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O isolamento social pode afetar nossa memória?

Por conta da pandemia devido ao Coronavírus, muitas pessoas estão confinadas em casa. Saiba como isso pode afetar nossa memória.

Publicado por
jessica cabral

Desde que começou o isolamento social você tem sentido dificuldades de lembrar de algumas coisas como enviar um e-mail, de encontrar a palavra certa ou esquecer de comprar alguma coisa no mercado?

Pode ter certeza que você não está sozinho. 

Muitas pessoas vem reclamando de falhas na memória desde que a pandemia iniciou.

Mesmo que as falhas sejam mais frequentes em pessoas acima de 60 anos, as queixas de falta de memória não são sinônimo de doenças neurológicas.

O isolamento social, necessário por conta da pandemia do Coronavírus, tem aumentado os casos de ansiedade, estresse e depressão.

Sendo assim, todos esses transtornos podem aumentar bastante a qualidade da memória e, mesmo com algumas flexibilizações da quarentena, pode levar um tempo para a recuperação.

De acordo com o Dr. Diogo Haddad, neurologista e coordenador do Núcleo da Memória do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o estresse causado pelo isolamento social, o medo de contaminação e outros fatores impactam no funcionamento da nossa memória.

Mas afinal, como isso pode acontecer?

Ao passar por uma situação de constante estresse, o sistema nervoso simpático, responsável por reagir e suportar situações de medo e perigo, libera adrenalina.

Enquanto isso, o eixo HPA (Hipotálamo-hipófise -Adrenal), um sistema neuroendócrino, libera o cortisol, conhecido como hormônio do estresse.

Desse modo, os dois influenciam o hipocampo, região responsável pela memória, que pode perder sua plasticidade. Principalmente em casos de isolamentos severos.

Esse tipo de desequilíbrio acabam comprometendo a forma com que aprendemos, como retemos novas informações e a forma com que realizamos tarefas diárias.

As pessoas acabam ficando mais desatentas e com a capacidade de concentração debilitada.

Cuidados com a memória durante o isolamento social

Os cuidados com idosos, principalmente com os já diagnosticados com algum tipo de demência, precisam de atenção especial durante o isolamento social.

Isso acontece pois podem ter dificuldades para lembrar dos procedimentos de segurança, como o uso de máscaras e higienização adequadas.

Além disso, idosos com esse tipo de doença podem sofrer bastante com o aumento dos níveis de estresse e ansiedade, piorando o nível da doença.

Sabendo disso, para tentar amenizar os efeitos e manter uma memória forte, é necessário que:

  • Faça alimentações saudáveis;
  • Tenha boas noites de sono;
  • Ouça música e assista filmes em outros idiomas;
  • Teste receitas culinárias antigas. Isto provoca memórias e trabalha a quantificação, que faz parte da matemática e do raciocínio lógico;
  • Experimente usar a mão não dominante. Este exercício amplia a formação de sinapses, que estimulam o cérebro e a memória;
  • Pratique atividades físicas diariamente;
  • Realize atividades simples, como: ler, escrever, jogos de tabuleiro ou de cartas;
  • Faça exercícios de relaxamento e respiração;
  • Faça trabalhos manuais, como bordado, crochê, tear. Esta tarefa é excelente, pois trabalha o raciocínio lógico: a pessoa tem que se lembrar dos pontos, de como é feito, e depois realizar com as mãos.

Ao realizar esses tipos de atividades faz com que reduza o nível de estresse e ajudam a conter as alterações cognitivas.

Caso os sintomas de falhas de memória, independente da idade, persistam, é indispensável a procura de um profissional.