Você já viu as notícias sobre o vírus Nipah na Índia e ficou preocupado com a possibilidade de uma nova epidemia no Brasil às vésperas do Carnaval? Você tem dúvidas sobre os riscos reais da doença e seus possíveis impactos? É importante ficar em alerta.
A seguir, veja o que dizem especialistas e autoridades de saúde sobre o cenário atual.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah é uma doença infecciosa grave, capaz de provocar problemas respiratórios e inflamação no cérebro. Ele é classificado como zoonótico, ou seja, pode ser transmitido de animais para seres humanos, principalmente por meio de morcegos frugívoros e porcos.
Além disso, em algumas situações, também pode ocorrer transmissão entre pessoas, especialmente em ambientes hospitalares.
A doença é considerada prioritária pela Organização Mundial da Saúde devido ao seu potencial de causar surtos e à alta taxa de mortalidade.
Por que a taxa de mortalidade é alta
A letalidade do Nipah pode chegar a 70% em alguns surtos. Isso acontece porque não existe vacina nem tratamento específico contra o vírus.
O atendimento é baseado apenas em suporte clínico, como hidratação, controle da pressão e monitoramento respiratório.
Segundo especialistas, quanto mais cedo o paciente recebe cuidados, maiores são as chances de sobrevivência.
Como o vírus é transmitido
A transmissão do vírus Nipah pode ocorrer por meio do contato com secreções de morcegos ou porcos infectados, pelo consumo de alimentos contaminados e, em situações específicas, pelo contato direto com pessoas doentes.
Segundo a infectologista Rosana Richtmann, a transmissão entre humanos é limitada e acontece principalmente entre profissionais de saúde que atuam sem proteção adequada.
“Os sintomas iniciais são como os de qualquer outra virose: dor de cabeça, dor no corpo, febre. Só que eles evoluem em alguns dias para um quadro de alteração do nível de consciência […] que pode evoluir para consequências neurológicas e até para a morte”, detalha a infectologista.”, diz Rosana.
Os sintomas iniciais do vírus Nipah costumam se parecer com os de uma virose comum, como febre, dor de cabeça, dor muscular, cansaço e tontura, mas podem evoluir rapidamente para dificuldade para respirar, confusão mental, sonolência e, em casos mais graves, convulsões.
Quando a infecção avança, há risco de coma, sequelas neurológicas permanentes e até morte.
Existe risco de epidemia no Brasil?
Segundo especialistas, o risco de o Brasil enfrentar um surto de Nipah é considerado muito baixo. Isso ocorre porque o país não abriga o principal hospedeiro natural do vírus.
De acordo com o professor Paulo Eduardo Brandão, da Universidade de São Paulo, a ausência desses animais reduz a chance de circulação do vírus no território nacional.
“O vírus Nipah ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, e por isso não se tornou uma pandemia”, afirma Brandão.”, diz Paulo Eduardo.
Além disso, o Ministério da Saúde informou que não há registros da doença no país e que os protocolos de vigilância seguem ativos.
“Não há, portanto, nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”, tranquiliza o ministério.”
O principal hospedeiro do vírus
O vírus Nipah tem como principal reservatório natural os morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como “raposas-voadoras”.

Esses animais são comuns em países da Ásia e da África, mas não fazem parte da fauna brasileira. Essa característica é um dos principais fatores que mantém o risco baixo no Brasil.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do vírus Nipah é realizado por meio de exames laboratoriais específicos, como o teste RT-PCR, a detecção de anticorpos pelo método ELISA e o isolamento do vírus em laboratório. Esses procedimentos são aplicados principalmente em países onde há circulação comprovada da doença.
Histórico de surtos no mundo
O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia. Desde então, os principais registros ocorreram em países asiáticos.
Na Índia, Bangladesh e regiões vizinhas, os surtos se repetiram ao longo dos anos, com índices elevados de mortalidade. Em alguns episódios, quase todos os pacientes infectados não resistiram.
A expansão urbana e a perda de habitat dos animais são apontadas como fatores que aumentam o contato entre humanos e reservatórios naturais.
O que dizem as autoridades internacionais
A Organização Mundial da Saúde informou que o surto recente na Índia está praticamente controlado e não há evidências de disseminação internacional.
O órgão também afirma que, no momento, não existe risco relevante para a população brasileira.
Como se proteger
Mesmo com o risco considerado baixo no Brasil, algumas medidas ajudam na prevenção de doenças infecciosas em geral, como evitar contato com animais silvestres, consumir apenas alimentos bem higienizados, manter bons hábitos de higiene e buscar atendimento médico caso surjam sintomas incomuns após viagens.
Acompanhe mais atualizações sobre o vírus Nipah no portal Radar NC.














