Você já refletiu sobre como a tecnologia pode gerar novas profissões quase instantaneamente? Enquanto muitos discutem os empregos que a automação pode eliminar, uma nova função tem ganhado destaque, especialmente no Brasil. O cargo de treinador de IA deixou de ser uma perspectiva futura para se tornar uma realidade em expansão, com um aumento de 642% nas contratações no país em 2025.
Esse dado, extraído do Global Hiring Report da Deel, revela a alta demanda por profissionais importantes para o desenvolvimento da inteligência artificial. Cada vez mais, esse perfil se torna fundamental para o avanço da tecnologia, refletindo um mercado de trabalho em constante evolução. Confira a seguir os detalhes dessa profissão em ascensão.
O crescimento exponencial no Brasil não é um evento isolado. A América Latina consolidou-se como um polo estratégico para a indústria de inteligência artificial, com diversos países apresentando um aumento na contratação de treinadores de IA. A Colômbia lidera o movimento com um avanço de 745%, seguida de perto pela Argentina, com 724%. O Brasil, com seus 642%, ocupa uma posição de destaque, à frente do México (+408%) e Chile (+209%).
Essa expansão regional é impulsionada pela necessidade de contextualização. “Diversas indústrias precisam de conhecimento local, domínio de idiomas e especialização para garantir que seus modelos de IA funcionem de forma eficaz em diferentes contextos”, explica Natalia Jiménez, diretora de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina na Deel.
Isso abre muitas oportunidades para talentos locais que podem oferecer essa camada de conhecimento cultural e linguístico.
Mas, afinal, o que faz um profissional desta área? O treinador de IA é a peça humana que garante a qualidade e a precisão dos sistemas de inteligência artificial. Sua principal responsabilidade é supervisionar, validar e adaptar os modelos para que suas respostas sejam coerentes, precisas e adequadas aos mais diversos cenários.
As atividades diárias incluem o treinamento e a rotulagem de dados, a validação de respostas complexas e a realização de ajustes finos nos algoritmos. Esses profissionais podem atuar como generalistas ou se especializar em campos específicos como medicina, economia, tradução, matemática e testes de software, tornando a função ainda mais valiosa e diversificada.
No Brasil, a demanda tem se concentrado em perfis específicos que refletem a maturidade do mercado. Os cargos mais procurados são os de treinadores de IA generalistas, analistas de testes com foco em IA (software testers) e tradutores especializados. Essa configuração indica uma evolução de posições mais operacionais para funções que exigem alta qualificação técnica e conhecimento aprofundado.
A necessidade de expandir sistemas de IA para novos idiomas e mercados globais é um dos principais impulsionadores desse crescimento. O talento brasileiro se torna essencial para garantir que a tecnologia “fale a língua” do usuário final, tanto no sentido literal quanto cultural.
Globalmente, a remuneração para um treinador de IA varia conforme a especialização. Cerca de 30% desses profissionais ganham entre US$ 15 e US$ 20 por hora. Uma fatia de 19% recebe entre US$ 50 e US$ 75 por hora, enquanto 6% atuam em funções altamente especializadas com ganhos que ultrapassam US$ 100 por hora. No Brasil, o relatório aponta uma média salarial que gira em torno de US$ 15 por hora.
Apesar do crescimento em mercados emergentes, a distribuição desses profissionais ainda é concentrada. Os Estados Unidos reúnem aproximadamente 58% dos treinadores de IA do mundo. Em seguida, vêm Índia (7%), Filipinas (4%), Canadá (2%) e Quênia (1%).
No entanto, a tendência é que essa distribuição se torne mais equilibrada à medida que a necessidade de conhecimento local se intensifica, beneficiando regiões como a América Latina.
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