Os novos painéis estatísticos da Receita Federal, elaborados com base nas declarações do Imposto de Renda de 2026 e divulgados nesta quinta-feira (2), revelam que os titulares de cartório estão entre os profissionais com maior patrimônio acumulado no país. Em média, esse grupo declarou R$ 3,28 milhões em bens, valor bastante superior à média nacional, que foi de R$ 409 mil.
As estatísticas do Imposto de Renda permitem a consulta detalhada de informações por profissão, faixa de renda, estado, sexo, idade e raça/cor. A iniciativa faz parte da nova plataforma de painéis estatísticos da Receita Federal, criada para ampliar o acesso a dados relevantes para gestores públicos, pesquisadores e a sociedade em geral, preservando o sigilo fiscal dos contribuintes.
A seguir, confira o ranking das profissões que aparecem no topo da lista de maiores patrimônios declarados.
Logo atrás dos titulares de cartório aparecem os membros do Poder Judiciário, com patrimônio médio de R$ 2,93 milhões, e os integrantes do Ministério Público, com média de R$ 2,9 milhões. Diplomatas e profissionais da diplomacia ocupam a quarta posição no ranking, com média patrimonial de R$ 2,52 milhões.
Outras ocupações também se destacam entre os maiores patrimônios declarados, como atletas e desportistas, com média de R$ 1,71 milhão; dirigentes e diretores de empresas industriais, com R$ 1,66 milhão; e produtores agropecuários, com R$ 1,58 milhão. Esses grupos apresentam perfis distintos, mas têm em comum a elevada concentração de patrimônio entre os profissionais declarantes.
Confira o ranking do patrimônio médio por ocupação principal, com base nos dados de 2025 declarados no Imposto de Renda 2026:
| Profissão / Ocupação | Patrimônio médio declarado |
|---|---|
| Titulares de cartório | R$ 3,28 milhões |
| Membros do Poder Judiciário | R$ 2,93 milhões |
| Membros do Ministério Público | R$ 2,9 milhões |
| Diplomatas e afins | R$ 2,52 milhões |
| Atletas, desportistas e afins | R$ 1,71 milhão |
| Dirigentes, presidentes e diretores de empresas industriais | R$ 1,66 milhão |
| Produtores agropecuários | R$ 1,58 milhão |
Os dados consideram exclusivamente os contribuintes obrigados a entregar a declaração do Imposto de Renda. Em 2026, precisou declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025. Por isso, as estatísticas não retratam toda a população brasileira.
No ciclo deste ano, a Receita Federal recebeu 44,498 milhões de declarações, número acima da expectativa inicial, que era de 44 milhões. A maior parte dos documentos enviados corresponde a contribuintes com imposto a restituir, representando 56,1% do total. Outros 23% tiveram imposto a pagar, enquanto 21% ficaram com saldo zero.
A Receita Federal permite a análise dos dados não apenas por profissão, mas também por critérios como sexo, idade, localização geográfica e raça/cor. Com isso, a plataforma reforça os pilares de diversidade, transparência e acesso a informações agregadas de interesse público.
As combinações nos filtros dos painéis estão disponíveis desde que haja quantidade mínima de declarantes no grupo ou segmento analisado, protegendo assim a individualidade dos dados fiscais e garantindo confiabilidade ao acesso público.
A Receita Federal utilizou avançados mecanismos de proteção para evitar qualquer possibilidade de identificação pessoal. Todos os números são apresentados de forma agregada e com proteção extra nos cruzamentos de dados, impedindo o acesso a informações individuais mesmo quando diferentes filtros são combinados nos painéis.
Essas medidas de segurança reforçam a confiança na utilização das informações tanto para estudos e pesquisas quanto para o desenvolvimento de políticas públicas que possam aproveitar os recortes sociais e econômicos apresentados.
Além das ocupações com maior patrimônio médio declarado, os dados também revelam outros aspectos do perfil dos contribuintes que entregaram a declaração do Imposto de Renda em 2026. Entre os pontos de destaque estão o avanço no uso da declaração pré-preenchida e a adesão ao modelo simplificado de tributação.
Outro dado relevante é o volume de declarações retificadoras, que representaram 8,1% do total enviado no período. O índice indica uma preocupação maior dos contribuintes com a correção e o detalhamento das informações financeiras e tributárias prestadas à Receita Federal.
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