Profissões

O que os jovens almejam para o futuro profissional: CLT, empreendedorismo ou carreira acadêmica?

Pesquisa do Instituto Semesp revela que quase metade dos universitários ainda prefere a CLT — mas os dados variam muito conforme o tipo de faculdade

Publicado por
Yasmin Santos

Quase metade dos estudantes universitários brasileiros ainda prefere a carteira assinada — mas os números por trás dessa escolha revelam algo que poucos esperavam.

A narrativa de que a Geração Z rejeita o emprego formal e sonha apenas em virar influenciador ou empreendedor de startup não se sustenta diante dos dados. A 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgada pelo Instituto Semesp em março de 2026, mostra que a maioria dos jovens universitários ainda mira caminhos profissionais mais convencionais — com destaque para o emprego CLT, o empreendedorismo e a carreira acadêmica.

Mas as preferências variam bastante conforme o tipo de instituição frequentada. E esses números dizem muito sobre como o ensino superior molda — ou reflete — as ambições de quem está construindo seu futuro. Vale a pena entender o que está por trás dessas escolhas.

O que os jovens universitários brasileiros realmente querem

O levantamento analisa as pretensões profissionais de estudantes que participaram do Congresso Nacional de Iniciação Científica (CONIC-SEMESP) de 2025, considerando apenas alunos de cursos presenciais, divididos por tipo de instituição: centro universitário, faculdade e universidade.

Os três caminhos mais citados foram: ingresso no mercado de trabalho com CLT, empreendedorismo e carreira acadêmica. Uma parcela menor ainda está indecisa ou considera outras opções.

CLT ainda lidera entre jovens universitários

Por que o emprego formal segue como primeira escolha

A opção mais citada pelos estudantes é entrar no mercado de trabalho com emprego formal (CLT). Entre alunos de faculdades, essa preferência é ainda mais forte: 48,6% pretendem trabalhar em empresas com carteira assinada. Nas universidades, o índice é de 35,9%, enquanto nos centros universitários chega a 31,4%.

A predominância do modelo CLT entre estudantes de faculdades pode estar ligada à natureza dos cursos oferecidos — muitos voltados para formação técnica e inserção rápida no mercado. Já nas universidades, a variedade de opções tende a diluir esse percentual entre outros caminhos.

Empreendedorismo: forte entre alunos de centros universitários

O perfil de quem quer abrir o próprio negócio

O empreendedorismo aparece como a segunda alternativa mais mencionada, especialmente entre alunos de centros universitários, onde 31,0% pretendem abrir o próprio negócio ou criar uma startup. Entre estudantes de faculdades, o índice é de 23,8%, enquanto nas universidades cai para 19,6%.

O dado chama atenção: centros universitários — que combinam ensino prático com foco em gestão e negócios — lideram nessa categoria. Esse ambiente parece estimular mais o pensamento empreendedor do que os modelos tradicionais de universidade.

O que esse número revela sobre o ensino superior

O empreendedorismo não é mais visto apenas como plano B. Para uma parcela expressiva dos jovens, montar um negócio já faz parte do projeto profissional desde a graduação. Cursos de administração, tecnologia e gestão figuram entre os mais citados por quem deseja esse caminho.

Entre a CLT, o empreendedorismo e a academia: o sonho profissional da Geração Z. Fonte: Freepik.

Carreira acadêmica: a escolha de quem estuda em universidades

Pesquisa e docência atraem quem já vive o ambiente universitário

A carreira acadêmica, voltada para pesquisa e atuação em universidades, é mais valorizada entre alunos que já estudam em universidades. Nesse grupo, 30,4% dizem querer seguir esse caminho. Nos centros universitários, o interesse é de 20,4%, enquanto nas faculdades o percentual chega a 17,3%.

Faz sentido: quem estuda em universidades tem mais contato com pesquisa, iniciação científica e pós-graduação. Esse ambiente naturaliza a ideia de continuar na academia como opção profissional legítima e desejável.

Uma parte dos jovens ainda não sabe o que quer — e isso é normal

Os números da indecisão e de outras opções

Nem todos os estudantes chegam à universidade com o caminho definido. Uma parcela menor dos estudantes indicou outras possibilidades profissionais ou afirmou ainda não ter uma decisão clara. Os que ainda não sabem o que pretendem fazer representam: 13,7% nos centros universitários, 9,7% nas universidades e 7,5% nas faculdades.

A indecisão é maior nos centros universitários — o que pode indicar um perfil de estudante que ainda está explorando possibilidades ao longo da graduação.

O que é o Mapa do Ensino Superior do Semesp?

O Mapa do Ensino Superior no Brasil é um estudo anual produzido pelo Instituto Semesp, organização que reúne mantenedoras de instituições de ensino superior do país. A publicação analisa dados sobre educação superior, perfil dos estudantes, tendências do setor e expectativas profissionais dos jovens brasileiros.

Na 16ª edição, divulgada em março de 2026, o levantamento trouxe novos dados sobre o comportamento dos estudantes, incluindo suas preferências profissionais e perspectivas de carreira. É uma das fontes mais confiáveis para entender como os jovens brasileiros pensam o mercado de trabalho.

CLT, empreendedorismo ou carreira acadêmica: como escolher o melhor caminho

Fatores que influenciam a decisão profissional dos jovens

Não existe resposta certa para essa escolha. Cada trajetória tem vantagens e desafios reais:

  • CLT oferece estabilidade, benefícios e previsibilidade de renda
  • Empreendedorismo traz autonomia, mas exige tolerância ao risco e gestão de incertezas
  • Carreira acadêmica permite aprofundamento intelectual, mas demanda anos de dedicação em pós-graduação

O tipo de instituição frequentada, o curso escolhido e o contexto familiar são fatores que pesam nessa decisão — e os dados do Semesp deixam isso claro.

O que esses dados dizem sobre o futuro do trabalho no Brasil

Os números do Instituto Semesp mostram que os jovens brasileiros são mais pragmáticos do que o senso comum sugere. A CLT segue forte. O empreendedorismo cresce, mas de forma consistente — não como modismo. E a academia mantém seu espaço entre quem já vive esse ambiente.

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