uma falha na comunicação da faculdade com seus alunos. “Esse algoritmo é um recurso inovador, mas faltou falar sobre ele do jeito certo para nosso estudante”, afirma. Apesar disso, ela garante que os resultados dos testes têm sido positivos e que até o final de 2020 serão tomadas decisões sobre a adoção da IA em larga escala.

Um dos desafios, porém, de acordo com Martins, é atrair os docentes para essa nova realidade. “As pessoas vivem falando que a educação não evolui, mas quando trazemos ferramentas como essa nem todos veem com bons olhos.”

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