A partir de terça-feira, 26 de maio de 2026, todas as empresas no Brasil passam a ser obrigadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego a monitorar indicadores de saúde mental de seus empregados.
Esta determinação surge após alterações na Norma Regulamentadora NR-1, que passa a exigir avaliação dos riscos psicossociais nos ambientes de trabalho com o objetivo de prevenir casos como ansiedade, depressão e burnout.
A atualização da NR-1 impõe que empresas revisem rotinas, prazos e relações interpessoais para identificar fatores que possam impactar negativamente a saúde mental de funcionários.
Conforme dados do Ministério da Previdência Social, apenas em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios para afastados por transtornos mentais e comportamentais, resultado de um aumento de 15,7% em relação ao ano anterior.
Esse cenário representa um gasto próximo a R$ 1 bilhão pelo INSS, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).
A exigência não é exclusiva para grandes corporações. Pequenos negócios também precisam implementar processos de diagnóstico e acompanhamento, proporcionalmente ao porte e área de atuação.
A fiscalização será realizada por auditores do Ministério do Trabalho, considerando metodologias adaptáveis ao contexto de cada empresa.
Transtornos como ansiedade e episódios depressivos foram as maiores causas de licenças. Mulheres representam 63,5% dos afastamentos motivados por esses problemas, apontando um cenário que exige atenção das lideranças e times de recursos humanos.
Uma pesquisa da Mercer Marsh Benefícios mostrou que, entre 2022 e 2025, foram registrados 2,3 milhões de afastamentos, colocando a saúde mental como a terceira maior causa de ausências no ambiente das empresas analisadas.
O controle da saúde mental nas empresas pode resultar em queda do absenteísmo e diminuição da rotatividade, promovendo maior estabilidade e produtividade nas equipes.
Outro ponto relevante é a possível redução de custos judiciais e previdenciários. Entre 2020 e 2025, foram registradas 601.538 ações trabalhistas relativas a danos morais por assédio, segundo especialistas, um número que tende a diminuir com a adoção de práticas preventivas sólidas.
Além disso, empresas que conseguem evitar afastamentos por doenças psicossociais poderão pagar menos sobre a contribuição previdenciária, já que o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) considera o histórico de acidentes e doenças ocupacionais na definição do percentual sobre a folha salarial, variando entre 0,5% e 6% dependendo do histórico.
Para atender à norma, as empresas podem recorrer a várias estratégias: treinamentos para lideranças, canais de denúncias confiáveis e pesquisas periódicas de clima organizacional.
Empresas como M. Dias Branco e o grupo Sinergia Educação intensificaram ações preventivas, investindo em rodas de conversa, campanhas educativas, atendimento psicológico e avaliações constantes do ambiente laboral.
Segundo especialistas, o envolvimento do RH nas relações diárias, o monitoramento dos indicadores e a proximidade com funcionários são fatores que permitem uma resposta rápida a indícios de problemas, fortalecendo o ambiente interno e reduzindo riscos de afastamentos em massa.
Durante os primeiros 90 dias de vigência, a fiscalização terá caráter orientativo, com uma visita para recomendação de ajustes e outra para confirmação. A partir daí, descumprimentos podem resultar em multas, com exigência de comprovação documental das iniciativas adotadas para atender a NR-1.
O desafio de implementação varia conforme o tamanho da empresa. Organizações maiores, apesar de lidarem com volume elevado de funcionários, frequentemente contam com times dedicados à saúde e segurança ocupacional.
Já pequenas empresas precisam buscar alternativas econômicas, como consultorias externas ou treinamentos simplificados, para cumprir a norma sem comprometer o orçamento.
Com a implementação obrigatória do monitoramento da saúde mental, espera-se maior cuidado com as relações no ambiente de trabalho e redução dos índices de afastamento por doenças relacionadas ao estresse.
Empresas que já adotam práticas de promoção do bem-estar relatam avanços significativos no engajamento e satisfação dos funcionários, além de maior retenção de talentos e imagem positiva perante o mercado.
O monitoramento da saúde mental nas empresas deixa de ser uma tendência para se tornar uma obrigação legal.
A norma reforça a importância do cuidado psíquico dentro das organizações, seja qual for o porte, criando um novo padrão de atenção aos fatores invisíveis do ambiente de trabalho brasileiro.
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