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Falha da Amazon derruba mais de 500 aplicativos no mundo todo: entenda o que aconteceu

AWS apresenta falha crítica e derruba Mercado Livre, PicPay e centenas de apps

Publicado por
Yasmin Santos

Uma pane crítica nos servidores da Amazon Web Services (AWS) paralisou mais de 500 aplicativos e plataformas digitais nesta segunda-feira (20). A instabilidade, que durou aproximadamente 10 horas, atingiu serviços como Mercado Livre, PicPay, Duolingo, Canva, Fortnite e diversas outras aplicações que dependem da infraestrutura em nuvem da Amazon.

O problema teve origem em um dos data centers mais importantes da AWS, localizado na Virgínia do Norte (região US-EAST-1), nos Estados Unidos. Segundo comunicado oficial da Amazon, a falha estava relacionada a problemas na resolução de DNS do endpoint da API do DynamoDB, impedindo que os serviços se comunicassem adequadamente com os bancos de dados hospedados na nuvem. Os primeiros relatos começaram às 5h40 (horário de Brasília), com pico de reclamações registrado pelo site Downdetector.

O que provocou o colapso dos serviços

Sobrecarga e complexidade do sistema

Eduardo Freire, estrategista de inovação e CEO da FWK, aponta três fatores principais para a ocorrência da falha. Primeiro, a explosão de demanda com inteligência artificial, streaming e autenticação em tempo real pressionou redes, filas e sistemas DNS além de sua capacidade planejada.

Segundo, as regras de soberania de dados por país aumentaram a complexidade operacional, reduzindo a margem de manobra quando algo falha. Por fim, sistemas legados tanto na nuvem quanto nas telecomunicações criaram pontos de estrangulamento difíceis de substituir.

A infraestrutura digital transformou-se numa cadeia interdependente, onde a degradação de um nó central provoca efeito cascata, gerando quedas generalizadas em serviços aparentemente não relacionados.

Vulnerabilidade do ecossistema digital

Igor Lucena, economista e Doutor em Relações Internacionais, explica que o apagão cibernético ocorre quando toda a cadeia de infraestrutura é desabilitada. Isso envolve não apenas data centers, mas também sistemas de controle de energia, cabos submarinos e equipamentos periféricos que sustentam o funcionamento tecnológico global.

O especialista destaca que o sistema cibernético depende de um conjunto de elementos físicos – servidores, energia, sistemas elétricos e a própria rede de Internet. Trata-se de um ecossistema sujeito a riscos diversos, desde desastres naturais como terremotos e tufões até ataques cibernéticos deliberados.

A falha na AWS: detalhes sobre o problema nos data centers da Amazon. Imagem: Business Standard.

Impacto nos usuários brasileiros e globais

Serviços afetados pela pane

A lista de plataformas impactadas incluiu categorias diversas:

  • Entretenimento e Jogos: Roblox, Fortnite, Amazon Prime Video
  • Educação e Produtividade: Duolingo, Canva, Trello
  • E-commerce: Mercado Livre, OLX, aplicativo do McDonald’s
  • Serviços financeiros: Coinbase, Venmo, PicPay
  • Redes sociais: Snapchat, Facebook
  • Assistentes Virtuais: Alexa

No Brasil, usuários do Mercado Livre conseguiam abrir o aplicativo, mas encontravam mensagens de erro ao tentar realizar buscas ou completar transações. A assistente virtual Alexa apresentou comportamento peculiar: reconhecia comandos pelas luzes do dispositivo, mas ficou sem resposta de voz. O Duolingo manteve lições funcionando parcialmente, porém sem acesso ao ranking de ligas.

AWS e sua posição dominante no mercado

Concentração de poder tecnológico

A Amazon Web Services detém aproximadamente 30% do mercado global de infraestrutura em nuvem, atendendo mais de quatro milhões de clientes. A empresa funciona alugando poder de processamento, armazenamento de dados e ferramentas tecnológicas para organizações em todo o mundo, permitindo que operem sem manter servidores próprios.

Raphael Farinazzo, COO da PM3, destaca que muitos negócios não existiriam ou não teriam alcance global sem serviços como AWS, Google ou Microsoft. A escala desses provedores permite que aplicações sirvam o mundo inteiro a um custo muito mais baixo do que infraestruturas próprias. Contudo, essa concentração cria dependência estrutural.

Medidas preventivas e lições aprendidas

Redundância como estratégia essencial

Para evitar futuras ocorrências, Igor Lucena enfatiza a necessidade de investimentos recorrentes em avanço tecnológico e informacional.

A redundância emerge como ponto: servidores interligados funcionando de forma independente, onde quando uma rede cai, outra entra em funcionamento automaticamente. Quando há um conjunto robusto de protocolos e sistemas redundantes, o risco diminui, embora nunca seja completamente eliminado.

Histórico de falhas similares

Este não representa um caso isolado no setor. Em 2024, uma atualização defeituosa da CrowdStrike Holdings provocou cancelamento de voos e quedas de sistemas mundialmente, causando prejuízos bilionários.

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Recuperação e perspectivas futuras

A Amazon trabalhou em “caminhos paralelos para acelerar a recuperação” durante toda a segunda-feira. Às 15h30, a empresa informou ter resolvido o problema que impedia a criação de novos servidores virtuais (instâncias EC2) no data center da Virgínia. As funções automáticas dos aplicativos (Lambda) voltaram ao normal, embora alguns usuários continuassem experimentando lentidão durante o período de estabilização.

Especialistas recomendam que empresas considerem estratégias de redundância e múltiplos provedores de nuvem. Para usuários comuns, manter aplicativos atualizados e ter alternativas offline para tarefas críticas pode amenizar transtornos futuros.