Em 9 de janeiro de 2007, Steve Jobs subiu ao palco e disse três palavras que ninguém esqueceu: “Hoje, a Apple vai reinventar o telefone.” Naquele momento, o mundo ainda não sabia que aquele aparelho mudaria a forma como bilhões de pessoas se comunicam, trabalham e vivem. Dezoito anos depois, com a Apple completando 50 anos, vale a pena olhar para o começo — e entender o tamanho daquela aposta.
O primeiro iPhone não era apenas um celular. Era uma junção de iPod, telefone e dispositivo de internet em um único aparelho, sem teclado físico. Uma ideia simples no discurso, mas extremamente complexa na prática. E, curiosamente, até os próprios engenheiros da Apple ficaram surpresos com o que aconteceu depois.
No início dos anos 2000, o maior produto da Apple era o iPod. Até abril de 2004, o iPod já vendia mais que o Mac e crescia mais de 900% em relação ao ano anterior.
Mas esse sucesso trouxe uma preocupação real. Executivos da Apple observavam enquanto Motorola e Samsung lançavam novos celulares com tocadores de MP3 integrados e questionavam se os dias do iPod estavam contados.
Foi então que a empresa tomou uma decisão que poucos esperariam: trabalhar para tornar seu próprio produto mais vendido obsoleto.
Tony Fadell, ex-executivo da Apple que co-criou o iPod e ajudou a liderar o desenvolvimento inicial do iPhone, resumiu o dilema: “Nós pensamos, as pessoas só vão carregar um dispositivo. Elas vão ter um celular com música, ou vão ter um produto Apple com música e comunicações.”
A resposta para essa pergunta foi o iPhone.
A primeira versão interna do aparelho era bem diferente do produto final. A primeira iteração parecia um iPod que podia fazer ligações telefônicas — e até tinha a roda clicável do iPod.
O problema ficou claro rapidamente. A roda clicável não permitia enviar mensagens de texto nem discar um número de telefone. Então tentaram fazer iPods com telefones, e esses foram fracassos.
A solução foi a tela sensível ao toque. Embora esse tipo de tecnologia já existisse antes do iPhone, a Apple refinou a tecnologia e construiu um software que funcionava com suavidade suficiente para convencer os consumidores de que valia a pena abandonar os botões físicos — o que exigiu centenas de pessoas dentro da Apple trabalhando em detalhes técnicos como a laminação da tela e a rejeição de umidade.
O aparelho lançado em 29 de junho de 2007 nos Estados Unidos trazia:
No Brasil, o primeiro iPhone a chegar foi o da segunda versão, o iPhone 3G, em 2008.
A criação do primeiro iPhone foi marcada por um esforço intenso das equipes. Rubén Caballero, vice-presidente de engenharia da Apple de 2005 até 2019, lembrou de trabalhar longas noites e fins de semana nos aproximadamente dois anos e meio que antecederam o lançamento. “Eu dormi, muitas vezes, debaixo da minha mesa”, disse ele.
Além do hardware, o software representava um desafio enorme. Andy Grignon, ex-gerente sênior da Apple que trabalhou no primeiro iPhone, explicou que cada aplicativo teve que ser reescrito do zero. “Você havia introduzido uma nova forma de interagir com esses aplicativos com seus dedos. Nada era estável desde a base.”
Christian Perrone, head de Direito e GovTech no ITS Rio, resume bem: “O iPod não é apenas o aparelho; ele está ligado ao iTunes. Assim como o iPhone não vem sozinho, ele está ligado ao sistema operacional iOS e a todos os aplicativos que vêm com ele.”
Esse raciocínio explica por que o iPhone se tornou mais do que um smartphone. Ele é a base de todo um conjunto de produtos e serviços que se conectam entre si.
Camila Ghattas, pesquisadora de tendências tecnológicas, define bem essa relação: “O smartphone é o corpo, e os softwares são a alma.” Para ela, a Apple teve a capacidade de lançar o smartphone de forma mais estratégica — não apenas com um hardware melhor, mas pensando no ecossistema desde o início.
O mercado de telefones era dominado por Nokia e Motorola. A US$ 500, o primeiro iPhone era significativamente mais caro que um telefone comum. E as operadoras mantinham um controle rígido sobre o marketing e a distribuição.
Andy Grignon afirmou que esperava que o telefone fosse um “produto de luxo de categoria superior” e que aqueles dentro da Apple ficaram “bastante surpresos” com a reação do mercado ao primeiro modelo.
Hoje, existem mais de 2,5 bilhões de dispositivos Apple em uso globalmente. Um total de 33 séries do iPhone já chegaram às mãos dos consumidores, com os modelos mais recentes — iPhone 17, 17 Pro, 17e e 13 Pro Max — lançados em 2025.
Para Caballero, o iPhone é o dispositivo que provavelmente definirá o legado da Apple no longo prazo. “É aquele momento na história que as pessoas lembram.”
Fadell acredita que a indústria está em um novo “momento existencial” por causa da inteligência artificial e que “a Apple precisa pensar diferente do que fez nos últimos 10 a 15 anos. Ela precisa pensar em inovar novamente.”
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