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“Síndrome do Lobisomem”: Anvisa alerta sobre risco raro em bebês causado por uso de Minoxidil

Entenda o novo alerta da Anvisa para o uso de uma substância específica que está causando uma síndrome em bebês

Publicado por
Aécio de Paula

Você já ouviu falar em Síndrome do Lobisomem? O nome chama atenção, mas a condição é real, e um alerta agora vem da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

O motivo? Um medicamento popular que está sendo usado no combate à calvície: o Minoxidil. Quem costuma usar as redes sociais com frequência certamente já ouviu falar no remédio. 

O que diz a Anvisa

Sobre este assunto, a Anvisa emitiu um alerta sobre o risco de hipertricose, um crescimento anormal de pelos no corpo em bebês expostos acidentalmente ao produto. 

A condição é rara, mas preocupante: os pelos podem crescer em praticamente todo o corpo da criança, poupando apenas a palma das mãos e a sola dos pés.

Casos semelhantes já foram registrados na Europa, e a causa tem sido a exposição indireta ao Minoxidil, quando aplicado por adultos e deixado em superfícies de contato com bebês, como braços, rosto ou até mesmo roupas.

Segundo a Anvisa, o problema costuma se reverter meses após a suspensão do contato com o medicamento. Ainda assim, o alerta é sério e requer atenção imediata.

Entenda o alerta

Se você não conhece ou nunca ouviu falar desse medicamento, não há problema. O Minoxidil é usado para tratar queda de cabelo e calvície, além de preencher falhas em barba e sobrancelhas.

O problema é que bebês que têm contato com áreas onde o produto foi aplicado podem desenvolver hipertricose.

Neste sentido, a Anvisa exigiu que as bulas do medicamento sejam atualizadas, incluindo o risco para crianças.

Por isso, logo depois da aplicação, os usuários devem lavar bem as mãos e evitar contato com os pequenos.

Aos profissionais de saúde, a dica da Anvisa é orientar os pais sobre esses cuidados.

Seja bebê ou não, se você constatar casos de reações adversas, a orientação é notificar a Anvisa pelo sistema Vigimed.

Quando procurar ajuda?

Se você usa Minoxidil e percebe crescimento anormal de pelos em uma criança que convive com você, a recomendação é clara: procure um médico imediatamente. 

A detecção precoce e a interrupção do contato com o produto são essenciais para a reversão do quadro.

Alerta foi feito pela Anvisa nesta semana. Imagem: Agência Brasil

Mas, afinal, o que é o Minoxidil?

Apesar de muita gente conhecer o produto por seu uso contra a calvície, o minoxidil é, na verdade, um vasodilatador. Na prática, isso significa que ele atua ampliando os vasos sanguíneos, o que aumenta a circulação na região em que é aplicado. 

Originalmente ele foi desenvolvido para controlar a pressão arterial alta, mas o medicamento mostrou um “efeito colateral” curioso: o crescimento de pelos. Daí para os tratamentos capilares foi um pulo.

Mas é preciso ter atenção porque o uso deve ser feito com prescrição médica ou orientação farmacêutica. Nada de sair usando por conta própria.

O uso mais conhecido é no tratamento da calvície hereditária, mas há outras situações em que dermatologistas o recomendam, mesmo que esses usos não constem na bula (o famoso off label). Veja alguns exemplos:

  • Alopecia areata (queda repentina em áreas circulares);
  • Alopecia por quimioterapia;
  • Hipotricose (poucos fios por causas genéticas);
  • Alopecia cicatricial;
  • Após transplantes capilares;
  • Queda de cabelo pós-Covid-19.

A ciência ainda não entende completamente o mecanismo do minoxidil no crescimento capilar, mas algumas teorias já ganharam força:

  • A vasodilatação aumenta o fluxo de sangue no couro cabeludo, nutrindo melhor os folículos;
  • Ele estimula os canais de potássio nas células do cabelo, acelerando a transição da fase de repouso (telógena) para a de crescimento (anágena);
  • Também ajuda a aumentar o diâmetro dos fios, deixando-os mais espessos.

“O medicamento não cura a calvície, mas ajuda a controlar o quadro, especialmente em pessoas com menos de 40 anos e queda recente”, explica Marcelo Polacow, presidente do CRF-SP.