Categorias: Atualidades

Fim das comprinhas: relator quer acabar com isenção em compras da Shein

Publicado por
Aécio de Paula

Em breve, brasileiros que costumam fazer compras em sites estrangeiros poderão receber uma nova surpresa desagradável. Nesta semana, o deputado federal Atila Lira (PP-PI) inseriu o fim da isenção de compras internacionais no relatório do texto que cria o programa nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover).

O fim da isenção seria aplicado nas compras de empresas internacionais para os casos dos produtos que custam menos do que US$ 50. Desde o lançamento do Remessa Conforme, consumidores de todo o país passaram a ter o direito a esta isenção, mas caso este projeto seja aprovado até mesmo este benefício poderá chegar ao fim.

A ideia de acabar com a isenção de impostos para os produtos que custam menos do que US$ 50 partiu do varejo nacional. O plano das empresas brasileiras é permitir o encarecimento dos produtos importados. Assim, os brasileiros poderiam voltar a realizar mais compras em lojas nacionais.

“Propomos revogar a possibilidade de importações via remessa postal que hoje estão isentas, para não gerar desequilíbrio com os produtos fabricados no Brasil, que pagam todos os impostos”, afirma o parlamentar no parecer.

O relatório em questão ainda terá que ser discutido entre líderes partidários e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) ainda nesta terça-feira (7). Em caso de acordo, existe a possibilidade de o projeto ser votado ainda na data de hoje.

Alckmin e a Shein

Recentemente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) chegou a cravar que, de um jeito ou de outro, o governo federal vai aplicar a nova taxação mesmo sobre produtos que custam menos do que US$ 50.

“Pretendemos periodicamente estar ouvindo o setor de comércio e serviços. Comércio eletrônico foi feito o trabalho nas plataformas digitais para formalização dos importados. Já começou a tributação de ICMS, e o próximo passo é o imposto de importação, mesmo para os (produtos importados) com menos de US$ 50”, disse o vice-presidente.

Hoje, a avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que um aumento da taxação destes produtos pode afetar diretamente a popularidade do presidente Lula neste momento. E o impacto poderia ser sentido justamente entre os mais pobres, que costumam fazer compras nestes sites.

Alckmin já vinha sinalizando fim da isenção. Imagem: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O Remessa Conforme

O programa Remessa Conforme está em vigor desde o dia 1º de agosto do ano passado, e tem impacto apenas nas empresas estrangeiras que aceitaram fazer parte do projeto. A varejista que entra no esquema, passa a ganhar uma isenção total de imposto de importação, mas precisa pagar a alíquota unificada de 17% do ICMS, uma taxação de caráter estadual.

Contudo, a empresa que não entra no Remessa Conforme, segue precisando seguir as regras atuais, que indicam uma taxação completa de 60% de imposto de importação, e mais 17% de ICMS para produtos de qualquer valor.

Para tentar burlar esta legislação, a suspeita é que algumas empresas estejam se passando por pessoas físicas justamente para conseguir a isenção completa ao menos para os produtos que custam menos do que US$ 50. É por isso que algumas companhias estariam se passando por uma pessoa física. Assim, elas conseguiriam burlar o fisco.

“O principal desse programa é que Fisco brasileiro passe a ter informações”, disse Barreirinhas.

Aumento do imposto da Shein

O governo federal segue sendo pressionado por setores do varejo nacional para aumentar a taxação de impostos sobre compras internacionais. Empresas brasileiras querem que os produtos estrangeiros se tornem mais caros, a ponto de fazer com que os consumidores do Brasil voltem a optar por comprar os itens no mercado nacional.

No plano de orçamento enviado ao congresso nacional no ano passado, há uma previsão de que existirá uma alíquota mínima de 20% para o imposto de importação, mesmo para os produtos que custam menos do que US$ 50.