A nova geração que ingressa no mercado de trabalho no Brasil demonstra que suas prioridades vão além da remuneração.
Uma pesquisa realizada em 2026 pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e Instituto Locomotiva, com mais de 8,8 mil jovens entre 14 e 24 anos, mostra o que realmente importa para quem está começando a construir sua trajetória profissional.
De acordo com o levantamento, a expectativa dos jovens é encontrar oportunidades de crescimento, um ambiente respeitoso e saudável, reconhecimento e identificação com os valores da empresa. O salário segue relevante, mas, para a maioria desse público, não é o principal motivo na escolha da vaga.
Para 54% dos entrevistados, a perspectiva de crescimento e desenvolvimento profissional é fundamental na escolha de um emprego.
Muitos jovens buscam empresas onde seja possível aprender, adquirir novas habilidades e vislumbrar a chance de ascender dentro da organização.
Esse fator supera inclusive o interesse exclusivo pela remuneração inicial, demonstrando que a visão de carreira está mais madura e conectada com objetivos de médio e longo prazo.
Apesar do foco no desenvolvimento, a remuneração e benefícios continuam sendo considerados por 43% dos jovens. Contudo, 79% afirmam que, embora salário seja relevante, não é o principal critério ao decidir onde trabalhar.
A estabilidade financeira é vista como parte do todo, mas outros aspectos despontam na preferência dessa geração.
Um ambiente de trabalho saudável é apontado como fator determinante por 31% dos entrevistados. Mais do que espaços físicos adequados, os jovens querem respeito, colaboração entre colegas e líderes acessíveis.
Destaca-se ainda a preocupação com o bem-estar e a saúde mental: 98% dos participantes consideram muito importante que a empresa valorize a saúde emocional dos trabalhadores.
A reputação da empresa pesa na decisão para 24% dos jovens, que priorizam organizações reconhecidas, tradicionais ou admiradas no mercado.
Além disso, 7 em cada 10 afirmam que não aceitariam trabalhar em uma companhia que não compartilhasse dos seus valores.
Para 98% dos entrevistados, é essencial ser valorizado e respeitado pela liderança e pelos colegas. Essa compatibilidade é vista como condição básica para se sentir motivado e engajado.
Ao contrário do que se poderia esperar após a intensificação do trabalho remoto, a flexibilidade de horários ou formatos aparece apenas na quinta posição entre as prioridades dos jovens, empatada com a proximidade da empresa da residência, ambos com 20% das respostas.
Isso sugere que, embora o modelo híbrido tenha seu apelo, outros fatores pesam mais na análise dessa geração, como oportunidades de aprendizagem e clima organizacional.
O levantamento mostra que 98% dos jovens reconhecem a importância social de empresas que contratam pessoas entre 14 e 24 anos, associando esse movimento ao desenvolvimento do país e à garantia de empregabilidade para a juventude.
Cerca de 96% enxergam o setor privado como agente fundamental para inserir jovens no mundo do trabalho e reduzir desigualdades.
Especialistas apontam que, além do salário, o jovem brasileiro deseja ser ouvido, respeitado e perceber sentido no que faz.
Questões como cuidar da saúde mental, receber feedback constante e desenvolver-se pessoalmente passaram a ser demandas universalizadas.
O reconhecimento e a compatibilidade de valores deixaram de ser um diferencial, tornando-se requisito para a permanência.
As novas gerações estão mais exigentes e alinhadas com o sentido e propósito do trabalho. Ao valorizar crescimento, saúde mental e ambiente saudável, os jovens transformam o mercado e pressionam as empresas a se reinventarem.
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