Pais que utilizam a fórmula infantil Alfamino 400g, da Nestlé, precisam checar a embalagem agora mesmo. A Anvisa suspendeu 10 lotes do produto após detectar níveis de selênio e iodo acima do permitido pela legislação sanitária brasileira.
A medida, publicada no Diário Oficial da União em 12 de fevereiro de 2026, por meio da Resolução-RE nº 521, determina o recolhimento imediato, além da proibição de venda, distribuição, importação e propaganda dos lotes atingidos. Como a fórmula é destinada a bebês com alergia grave à proteína do leite de vaca (APLV), a preocupação com a segurança é ainda maior.
O que levou a Anvisa a suspender a fórmula infantil Alfamino
De acordo com a Anvisa, análises laboratoriais identificaram a presença de 31,1 microgramas de selênio por 100 kcal e 175,7 microgramas de iodo por 100 kcal nos lotes avaliados. Esses valores ultrapassam os limites permitidos para fórmulas infantis voltadas a lactentes e crianças na primeira infância com necessidades alimentares específicas.
A agência apontou infração ao Decreto-Lei nº 986/1969, à Resolução RDC nº 976/2025 e à RDC nº 655/2022, normas que regulam padrões sanitários para alimentos e fórmulas infantis no Brasil.
Quais são os riscos do excesso de selênio e iodo para bebês
Selênio e iodo são nutrientes necessários para o organismo. No entanto, a margem entre a dose adequada e uma quantidade tóxica é pequena, sobretudo para bebês e crianças pequenas.
O excesso de selênio pode provocar sintomas como náusea, vômitos, diarreia, irritabilidade e queda de cabelo. Já o consumo elevado de iodo pode causar baixo ganho de peso, hipotireoidismo, hipertireoidismo e alterações no metabolismo e no crescimento.
Lista completa dos lotes da fórmula infantil afetados pela Anvisa
A suspensão atinge os seguintes lotes do Alfamino 400g:
- 50310017Y2
- 51060017Y1
- 50720017Y1
- 50710017Y4
- 50290017Y1
- 50280017Y2
- 43510017Y1
- 43480017Y2
- 43110017Y2
- 41730017Y2

O que é o Alfamino e por que a decisão preocupa
O Alfamino é uma fórmula infantil especial indicada para bebês com alergia grave à proteína do leite de vaca ou outras condições que exigem alimentação à base de aminoácidos livres. Por atender um público mais vulnerável, a composição nutricional precisa seguir parâmetros rígidos de segurança.
A decisão ganha ainda mais peso quando se considera que, em janeiro de 2026, a Anvisa já havia proibido a venda de lotes de Alfamino e outras fórmulas da Nestlé, como Nestogeno, Nan Supreme Pro e Nanlac, por risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus.
O que a Nestlé disse sobre a suspensão da fórmula infantil
Em nota, a Nestlé informou que “foi surpreendida pela publicação e que está em contato com a Anvisa para os devidos esclarecimentos”.
A empresa alegou que houve um erro de conversão na declaração da unidade de medida (mcg/kg em vez de mcg/100g) nos laudos apresentados à agência. Segundo a Nestlé, os valores corretos seriam selênio 3,11 microgramas por 100 kcal e iodo 17,57 microgramas por 100 kcal — dentro dos limites da legislação.
A companhia reiterou que “seus produtos atendem estritamente a todos os parâmetros normativos estabelecidos e, portanto, são seguros para o consumo”.
O que pais e responsáveis devem fazer agora
A Anvisa orienta que pais e responsáveis tomem as seguintes medidas:
- Verifiquem o número do lote impresso na embalagem do produto;
- Suspendam imediatamente o uso caso o lote esteja na lista;
- Entrem em contato com a Nestlé pelo SAC indicado na embalagem para orientações sobre devolução ou substituição;
- Caso a criança apresente algum sintoma após o consumo, levem-na para atendimento médico e informem o alimento consumido, de preferência com a embalagem em mãos.
Anvisa e Nestlé: caso ainda em aberto
Até o momento, a Anvisa não se pronunciou sobre a alegação de erro de conversão feita pela Nestlé. A situação permanece sob acompanhamento, e os lotes da fórmula infantil seguem com venda e uso proibidos enquanto não houver nova decisão oficial.
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