Economia

Governo anuncia: entregadores poderão acessar linha de crédito para a compra de motos

Financiamento deve alcançar mais de 1 milhão de trabalhadores e até motos elétricas entram na proposta

Publicado por
Luiza Pereira

O governo federal prepara uma linha de crédito com condições facilitadas para entregadores de aplicativo comprarem ou trocarem de moto.

A medida deve alcançar um público estimado entre 700 mil e 1,2 milhão de trabalhadores em todo o país e segue o modelo do programa já criado para motoristas de aplicativo e taxistas. O anúncio oficial está previsto ainda para este mês de junho.

Confira, a seguir, como o financiamento deve funcionar e quem poderá participar!

Como deve funcionar a nova linha de crédito

A ideia é simples: o governo paga parte do custo do empréstimo para que o entregador pegue o financiamento com juros bem menores que os do mercado. O dinheiro pode ser usado para comprar a primeira moto ou trocar a que já está desgastada pelo trabalho.

Como a moto custa em média R$ 17,8 mil no país, bem menos que um carro, as parcelas tendem a caber na renda da categoria.

As motos elétricas, que saem entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, também entram no financiamento, sem exigência de fabricante nacional.

Veja quem poderá pedir o financiamento

Segundo técnicos a par das discussões, o acesso ao crédito deve exigir:

  • Vínculo ativo com uma plataforma de entregas, como o iFood;
  • Tempo mínimo de seis meses prestando serviço para o aplicativo;
  • Comprovação da atividade, que será verificada na contratação.

A regra busca direcionar o benefício a quem de fato vive das entregas, e não a quem faz corridas de forma eventual.

A exigência também tem uma função prática: permitir que a parcela do empréstimo seja descontada diretamente da remuneração creditada na conta do entregador, o que reduz o risco de atraso e ajuda a baixar os juros da operação.

Como garantir o crédito quando o programa for lançado

Financiamento com juros reduzidos deve permitir a compra ou troca da moto e tem anúncio previsto para junho. Imagem: Notícias Concursos

Por enquanto, não há canal de solicitação aberto: o financiamento só poderá ser contratado depois do anúncio oficial, previsto para este mês de junho, quando o governo divulgar os bancos participantes e as regras finais.

Enquanto isso, o entregador pode se preparar para sair na frente:

  • Mantenha o cadastro ativo na plataforma de entregas, pois o vínculo de pelo menos seis meses deve ser o principal requisito;
  • Guarde os comprovantes da atividade, como extratos de repasses e histórico de corridas no aplicativo;
  • Organize seus documentos pessoais (CPF, identidade e comprovante de residência), exigidos em qualquer financiamento;
  • Acompanhe os canais oficiais do governo para saber a data de liberação e os bancos credenciados.

Cumprindo o requisito do tempo mínimo, a contratação deve ser feita diretamente no banco participante, com a parcela descontada da remuneração creditada pela plataforma.

E atenção: até o lançamento oficial, qualquer oferta antecipada em nome do programa é golpe.

Entenda o que o governo estuda para baratear as parcelas

Como muitos entregadores trabalham sem carteira assinada e ganham pouco, os bancos veem risco de calote e cobram juros altos. Para contornar isso, o governo estuda duas proteções:

  • Fundo garantidor: uma reserva pública que cobre a dívida se o trabalhador não conseguir pagar. A principal opção é o Fundo de Garantia de Operações (FGO), já usado em outros programas de crédito do governo;
  • Seguro: uma proteção extra, já que os bancos têm mais dificuldade de recuperar uma moto do que um carro em caso de inadimplência.

Na prática, o entregador não precisa fazer nada em relação a essas garantias: elas funcionam nos bastidores, entre o governo e os bancos, e servem apenas para destravar o empréstimo e reduzir os juros cobrados de quem financia.

Conheça o programa que inspirou a medida

A nova linha segue os passos do Move Aplicativos, programa lançado pelo governo para financiar veículos de motoristas de aplicativo e taxistas, com crédito de até R$ 150 mil por trabalhador.

Com a versão para entregadores, o Executivo amplia o alcance da política de crédito voltada aos profissionais que dependem de veículo próprio para gerar renda nas plataformas digitais. A diferença é que, no caso das motos, os valores envolvidos são menores e o público potencial é ainda maior.

Trabalha com entregas e depende da moto para garantir a renda? Acompanhe o Notícias Concursos e saiba em primeira mão quando a linha de crédito for oficializada.